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Prescreveram inquéritos sobre jovem que foi à urgência 11 vezes antes de morrer

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FAMÍLIA. Os pais de Sara, Maria de Fátima Silva e Mário Moreira, fotografados esta terça-feira na sua casa em Recarei, com o filho mais novo, que sofre de autismo

Rui Duarte Silva

A Inspeção Geral das Atividades em Saúde diz não ter competência legal para instaurar um inquérito de natureza disciplinar, uma vez que os “factos ocorreram há mais de um ano”

Dos quatro inquéritos anunciados à morte Sara Moreira, a jovem que foi à urgência 11 vezes, no Hospital Padre Américo, em Penafiel, sem nunca ser diagnosticada, apenas um poderá produzir algum efeito e explicar o que falhou no atendimento à jovem, conta o “Diário de Notícias” esta quarta-feira. Três dos processos disciplinares já terão prescrevido.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, anunciou a 29 de junho que iria pedir à Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) a abertura de uma investigação, após o caso de Sara Moreira ter sido denunciado em vários órgãos de comunicação.

Já este mês, o IGAS informou o Parlamento que nem sequer chegou a abrir um inquérito, porque, a sua “competência” para averiguar eventuais ilícitos disciplinares estava esgotada “por efeito de prescrição”.

Esta resposta chegou a 19 de julho aos deputados do Bloco de Esquerda José Soeiro e Moisés Ferreira. A entidade supervisora disse não ter competência legal para instaurar um inquérito de natureza disciplinar, uma vez que os “factos ocorreram há mais de um ano”.

Segundo o “DN”, assim só o inquérito-crime do Ministério Público de Penafiel para dar uma resposta sobre o que aconteceu entre 2010 e 2013, ano em que faleceu Sara. Como estão a decorrer as férias judiciais, o caso só deverá ter desenvolvimentos em setembro.

A história clínica de Sara Moreira situa-se entre 2010 e 2013. Durante esse período, a jovem de 19 anos deu entrada 11 vezes no Hospital Padre Américo. Mas o tumor na cabeça, pelo qual acabaria por falecer, nunca lhe foi detetado.