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Mariana Vieira da Silva: “A única forma de combater a ideia de que os políticos são todos iguais é ter políticos que se distingam”

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Mariana Vieira da Silva, que fez parte do governo de José Sócrates entre 2005 e 2011, diz ter assistido ao início do processo Marquês “com surpresa”

“A única forma de combater a ideia de que os políticos são todos iguais é ter políticos que se distinguem por não seguirem certos caminhos”, diz Mariana Vieira da Silva, secretária de Estado adjunta do primeiro-ministro, em entrevista ao “Diário de Notícias” esta terça-feira. À medida que vão acontecendo as passagens “inimagináveis” do público para o privado, dos casos de corrupção, é preciso ir “agindo”, diz.

A ida de Durão Barroso da liderança da Comissão Europeia para a Goldman Schacs “não” devia ser possível, diz. “Até porque se garante a quem ocupa esse cargo um conforto de vida através de uma reforma vitalícia para que a pessoa não se sinta forçada a pôr em causa a imagem dessa instituição, e esta escolha põe. As subvenções vitalícias, tão criticadas, têm também esse objetivo”, explicou.

Mariana Vieira da Silva, que fez parte do governo de José Sócrates entre 2005 e 2011, diz ainda ter assistido ao início do processo Marquês “com surpresa”. “E com vontade de que aquilo que há para esclarecer seja esclarecido. É óbvio que foi uma situação difícil para quem é do PS”, diz.

Neste momento, os principais perigos que identifica na sociedade portuguesa estão todos relacionados com a situação económica do país. “A forma como estamos a tornar mais tardio o início da vida adulta das pessoas. Começam a trabalhar mais tarde, levam muito tempo à procura de emprego, muitas vezes pouco estável, muito precário, mal pago”, diz.

Ainda assim, estas condições nunca resvalaram na criação de movimentos populistas e racistas. A “existência do PCP e a sua consistência” e o “conservadorismo”, sinónimo de “maturidade” democrática, terão contribuído para essa estabilidade.

A secretária de Estado adjunta de António Costa confessa ainda na mesma entrevista que hesitou quando foi convidada para o Governo. “Porque há sempre um momento em que a pessoa pensa se é capaz. E hesitei também por saber que ia estar confrontada com uma situação que não é simples, a de estar no mesmo governo que o meu pai”, conta.