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Caldeira Cabral: “A banca não está com a mesma capacidade de concessão de crédito às empresas que gostaríamos que estivesse”

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Atrasos de pagamentos do QREN deveram-se a despesas de 2012 e 2013, que ainda não tinham sido saldadas. Em entrevista ao “Jornal de Negócios”, o ministro da Economia revela ainda que “há 25 novas rotas aéreas que estão a ser abertas e negociadas” e diz que está "a trabalhar na revisão das rendas da energia"

O sector financeiro está estabilizado, mas os bancos não estão “com a mesma capacidade de concessão de crédito, de trabalhar com as empresas que gostaríamos que estivesse”, admite Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta segunda-feira.

O ministro apelidado de “tímido” por António Costa diz não ter qualquer problema em receber esse cognome. Pelo menos, no que toca ao seu trabalho. “Não tenho nenhum problema em trabalhar de forma discreta. A minha personalidade não é tímida. E claramente que as políticas que estamos a desenvolver são reconhecidas por toda a gente como políticas bastante ousadas e bastante ambiciosas, não são nada tímidas, de todo”, diz.

Durante a entrevista, Caldeira Cabral mostra-se orgulhoso que Portugal tenha ido buscar, desde que o Governo chegou ao poder, cerca de 212 milhões de euros em fundos ao programa Portugal 2020. “Tal como nos 100 dias ultrapassámos os 100 milhões e alcançámos 116 milhões. Agora já se ultrapassou os 212 milhões de euros de pagamentos às empresas. De facto, aconteceu uma aceleração de fundos comunitários e essa aceleração teve um efeito muito interessante que foi dar confiança às empresas para concorrerem”, disse ao “Negócios”.

O ministro da Economia garante ainda que está atento às rendas do sector energético e que está a trabalhar com as empresas para rever os contratos. "Estamos muito atentos e a trabalhar na revisão de todos esses contratos (de energia). Alguns expiram mais cedo, outros mais tarde. E estamos numa negociação, num trabalho construtivo, com várias empresas do sector, identificando-se custos que são injustificados, no sentido que o interesse público e o dos consumidores prevaleça", afirmou Caldeira Cabral. Sobre as críticas do presidente da EDP António Mexia, à tarifa social, o ministro da Economia diz que percebe a sua posição, mas que está aberto a rever os contratos.

Quanto aos atrasos de pagamentos do QREN, o ministro da Economia diz que estes se deveram a problemas deixados pelo governo de Pedro Passos Coelho. “Estivemos a pagar em março, abril, maio e junho, processos que muitas vezes se referiam a despesas de 2012, 2013, mas muitas com mais de um ou dois anos de atraso. E isso complicou o encerramento do QREN”, explicou.

Outros dos temas abordados na entrevista foram o mercado turístico e a TAP. Portugal virou sinónimo de turismo, mas ficar dependente desse mercado pode ser um erro, defendeu Caldeira Cabral. Mas, de qualquer forma, Portugal vai continuar a apostar nesse mercado. “Há 25 novas rotas aéreas que estão a ser abertas e negociadas. A China é uma das rotas e é muito importante”, assume.