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Santos Silva critica Ban Ki-moon por este preferir uma mulher como sucessora

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Alberto Ortiz / EPA

Em entrevista ao Expresso em maio, Ban Ki-moon não quis responder se António Guterres teria boas possibilidades de atingir o cargo de secretário-geral da ONU, pois tinha de ser “imparcial”. Esta terça-feira, defendeu que “já é tempo” de ter uma mulher à frente das Nações Unidas

Ao contrário do que disse há alguns meses ao Expresso, Ban Ki-moon decidiu esta terça-feira interceder e tornar pública uma opinião sobre a escolha do seu sucessor e novo secretário-geral das Nações Unidas (ONU). Não por nenhum candidato em particular, mas pela escolha dever vir a privilegiar as mulheres. "Já é tempo" de ter uma mulher à frente da ONU, disse Ban Ki-moon, sem apontar nomes.

Estas palavras, conta o “Diário de Notícias” esta quarta-feira, não caíram bem junto do Governo português, que tem fortes esperanças de que António Guterres consiga conquistar o lugar. As duas votações informais até agora realizadas confirmaram que o ex-primeiro-ministro socialista é o candidato mais consensual a votos, de um grupo de seis homens e cinco mulheres.

"Como o próprio [Ban Ki-moon] disse, não compete ao secretário-geral em funções escolher o próximo", diz Augusto Santos Silva ao “DN”. Em maio, em entrevista ao Expresso, o dirigente não quis responder à pergunta sobre se Guterres teria boas possibilidades de atingir o cargo, pois tinha de ser “imparcial”.

“Como secretário-geral tenho de ser neutral e imparcial neste processo, mas estou confiante no novo processo de escolha do meu sucessor, que é muito transparente, pelo que espero francamente que funcione”, afirmou então. Esta declaração contrasta com a posição assumida pelo próprio esta terça-feira.

O ministro dos Negócios Estrangeiros não foi o único a revelar- se indignado com a posição do atual líder da ONU. “É uma declaração infeliz e que jamais deveria ser proferida por alguém que deveria ser imparcial e manter a neutralidade, e muito menos num momento como este em que já estamos nesta fase avançada da votação”, diz, também em declarações ao “DN”, o embaixador Francisco Seixas da Costa.