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BCP questiona Bruxelas sobre a recapitalização da Caixa

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Nuno Fox

Se a Caixa Geral de Depósitos só necessita de 2000 milhões de euros porque é que o Governo quer injetar o dobro? Nenhum privado faria isso, diz o BCP, que decidiu questionar Bruxelas sobre a operação

O BCP não está convencido da legitimidade da operação de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos: nenhum privado injetaria 4000 milhões de euros na Caixa, como pretende fazer o Governo, quando esta só necessita de 2000 milhões para cumprir as exigências de solidez. O banco liderado por Nuno Amado decidiu, por isso, questionar Bruxelas sobre a operação em curso, conta o “Jornal de Negócios” esta sexta-feira.

O Governo está a negociar com Bruxelas um plano de capitalização da Caixa Geral de Depósitos que prevê uma injeção de fundos de acordo com o “princípio do investidor numa economia de mercado". É uma forma de evitar que a operação fique sujeita às regras europeias sobre ajudas de Estado, mas significa que o próprio Estado fará o aumento de capital da CGD em condições que um investidor privado aceitaria.

No BCP, conta o “Negócios”, duvida-se que no atual contexto económico houvesse um investidor privado que aceitasse fazer um aumento de capital numa instituição financeira nacional acima do nível exigido pelo BCE. Mais: o BCP tem receio dos efeitos de uma sobre-capitalização da Caixa no resto do sistema e admite que os investidores poderão não perceber as motivações de uma injeção que duplica o valor apresentado como necessário. E isso, alerta o BCP, pode gerar desconfiança em relação às contas da Caixa, à supervisão da banca portuguesa e, até levar este sentimento a alastrar relativamente a outros bancos.

Estas terão sido as razões que levaram o BCP a questionar a Comissão Europeia sobre os termos da operação de capitalização da CGD que está a ser negociada pelo Governo de António Costa, explica o "Negócios". Em causa, estará uma injeção que pode oscilar entre os 4000 milhões e os 5000 milhões de euros, números que o Governo ainda não confirmou, mas têm sido avançados na empresa.

De acordo com os últimos testes de stresse do BCE, a Caixa necessita de cerca de 2000 milhões de euros para cumprir as exigências de solidez do Banco Central Europeu. Esta verba corresponde à almofada que o supervisor europeu considera necessária para a CGD enfrentar possíveis choques futuros, incluindo um cenário económico adverso.