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Stock da Cunha: “A principal vitória foi ter conseguido que o banco sobrevivesse”

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Alberto Frias

Confrontado com o nome de António Ramalho, o ex-gestor do BCP que tem sido apontado como o seu substituto à frente do Novo Banco, Stock da Cunha não confirma nem desmente: “Gosto de estar à disposição da pessoa que me vier a suceder”

O Novo Banco sobreviveu e essa é a “principal vitória” de Stock da Cunha, reivindica o gestor que está de partida para Londres, ao fim de quase de dois anos à frente da instituição, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta quarta-feira. A sua missão, diz, nunca foi vender o banco mas sim recuperar e criar valor.

Esta experiência, que diz tê-lo ensinado a “gerir em stresse extremo”, por melhor que tenha sido não seria para continuar. “Pessoalmente, não estaria disponível”, afirma.

“A principal vitória – não é minha, é de todos os colaboradores – foi ter conseguido que o banco sobrevivesse. A outra grande vitória é que existe uma estratégia clara, que permitirá ao banco ser uma referência no sistema português, adaptado à nova realidade”, acentua.

Stock da Cunha confessa ainda que “acredita que seja possível transacionar” o banco que ficou com os despojos do BES, mas não se pode é comparar o valor do banco “com o dinheiro que foi injetado”. Nem os clientes podem ser totalmente salvaguardados. “Os clientes bancários pagam a fatura aqui [na resolução do BES] como pagam em qualquer sítio.”

Quando questionado sobre uma possível consolidação do Novo Banco ou a manutenção desta instituição de forma autónoma, o banqueiro diz encontrar “prós e contras” em ambas as opções, não subscrevendo nenhuma em particular.

Confrontado com o nome de António Ramalho, o ex-gestor do BCP que tem sido apontado como seu substituto, Stock da Cunha não confirma nem desmente que será o seu sucessor. “Gosto de estar à disposição da pessoa que me vier a suceder para lhe prestar todo o suporte que for preciso até assumir as funções na sua plenitude”, limita-se a responder.

Quanto à possibilidade que tem sido muito falada pelo Bloco de Esquerda de o Novo Banco vir a ser nacionalizado, diz que é uma solução que não lhe diz respeito e caberá a outro tomar. “O assunto é muito complexo. Não tenho como claro que se possa nacionalizar assim, sem dar explicações a ninguém. Não tenho a certeza jurídica de como se faria.”