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Vítor Bento: Brexit é uma oportunidade para “profunda introspeção” na União Europeia

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M\303\201RIO CRUZ / LUSA

O economista e ex-presidente do Novo Banco defende uma solução macroeconómica para a Europa e não um constante remendar das “crises individuais”, porque a escala real do problema não é essa. Como consequência de sucessivas curas falhadas, “o apoio social do projeto [europeu] tem vindo a esvair-se”, defende

“A crise aberta pelo Brexit constitui uma oportunidade para a União Europeia (UE), e em particular a zona euro, procederem a uma profunda introspeção, emendarem a mão na forma como têm lidado com a crise económico-financeira, porem em prática um plano coerente que sustente as expectativas de viabilidade da zona euro, e oferecerem um novo ânimo às populações”, defende Vítor Bento, economista e ex-presidente do Novo Banco, num artigo de opinião, com o título “Brexit: uma oportunidade”, publicado esta terça-feira no “Público”.

O economista defende uma solução macroeconómica para a Europa e não um constante remendar das “crises individuais”, porque a escala real do problema não é essa. Como consequência de sucessivas curas falhadas, “o apoio social do projeto [europeu] tem vindo a esvair-se e com ele a confiança no mainstream político que o suporta”, admite.

Para Vítor Bento, os problemas que é preciso atacar são: “insuficiência de procura na zona”; o legado financeiro dos países, que “constitui um colete de forças sobre a economia e um risco de incontrolável derrocada financeira”; as reformas estruturais necessárias para flexibilizar as economias e garantir o seu crescimento sustentado; a sustentabilidade duradoura das finanças públicas; e mecanismos institucionais que, face à ausência da via cambial, assegurem a compatibilização de preferências sociais desalinhadas entre si.

“Não é improvável que um plano destes requeira uma maior integração política, pois dificilmente haverá disponibilidade para partilhar custos sem partilha dos processos decisórios. Mas será preferível enfrentar esse desafio politicamente (…) a deixá-lo prosseguir sub-repticiamente pela via administrativa em que tem vindo a ocorrer”, escreve.

Vítor Bento assume ainda que o Brexit terá sérias consequência para o Reino Unido, “entre as quais a sua possível desintegração”. Mas as ondas de choque não se vão ficar só pelas ilhas britânicas. “Enfraquece o campo doutrinário demo-liberal, credibiliza a reversibilidade do projeto integrador e ameaça a integridade da zona euro”, escreve.