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Mota Amaral: Comissão Europeia “tem de deixar de funcionar como o polícia mau para os países mais fracos”

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Alberto Frias

Para o antigo presidente do Parlamento, as ameaças permanentes feitas por entidades europeias só estão a minar a própria adesão do povo português ao projeto europeu. “Se é com isso que os responsáveis europeus querem construir a Europa, por mim, como se costuma dizer, vou ali e já venho”, afirma

A Comissão Europeia "tem de deixar de funcionar como o polícia mau para os países mais fracos e fechar os olhos aos problemas dos países grandes", defende Mota Amaral, social-democrata e ex-presidente da Assembleia da República, em entrevista à Rádio Renascença. Este clima de ameaça, de diferenciação dos países, pode afastar os portugueses dos ideais europeus, diz.

“As ameaças permanentes que nos são feitas por entidades europeias só estão a minar a própria adesão do povo português ao projeto europeu. E se é com isso que os responsáveis europeus querem construir a Europa, por mim, como se costuma dizer, vou ali e já venho”, afirma Mota Amaral.

Para o social-democrata, existe uma unanimidade já expressa do Parlamento quanto a esta questão, com divergências mínimas entre a direita e a esquerda. “Não faz sentido aplicar sanções a Portugal pelo desempenho no ano 2015, que é isso que está em causa. O esforço foi feito, enorme, para melhorar as despesas e para equilibrar a execução orçamental. As ameaças de sanções não fazem sentido numa altura em que é preciso que a Europa faça causa comum para enfrentar os problemas que têm estado a apertar países como Portugal e Espanha”, justifica.

Para Mota Amaral, dizer que não se fala da França, por ser a França, só irá criar mais desequilíbrios internos na União Europeia. “Diferenciar os países europeus é que está a causar a indignação dos cidadãos contra os responsáveis europeus”, sustenta.