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Ferreira do Amaral: “Há países que não estão bem na zona euro, nem poderiam estar, e deviam sair”

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João Ferreira do Amaral

Rui Ochôa

As eventuais sanções da Comissão Europeia a Portugal são um exemplo “claríssimo de todo o absurdo que está a ser neste momento a União Europeia”, diz o economista João Ferreira do Amaral, em entrevista ao “Jornal de Negócios”

“É preciso resolver o problema da zona euro. Há países que não estão bem na zona euro, nem poderiam estar, e deviam sair. É o caso de Portugal, Grécia, Chipre e mais alguns”, diz o economista João Ferreira do Amaral, eurocético assumido, no dia em que se realiza o referendo para se saber se o Reino Unido continua na União Europeia.

Em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta quinta-feira, o destacado professor de economia do ISEG defende que “há muita coisa a fazer para repor as condições mínimas de autogoverno para cada Estado.”

Ferreira do Amaral assume que votaria de forma diferente se fosse inglês, escocês ou português. “Há um centralismo muito grande e como o Reino Unido não tem grande coisa a receber da União está sujeito a uma redução drástica dos seus poderes de decisão e, portanto, não faz sentido.” Frente à possibilidade de o Reino Unido sair da União Europeia, diz que o principal problema seria oferecer a hegemonia à Alemanha.

“Se eu fosse inglês votaria pela saída. (..) Mas se fosse escocês provavelmente votaria pela manutenção. Dependerá muito do tipo de situação em que o eleitor está. Agora, enquanto português não tenho dúvidas. O Reino Unido ainda é a força que pode, na medida do possível, impedir uma hegemonia da Alemanha contrariando as tendências centralistas que são tremendas hoje na União”, afirma.

E irá Portugal sofrer consequências económicas do Brexit? Não. “Infelizmente, é muito mais importante o que se passa em Angola, do ponto de vista negativo, do que um Brexit. Não creio que de repente o Reino Unido deixasse de importar coisas de Portugal”, explica.

Mas para os emigrantes portugueses podem surgir muitas dificuldades, admite, caso o Brexit se confirme. Muitos poderiam ter de regressar. “Portugal teria que negociar, durante o período que foi fixado no Tratado de Lisboa, de dois anos, com o governo inglês a situação dos nossos emigrantes”, sugere.

Quanto às possíveis sanções da Comissão Europeia a Portugal considera que é um “claríssimo de todo o absurdo que está a ser neste momento a UE.” “As sanções não fazem sentido à partida e para além disso o nível de desequilíbrio é relativamente pequeno”, diz ao “Negócios”.