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Eduardo Cabrita: “Seria desastroso sancionar Portugal pelo fracasso de Passos Coelho e Maria Luís”

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MÁRIO CRUZ / Lusa

Ministro adjunto critica o modelo de oposição feito pelo PSD desde que António Costa chegou ao poder. Eduardo nCabrita acusa os sociais-democratas de uma “sofreguidão por medidas adicionais”

“No momento em que a Europa se debate com a impreparação sobre a forma de concretizar a decisão de saída resultante do referendo britânico (…) seria desastroso sancionar Portugal pelo fracasso de Passos Coelho e Maria Luís ao excederem em 0,2% o limite mítico do défice em 2015”, sentencia Eduardo Cabrita, ministro adjunto do Governo de António Costa, num texto de opinião publicado esta quinta-feira no “Diário de Notícias”.

Mais: para o ministro socialista, a aplicação de quaisquer sanções seria “absurda por incidir sobre os resultados e as opções do período 2013-15 que a ortodoxia financeira europeia sempre sufragou.”

Numa Europa em convulsão, escreve, a atual “experiência governativa portuguesa constitui uma referência de maturidade democrática” e é sinónima de uma “tranquilidade democrática que poucos antecipariam na noite de 4 de outubro do ano passado.”

Cabrita defende que esta “tranquilidade” surge agora devido ao “primado do cumprimento do programa do Governo. “Ao contrário do que tantas vezes sucedeu, nunca foi invocada a existência de uma situação muito pior do que aquela que se conhecia antes das eleições para justificar a violação de compromissos públicos ou a adoção inesperada de medidas penosas”, escreve, por antítese os “modelos pouco imaginativos da direita” centrados numa competitividade baseada na “degradação dos salários”.

“Os maiores fatores de incerteza na sociedade portuguesa resultam da instabilidade e da perda de credibilidade do sistema financeiro deliberadamente ocultadas por Passos Coelho e Maria Luís por razões de calendário político, com pesados custos para os contribuintes e para as empresas. A sucessão infausta de eventos como os ocorridos com o BES, o Banif e a tentativa de fragilização da CGD indiciam um padrão de comportamento gravemente lesivo do interesse público e corrosivo da confiança na economia portuguesa”, acusa.

Ainda no mesmo texto, Eduardo Cabrita aproveita para criticar o modelo de oposição feito pelo PSD desde que António Costa chegou ao poder. Diz que o sonho do PSD de um plano B e a “sofreguidão por medidas adicionais” são desmentidos a cada mês pela consolidação da trajetória estabelecida no Orçamento de Estado para 2016.

“Ninguém aceitará que o PSD sacrifique Portugal para tentar salvar a honra perdida dos seus dirigentes partidários”, escreve. Já o CDS, diz, “claramente já fez o luto da passagem à oposição e vem afirmando o seu caminho com propostas alternativas e a natural fiscalização crítica da ação do Governo”.