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Rui Machete acusa o PSD de “mutismo” quanto a alternativas

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Rui Machete atribui a adesão dos jovens ao combate do autoproclamado Estado Islâmico a uma "crise de valores que hoje atravessamos e a falta de um ideal"

Patrícia de Melo Moreira / AFP / Getty Images

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros acusa o PS de estar refém do Bloco de Esquerda, partido que apelida de “leviano”. O BE faz “propaganda e banalização de comportamentos excecionais em sociedade”, diz

O PSD devia apresentar alternativas, “combater”. Mostrar outros “princípios”, outros “valores”. Mas não é isso que está a acontecer, diz Rui Manchete. “Não é preciso grandes discursos, mas as pessoas têm de saber que há alternativas. Muitas vezes dá a sensação que se tem um certo mutismo”, afirma o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros em entrevista ao programa “Terça à Noite” da Rádio Renascença.

Mas nem tudo são boas notícias para o PS, segundo ele. “Não estamos numa fase pós-austeridade. Nem estamos já nem vamos continuar a estar, e se não tomarmos algumas cautelas e não mostrarmos os nossos claros propósitos de prosseguir um caminho que é indispensável para que o país recupere as condições para se desenvolver, podemos retroceder e isso seria que seria gravíssimo”, avisa Rui Machete.

Tal como outros sociais-democratas já tinham feito, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros acusa o PS de estar refém do Bloco de Esquerda, um partido que apelida de “leviano”. O Bloco faz “propaganda e banalização de comportamentos excecionais em sociedade”, comportamentos que criam “problemas dos valores da família, do desenvolvimento da personalidade, da forma como as pessoas exercem a liberdade”, afirma, ao falar de medidas como as barrigas de aluguer e a eutanásia. “Bato-me por um sólido e tranquilo conservadorismo”, defende.

Quanto às consequências da saída do Reino Unido da União Europeia, Machete é perentório: “Estamos metidos num grande sarilho”.

Para o ex-ministro, “é preciso que União Europeia retifique alguns dos seus comportamentos que têm vindo a prevalecer nos últimos anos.” E isto não será só uma questão de medidas, mas também de discurso. “É importante que não só nas medidas, mas na forma como são apresentadas, haja a sensação clara de uma grande solidariedade e de uma grande entreajuda. Nós, países que temos tido situação deficitária nas finanças públicas, temos de dar garantias de que somos capazes de fazer alguns sacrifícios que são inevitáveis por mais algum tempo, mas é importante que sintamos que não estamos sozinho, que não somos punidos”, diz.