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Azeredo Lopes preocupado com falta de adesão dos jovens à carreira militar

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António Pedro Ferreira

Há seis mil vagas mas só mil se candidataram. O ministro da Defesa explica que a necessidade de incorporar tantos novos efetivos resulta de, em anos passados, “ter havido cortes brutais nas incorporações”

Este ano existem cerca de seis mil vagas para preencher nos três ramos das Forças Armadas – Exército, Marinha e Força Aérea –, mas só houve mil candidaturas. Azeredo Lopes, ministro da Defesa, admite que estes números de adesão à carreira militar são preocupantes, em entrevista à Rádio Renascença esta quarta-feira.

“Estou preocupado, porque aquilo que representa a incapacidade de atingir um determinado objetivo, que se considera ser sustentáculo para a existência de Forças Armadas eficientes e capazes de se renovar, é sempre preocupante”, confessa Azeredo Lopes.

Dos três ramos, o Exército é o mais afetado. Mas a Marinha e a Força Aérea, que tradicionalmente eram alvo de muito interesse, também vão sentir uma quebra no recrutamento, explica. Desde 2004, estas especializações funcionam em regime profissionalizante, com contratados e voluntários, e o número de interessados tem vindo a diminuir.

Porém, nunca se tinha registado uma desproporcionalidade tão significativa de vagas e candidaturas até agora. Azeredo Lopes explica que a necessidade de incorporar seis mil novos efetivos resulta de, em anos transatos, “ter havido cortes brutais nas incorporações que levam a que cheguemos a uma situação que não é normal. Não vamos precisar todos os anos de seis mil que queiram seguir a vocação militar.”

Outro dos temas ainda abordados por Azeredo Lopes na entrevista à Renascença foi o Brexit. Para o ministro da Defesa, com a saída do Reino Unido da União Europeia o projeto europeu fica a necessitar de uma “clarificação” da parte das suas instituições superiores.

“O que incomoda é continuarmos a ter alguma dificuldade em termos posições claras sobre posições claras, como um todo. Não se trata de fugas para a frente ou de bater em retirada, mas de melhorar a qualidade do processo de integração em que o Governo e o Estado português continuam fortemente empenhados”, diz.