Siga-nos

Perfil

Expresso

Revista de imprensa

Costa devolve custos da viagem de Marcelo num Falcon do Estado

  • 333

José Caria

“A participação da seleção nacional num campeonato internacional é uma atividade de interesse e natureza públicas”, lê-se no parecer pedido pelo Governo

A deslocação de Marcelo Rebelo de Sousa a França num avião Falcon, para assistir à meia-final entre Portugal e o País da Gales no Euro 2016, “constituiu um ato de representação do Estado português”. Esta foi a opinião de António Costa, sustentada por um parecer pedido pelo Governo, que optou por devolver ao Presidente da República o cheque enviado por este à Força Aérea após a viagem a Lyon, conta o “Correio da Manhã” esta quarta-feira.

De acordo com o parecer a que o “CM” teve acesso, “a disponibilização dos meios das Forças Armadas para viagens de serviço cumprem uma missão de interesse público”.“A participação da seleção nacional num campeonato internacional é uma atividade de interesse e natureza públicas”, lê-se.

O gabinete do primeiro-ministro confirmou ao “CM” a devolução do valor pago por Marcelo Rebelo de Sousa, assumindo ainda que as despesas relativas à viagem serão suportadas pelo Estado.

Por hora, o custo de voo de um Falcon ronda os 3500 euros, pelo que a deslocação entre Bragança e Lyon representou um encargo de 14 mil euros. Dado tratar-se do Presidente da República, neste caso em uso particular, só é contabilizado o valor relativo ao combustível - cerca de 6000 euros, verba agora devolvida pelo Governo.

  • Ao criticar os outros candidatos por, durante a última campanha eleitoral, gastarem dinheiro para se darem a conhecer através de meios próprios Marcelo explicou que para ser eleito para um cargo tem de se ser escolhido primeiro pela comunicação social. E alimentou o discurso populista sobre os custos da democracia. Agora, já Presidente, é vítima desse mesmo discurso. Depois de uma notícia do “Correio da Manhã” sobre a viagem de Falcon para Lyon, Marcelo informou que a tinha pago do seu bolso. Se a moda pega os detentores de cargos políticos passarão a pagar para trabalhar. O frenesim mediático de Marcelo leva-o, com alguma frequência, a ceder a um populismo que nem me parece que lhe seja natural. Como quer que a sua popularidade se baseie mais nos afectos (considerações sobre a sua personalidade) do que em opções políticas, está condenado a este tipo de gestos simbólicos que rapidamente se tornarão insustentáveis e se virarão contra ele. Há uma diferença entre a seriedade de quem exige rigor no uso de recursos públicos e a mesquinhez de quem usa cada despesa na representação do Estado para diminuir a democracia. Um Presidente que seja cúmplice desta demagogia está, ele próprio, a enfraquecer a democracia, retirando-lhe as condições materiais para ser exercida