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Manuel Monteiro: “O CDS vendeu-se aos interesses pessoais e de negócios de Paulo Portas”

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O ex-líder do CDS critica todos aqueles que se dizem “democratas-cristãos, mas na realidade o que lhes interessa são os negócios, são os interesses pessoais de quem passou pela política para tratar da sua vida e não da vida dos cidadãos”

Helena Bento

Jornalista

Manuel Monteiro, ex-líder do CDS, considera que “as declarações e a posição que o CDS tomou em relação ao MPLA é testemunho de um partido que se rendeu e vendeu aos interesses pessoais e de negócios do dr. Paulo Portas”.

Em entrevista ao jornal i, publicada na edição desta sexta-feira, Manuel Monteiro acusa o CDS de ter perdido “toda a sua identidade de partido de valores e de partido de princípios”, ao ter demonstrado o seu apoio a um “partido que desrespeita os direitos humanos”, como o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder em Angola. “O CDS não tinha necessidade deste sentido bajulador de quem perdeu a sua dignidade na ânsia de servir interesses que não são interesses políticos”.

Manuel Monteiro dirige ainda uma crítica a todos aqueles que se dizem “democratas-cristãos, mas na realidade o que lhes interessa são os negócios, são os interesses pessoais de quem passou pela política para tratar da sua vida e não da vida dos cidadãos”, confundindo “os negócios da política com a política dos negócios, que são coisas totalmente diferentes”. O ex-líder do partido de direita diz-se supreendido por não haver quem, dentro do CDS, “conteste isso, nomeadamente os mais antigos”.

CDS-PP assume-se mais próximo do MPLA

O dirigente e deputado do CDS-PP Hélder Amaral disse na quarta-feira, em Luanda, que aquela força política portuguesa está muito mais próxima do MPLA e agora com “muitos mais pontos em comum”.

Em declarações aos jornalistas, Hélder Amaral, manifestou satisfação pelo primeiro convite endereçado ao partido para participar de um congresso do partido no poder. “Pela primeira vez que nos convidaram, estamos presentes. Queremos fortalecer essa relação, que já existia em termos parlamentares; estamos a ver, a ouvir e a perceber melhor, a ver de que forma podemos ser úteis, a mostrar a nossa disponibilidade e, no fundo, a tentar que se perceba que esses dois países têm ligações que ultrapassam qualquer dificuldade”, referiu. “Espero que seja o primeiro de muitos congressos e esperamos também ter no nosso congresso representantes do MPLA”, concluiu o dirigente.

Direção do CDS demarca-se das declarações de Hélder Amaral

A direção do CDS já se demarcou da posição de Hélder Amaral, dizendo-se “em choque” com as declarações do deputado, que se encontra em Luanda a representar o partido no Congresso do MPLA - a decorrer desde quarta-feira na capital angolana.

Em declarações ao Expresso, o vice-presidente do CDS, Adolfo Mesquita Nunes, fez questão de deixar claro que “o CDS não subscreve o entendimento das palavras de Hélder Amaral, que presumem uma alteração das posições do partido relativamente à democracia e ao pluripartidarismo em Angola”.

O dirigente centrista adiantou que, a comprová-lo, está o facto de antes mesmo de o CDS confirmar a presença no Congresso do MPLA já tinha aceitado o convite para se fazer representar no congresso do CASA-CE, partido da oposição ao regime de José Eduardo dos Santos, marcado para 6,7 e 8 de setembro.