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OCDE: Portugal merece uma “flexibilidade especial” para o défice excessivo

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Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE, defendeu que “ninguém deve ser punido”, fazendo referência às eventuais sanções da Comissão Europeia

ETIENNE LAURENT/EPA

Bruxelas deve fazer uma revisão das regras europeias de forma a flexibilizar a interpretação dos “números mágicos” do défice, sugere José Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE em entrevista ao “Jornal de Negócios”

Não faz sentido Portugal ser alvo de sanções por causa de um desvio de 0,2%, diz José Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta segunda-feira. Bruxelas deve sim fazer uma revisão das regras europeias de forma a flexibilizar a interpretação dos “números mágicos” do défice, defende o dirigente.

“Após oito anos de crise ou oito anos após a crise, podermos ser mais criativos e [permitir] talvez algum afastamento temporário [das metas], de forma a podermos impulsionar [a economia] através de mais investimento público e de infraestruturas muito bem escolhidas e com um elevado efeito multiplicador”, sugere José Ángel Gurría.

Desta forma, o défice podia até ficar acima da meta dos 3%, algo que seria só temporário, diz, para impulsionar o crescimento, “mas depois volta a diminuir através de mais crescimento e receitas”.

Para o secretário-geral da OCDE, Portugal “está a sair de circunstâncias muito difíceis”, foi alvo de muitas reformas e agora está a “tentar recuperar”. Já que o país se mostrou disposto a “tomar decisões difíceis e politicamente complicadas”, então, neste momento, merece “ter uma flexibilidade especial, até porque o processo continua. (...) Está a haver consolidação até em 2016 e [as sanções referem-se] a 2014, 2015”, explica Gurría ao “Negócios”.