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"Portugal tem de encontrar formas de mobilizar a grande bolsa de desempregados de baixas qualificações", diz economista-chefe do FMI

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Com uma dívida tão elevada, Portugal “fica mais vulnerável a forças do mercado”, defende Maurice Obstfeld, economista-chefe do FMI

Portugal deve ter três prioridades para futuro: mais crescimento, menos desemprego e dívida pública a cair, define Maurice Obstfeld, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta segunda-feira. O país tem de “encontrar formas de mobilizar a grande bolsa de desempregados de baixas qualificações. Se isso não acontecer, pode ser mais difícil lidar com o problema bancário atempadamente”, recomenda.

Com uma dívida tão elevada, Portugal “fica mais vulnerável a forças do mercado”, diz Maurice Obstfeld. O economista do FMI assume que o programa do governo de Pedro Passos Coelho, levado a cabo entre 2011 e 2014, restaurou o acesso aos mercados, “mas se o crescimento não ajudar, se o ambiente global não ajudar, e se a dívida permanecer elevada, então está vulnerável”.

“Os sucessos do passado podem ser frágeis”, por isso Maurice Obstfeld recomenda que António Costa “mantenha o rumo”, apesar de admitir que “as pessoas estejam cansadas” e queiram colher os frutos das reformas, após um período de maior austeridade.

O FMI antecipa um crescimento da economia portuguesa de apenas 1%, em 2016, para 1,1% no ano seguinte, com o défice público nos 3% do PIB no mesmo período. É a instituição que prevê menos crescimento para a economia portuguesa.

Quanto às consequências do Brexit para a União Europeia, o economista do FMI diz que a reação dos mercados até foi benigna, a curto prazo. “As coisas correram como prevíamos. Vimos um grande ajustamento no preço das ações, algum ajustamento, não muito, no risco da periferia, e vimos a libra a cair na casa dos 10%. O que não era claro era se haveria uma reação de mercado mais desordenada, dado que houve uma surpresa no resultado do referendo”, explicou ao "Negócios".

Já a médio prazo, a saída do Reino Unido “terá algum impacto negativo”, mas ainda é muito cedo para avançar com números, diz.