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Onze condenados a prisão perpétua por massacre de muçulmanos no estado indiano de Gujarat

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SAM PANTHAKY

Mulher de famoso político que esteve entre as mais de mil vítimas dos motins xenófobos de 2002 diz que “não foi feita justiça”

Um tribunal indiano condenou esta sexta-feira onze pessoas a prisão perpétua pelo seu envolvimento no massacre de muçulmanos durante os motins de 2002 no estado de Gujarat, no oeste da Índia. Dos 24 condenados pelo que o tribunal especial de Ahmedabad considerou ser “o dia mais negro da história da sociedade civil [indiana]”, outros 12 foram condenados a sete anos de prisão e um outro homem a dez anos.

Durante o famigerado ataque, na sequência de um incêndio num comboio que vitimou 60 peregrinos hindus, mais de mil pessoas, na sua maioria muçulmanos, foram mortas por uma multidão em fúria, 69 das quais espancadas até à morte ou queimadas vivas, sem que as autoridades locais fizessem o que quer que fosse para travar a violência.

O atual primeiro-ministro da Índia Narendra Modi, que à data era governador de Gujarat, é acusado por muitos de ter sido o derradeiro responsável pelo sucedido, ao levar a cabo políticas de discriminação e incitamento ao ódio contra muçulmanos. Antes de vencer as eleições legislativas de 2014, muitos críticos já exigiam que Modi fosse responsabilizado e julgado pelos acontecimentos.

Reagindo às sentenças lidas esta manhã, Zakia Jafri, mulher de Ehsan Jafri, um proeminente político muçulmano e ex-deputado do Congresso que foi morto no massacre de Gujarat, lamentou as penas reduzidas. “Eu estava lá quando Ehsan Jafri foi morto, não foi feita justiça nenhuma”, disse aos jornalistas à saída do tribunal. Sobreviventes do massacre dizem que Jafri disparou uma arma de fogo em autodefesa enquanto era atacado pela multidão no complexo de Gulbarg; segundo a sua mulher, o político gritou pela ajuda de Modi, que nunca chegou.