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Governo afasta PJ de treino em Israel

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PEDRO ROSÁRIO / Lusa

Nos últimos anos, Israel tem sido parceiro de formação a vários níveis das forças policiais portuguesas e fornecedor de quase toda a tecnologia de vigilâncias e interceções telefónicas utilizada pela PJ. Ministério da Justiça nega “motivações políticas” para o recuo

O Ministério das Justiça afastou a Polícia Judiciária (PJ) de um treino destinado a instruir inspetores em técnicas de interrogatório a suspeitos de criminalidade organizada transnacional. que iria decorrer em Israel. Esta decisão poderá ter sido motivada por pressões dos partidos da esquerda, em particular o PCP, conta o “Diário de Notícias” esta segunda-feira. Executivo nega essa possibilidade.

Tanto o BE como o PCP já se tinham manifestado sobre o carácter deste treino: ambos acusaram as forças de segurança israelitas de violar direitos humanos durante os interrogatórios policiais.

O projeto, de nome "Law Train", é cofinanciado e controlado pela Comissão Europeia, cabendo a Portugal pagar cerca de 200 mil euros. Espanha, Áustria – responsável pela questão ética do programa – e Bélgica também estão a participar.

Este recuo trouxe muitas preocupações às forças policiais, dado que Israel tem sido ao longo dos anos parceiro de formação a vários níveis das forças policiais portuguesas, tal como fornecedor de quase toda a tecnologia de vigilâncias e interceções telefónicas utilizada pela PJ. Para este treino, a Judiciária tinha destacado investigadores da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes.

Em declarações ao “DN”, o Ministério das Justiça garante que “não há motivação política” na ordem dada à PJ e invoca a “escassez de recursos humanos” naquele polícia, que implicaria um “esforço” que “não é uma prioridade no momento atual”, para justificar o recuo.