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Sara foi 11 vezes à urgência e 11 vezes foi mal diagnosticada, até morrer

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Passados três anos da morte da jovem de 19 anos, cuja autópsia revelou um tumor no cérebro, o inquérito do Ministério Público não deu origem a nenhuma acusação nem foi arquivado. Os pais de Sara vão agora avançar com uma ação cível para pedir uma indeminização ao Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa

Sara, 19 anos, vomitava, tinha perdas de consciência e não conseguia controlar o fluxo urinário. Entre 2010 e 2013, deu entrada 11 vezes no serviço de Urgência do Hospital Padre Américo, em Penafiel. O diagnóstico feito pelos médicos foi sempre o mesmo: crise de ansiedade. Dois dias após a sua última entrada no hospital, a 8 de janeiro de 2013, Sara morreu. A autópsia veio revelar um tumor de 1,670 quilogramas na cabeça.

Passados três anos, o inquérito do Ministério Público não saiu de sítio: nem resultou numa acusação, nem levou ao arquivamento do caso. Os pais de Sara, uma jovem de Recarei, em Paredes, vão avançar agora com uma ação cível para pedir uma indeminização ao Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS), da qual faz parte o Hospital Padre Américo, conta o “Jornal de Notícias” esta terça-feira.

“Não perdoamos os médicos. Perdemos uma filha que, se fosse tratada, ainda poderia estar connosco”, disseram Mário Moreira e Maria de Fátima Silva, os pais de Sara, ao “JN”.

Apesar dos vómitos constantes e de ter chegado a desmaiar durante uma consulta, os médicos nunca submeteram Sara a uma tomografia axial computorizada (TAC) ou ressonância magnética, queixam-se os pais. “Numa das vezes, a minha filha chegou a desmaiar quando estava a ser observada pelo médico”, garante a mãe. Mesmo assim, o diagnóstico e a medicação mantiveram-se.

Ainda que a mãe insistisse, tudo continuou na mesma. “Cheguei a pedir aos médicos para lhe fazerem exames. Mas diziam-me que só andava nervosa por causa dos estudos.” De 11 e 14 de junho de 2012, Sara deu entrada por três vezes na urgência. Nada se alterou, até Sara morrer a 8 de janeiro do ano seguinte.

Contactados pelo “JN”, os responsáveis do CHTS responderam que os “factos ocorreram num período anterior à tomada de posse do atual conselho de administração”. Logo a seguir, Carlos Alberto Vaz, presidente do CHTS, respondeu também que o hospital não se pode pronunciar sobre as questões colocadas, devido ao inquérito ainda a decorrer.