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Administração da Caixa entregou plano B de recapitalização há 7 meses

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DE SAÍDA O presidente da Caixa Geral de Depósitos, José de Matos

FOTO PAULO ALEXANDRINO

O plano B para a Caixa era explicado face à necessidade de preparar com “antecedência e ponderação” a recapitalização, diz José de Matos, ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos. Governo não deu andamento à ideia

“Por exigência do regulador”, José Matos, ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos, preparou um plano B de capitalização da Caixa Geral de Depósitos sem recorrer a dinheiros públicos, há sete meses, e apresentou-o a António Costa. Contudo, este nunca foi considerado. Esta informação é veiculada, esta terça-feira, pela carta de demissão da administração liderada por José de Matos a que a “TSF” teve acesso.

De acordo com a carta, eram “considerados a conversão de CoCos (Obrigações Convertíveis de Capital Contingente) em capital e uma lista de operações financeiras e patrimoniais que, no seu conjunto, de destinavam a assegurar que o banco se mantivesse nas condições regularias exigíveis”.

O plano B para a Caixa era explicado face à necessidade de preparar com “antecedência e ponderação” a recapitalização: “As projeções apontavam para a incapacidade de reembolsar os CoCos em junho de 2017 e satisfazer as exigências regulatórias neste domínio, incluindo um buffer [almofada] adicional de capital para risco sistémico, então anunciado pelo Banco de Portugal para esse ano", lê-se na carta enviada a António Costa a 21 de junho. O primeiro-ministro ou o ministro da Finanças nunca terão dado resposta a esta situação, diz o ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos.

Ainda na mesma missiva, José de Matos lembra que o Banco Central Europeu não queria mudanças radicais na administração do banco do Estado. E que as demoras no processo de nomeação da nova administração só estão a prejudicar o banco público.

“O BCE via com grande preocupação o fim em simultâneo do mandato de todos os membros do órgão de gestão e vinha reclamando, de forma insistente e continuada, um plano que evitasse a instabilidade durante a fase de transição”, escreveu.

Terá sido a falta de “orientações” da parte do Governo que levou José de Matos a demitir-se passados sete meses, revela a carta. “Importantes decisões estratégicas estão adiadas e, paralisado, o banco perde terreno e valor face à concorrência, dia após dia”, sublinhou.

  • Valor da capitalização da CGD ainda não está fechado

    Já se disse que a capitalização da Caixa poderia chegar aos cinco mil milhões de euros, mas fontes do mercado admitem que poderá ficar-se apenas pela metade, pouco mais de dois mil milhões de euros. António Domingues mantém que só assume a liderança do banco público quando tiver a certeza que a capitalização não é considerada ajuda de Estado. O BCE já deu ‘luz verde’ aos nomes para a administração escolhidos por Domingues