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Há 200 mil portugueses em lista de espera para cirurgia no SNS

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SNS. Serviços têm resistido à crise, mas há muitas lacunas

Tiago Miranda

Em maio, o ministério da Saúde criou um programa de incentivos à atividade cirúrgica dentro do SNS, em que está prevista a possibilidade de os doentes serem transferidos para outro hospital público ao fim de três meses na lista de inscritos. Unidades públicas vão ter de absorver os 20 mil doentes que eram operados por ano no privado

Adalberto Campos Fernandes, ministro da Saúde, anunciou quarta-feira na comissão de Saúde que, a partir de 1 de janeiro de 2017, “os hospitais públicos ficarão inibidos de emitir cheques para o sector convencionado [privado], a não ser que se faça prova do interesse do doente crítico em termos de não haver resposta pública adequada”. Desta forma, o Governo pretende controlar os gastos e otimizar os recursos do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Mas há um problema à vista. Existem, neste momento, 200.911 utentes em lista de espera para cirurgia no SNS, conta esta quinta-feira o “Diário de Notícias” (DN).

Para a Associação dos Administradores hospitalares, esta nova estrutura é uma boa ideia mas, para esta ter sucesso, as unidades precisam de mais autonomia financeira e de liberdade para contratar, de forma a usar toda a capacidade instalada. No ano passado, foram operados 20 mil doentes com o vale-cirurgia. E é este número que o SNS vai ter de absorver.

Em maio, o ministério da Saúde criou um programa de incentivos à atividade cirúrgica dentro do SNS, em que está prevista a possibilidade de os doentes serem transferidos para outro hospital público ao fim de três meses na lista de inscritos, lembra o “DN”. Quem ficará responsável por pagar à unidade do SNS que faz a operação será o hospital onde o doente estava inscrito.

“Se o Ministério está convencido e assegura que os tempos de espera se mantêm reduzidos sem recorrer aos convencionados, a associação não tem nada a opor. O mais relevante é conseguir o acesso à cirurgia em tempo útil”, disse Alexandre Lourenço, presidente da Associação de Administradores Hospitalares, ao “DN”.

Por sua vez, José Manuel Silva, bastonário dos Médicos, também considerou a ideia positiva. “O SNS deve internalizar os seus recursos e investir em si mesmo. Há mecanismos para aumentar os recursos disponíveis como repor as horas extra e pagar a cirurgia adicional ao SNS, o que pode contribuir para fixar profissionais”, disse ao matutino.