Siga-nos

Perfil

Expresso

Revista de imprensa

Louçã: “Marcelo foi eleito como um antiCavaco”

  • 333

Antonio Pedro Ferreira

O ex-líder do Bloco de Esquerda revela em entrevista ao “Jornal de Negócios” que Bruxelas queria uma privatização parcial da Caixa Geral de Depósitos. António Costa resistiu, diz Francisco Louçã

“Marcelo foi eleito como um antiCavaco. Desde então, tem sido um fator de estabilidade política”, diz Francisco Louçã, ex-líder do Bloco de Esquerda, em entrevista ao “Jornal de Negócios” desta sexta-feira.

Afastado por iniciativa própria do Parlamento, o conselheiro de Estado de Marcelo Rebelo de Sousa diz não sentir saudades desse tempo: “Ninguém deve estar demasiados anos no Parlamento. Estive lá 13 anos e acho que foi muito tempo”.

Reconhecido no meio político por ser o “padrinho” de Catarina Martins na sua transição para a liderança do Bloco de Esquerda, Louçã deixa muitos elogios à atual coordenadora do partido. “A Catarina Martins tem enormes vantagens sobre mim. É encantadora, forte, sabe o que quer. Os adversários que a subestimaram cometeram um erro tremendo”, analisa.

Quanto ao Governo, revela que Bruxelas queria uma privatização parcial da Caixa Geral de Depósitos, mas que António Costa resistiu. “O Governo tem sido muito fiel aos compromissos que assinou. O principal defeito é a sua vulnerabilidade em relação à chantagem de Bruxelas. Mas até acho que se tem batido bem em relação à CGD, por exemplo, Bruxelas queria uma privatização parcial”, conta.

O ex-líder do BE confessa-se ainda cético quanto ao futuro da União Europeia. “Tem um princípio de desagregação e uma enorme força institucional. Não se pode cometer o erro de subestimar a enorme força institucional. Mas não tem salvação possível. Acho que está perdida”, diz ao “Negócios”.

Na mesma entrevista Francisco Louçã relata discussões internas dentro do BE sobre “possíveis geringonças” em legislaturas anteriores. Em 2004, uma parte dissidente do Bloco de Esquerda – que viria a sair do partido para formar o Livre – queria experimentar uma “geringonça” com o Governo de José Sócrates, caso este não conseguisse a maioria absoluta.