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Carvalho da Silva: “Uma vitória da esquerda é não ter ido no jogo da direita”

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Tiago Miranda

Ex-líder da CGTP diz que o funcionamento do Governo PS apoiado pelo PCP, BE e Verdes tem surpreendido muita gente, mas sublinha que é preciso não perder o espaço crítico à esquerda. E admite que no futuro os problemas vão ser “mais quentes”

Carvalho da Silva acredita que o Governo de António Costa vai cumprir a legislatura caso prossiga com a perspetiva estratégica. Em entrevista ao jornal “i”, o antigo líder da CGTP admite, contudo, que os problemas vão tornar-se “mais quentes” no futuro.

“A conjugação entre o conjuntural e o estratégico tem de ser reforçada. Quanto mais se avançar no tempo, mais se vai tornar evidente a necessidade dessa conjugação entre o conjuntural e o estratégico”, afirma Carvalho da Silva ao diário.

Dirigindo críticas ao PSD e ao CDS, o antigo líder sindical frisa que na fase inicial do Executivo a direita tentou inviabilizar e depois descredibilizar a solução governativa, sem alcançar sucesso nessa tarefa.

“A direita está-se a sair mal nessa função e este último episódio das chamadas sanções também contribuiu para a perceção de que esse negativismo em que quer situar constantemente o país pode ser sacudido, isso é o mais relevante”, acrescenta.

Para Carvalho da Silva, o funcionamento do Governo PS apoiado pelo PCP, BE e Verdes tem surpreendido muita gente, criando um “novo sentimento na sociedade”. “Desde o início que digo que são, em muitos casos, pequenos passos corajosos de dignidade e um sinal à sociedade portuguesa de não-cedência à inevitabilidade do retrocesso”, sublinha, apontando para os casos dos subsídios aos colégios privados, a reposição dos subsídios de férias, dos feriados, e das 35 horas.

Para que o Governo cumpra a legislatura, Carvalho da Silva considera ainda que o “espaço crítico à esquerda não pode desaparecer” e que é preciso contornar as limitações da solução governativa. “Dificilmente o país consegue ter investimento se mantiver os encargos da dívida que tem. Se em cada ano temos que pagar 8,5 mil milhões de euros de encargos da dívida, não fica margem para haver investimento”, exemplifica.

A resolução dos “podres do sistema financeiro” são, na opinião de Carvalho da Silva, essenciais para que o país avance. “Sem isso é muito difícil encntrar conjugação de fatores que permitam o desenvolvimento, e por último, a necessidade de estancar a emigração e começar a reverter o saldo demográfico em Portugal”, conclui.