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John McCain acusa Obama de ser “diretamente responsável” pelo massacre em Orlando

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Portugal é o país europeu onde a taxa de preferência por John McCain é mais elevada

Brian Snyder/Reuters

Senador republicano, que foi o candidato do partido às presidenciais de 2008 e que já deu o seu apoio formal a Donald Trump para as eleições deste ano, voltou atrás horas depois, dizendo que “não se expressou bem” e que “não queria responsabilizar pessoalmente” o Presidente

O homem que Barack Obama destronou nas eleições presidenciais de 2008 acusou o Presidente de ser “diretamente responsável” pelo massacre numa discoteca gay em Orlando, na Florida, no passado sábado, no qual o cidadão norte-americano Omar Mateen matou 49 pessoas a tiro e feriu outras 53, naquele que foi o pior tiroteio em massa na história dos EUA.

“Barack Obama é diretamente responsável pelo ataque [à discoteca Pulse], porque quando ele retirou toda a gente [tropas] do Iraque, a Al-Qaeda foi para a Síria, transformou-se no ISIS [o autoproclamado Estado Islâmico, Daesh] e o ISIS é o que hoje sabemos graças aos falhanços de Barack Obama”, disse John McCain aos jornalistas.

As declarações fazem referência ao facto de Mateen ter jurado fidelidade a grupos jiadistas rivais e com ideologias contraditórias entre si, como o Daesh, a Al-Qaeda e o Hezbollah, durante uma das chamadas que fez para o 911 durante as três horas em que esteve barricado dentro da discoteca Pulse, antes de ter sido abatido pela polícia. Apesar de o homem de 29 anos, filho de imigrantes afegãos, se ter aparentemente inspirado nas ações e ideologia das organizações extremistas, as autoridades norte-americanas mantêm que não existem provas a ligá-lo a qualquer um desses grupos.

Horas depois de ter apontado o dedo a Obama, o senador republicano voltou atrás, emitindo um comunicado na madrugada desta sexta em Portugal a explicar que não se expressou bem. “Eu não queria sugerir que o Presidente foi pessoalmente responsável, estava a referir-me às decisões de segurança nacional do Presidente Obama e não ao Presidente em si”, garantiu o antigo candidato presidencial. “Tal como já disse, a decisão do Presidente Obama de retirar todas as tropas dos EUA do Iraque em 2011 levou à ascensão [do Daesh]. Eu e outros há muito que avisamos que o falhanço político do Presidente em negar um porto seguro [ao Daesh] iria permitir que a organização terrorista se inspirasse, planeasse, dirigisse e conduzisse ataques contra os Estados Unidos e a Europa como já fez em Paris, Bruxelas, San Bernardino e agora em Orlando.”

Mesmo com o passo atrás, McCain está a ser acusado por muitos de aproveitamento político ao alinhar com o provável candidato do seu partido às presidenciais de 8 de novembro. No rescaldo do massacre de sábado, Donald Trump deu a entender que Obama terá estado envolvido nesse ataque. “Somos liderados por um homem que ou não é forte o suficiente, ou não é esperto o suficiente ou então tem outra coisa totalmente diferente em mente", disse em entrevista à Fox News. E outra coisa totalmente diferente em mente… as pessoas não conseguem acreditar. As pessoas não conseguem acreditar que o Presidente Obama age da maneira que age e que não consegue sequer mencionar as palavras ‘terrorismo radical islâmico’. Alguma coisa se passa, isto é inconcebível.”

Obama respondeu diretamente a essa acusação, tecendo as mais duras críticas até agora ao populista pela sua retórica “divisiva e de ódio” e questionando o objetivo de usar a expressão “terrorismo radical islâmico”, sobretudo em referência a um ataque de um lobo solitário que parece ter agido, mais que tudo, sobre a sua homofobia. “O que é que usar essa classificação [terrorismo radical islâmico] nos traz? O que é que mudaria? Faria com que os terroristas ficassem menos comprometidos com a matança de americanos? Trar-nos-ia mais aliados? Existe alguma estratégia militar que isso sirva? A resposta é não a todas as perguntas.”

Atualmente em campanha para ser reeleito senador pelo Arizona, estado que representa na câmara alta do Congresso desde 1987, McCain recentemente anunciou o seu apoio formal a Trump como candidato do Partido Republicano às presidenciais de 8 de novembro. Depois de, ao longo das primárias, ter criticado o magnata do imobiliário pelo seu populismo, acusando-o de “incendiar os loucos”, agora que Trump afastou os rivais da corrida e que venceu no estado de McCain, o senador alterou completamente a sua postura.