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Crédito malparado. Bancos perdem 17 mil milhões em cinco anos

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Nuno Fox

O BES/Novo Banco inscreveu nas contas entre 2011 e 2015 imparidades de 9500 milhões, dos quais 5700 milhões de créditos de difícil cobrança. É o recordista do sistema.

Entre 2011 e 2015, BCP, Caixa Geral de Depósitos (CGD), BPI e o BES/Novo Banco contabilizaram 25.500 milhões de euros em imparidades. Deste montante, 16.700 milhões dizem respeito a empréstimos não liquidados, conta o “Público” esta sexta-feira.

Apesar de ser o o maior banco do sistema e deter a maior quota no crédito, a CGD não foi o banco que registou mais imparidades - 6.000 milhões de euros, dos quais 4.200 milhões relativos a empréstimos.

BES/Novo Banco recordista

No período analisado, o BES/Novo Banco registou nas contas imparidades de 9500 milhões, 5700 milhões relativos a créditos de difícil cobrança. Por sua vez, o BCP contabilizou perdas de 7800 milhões de euros, dos quais 5800 milhões por empréstimos de cobrança duvidosa. Já o BPI identificou um total de 2200 milhões de imparidades, dos quais mil milhões por financiamentos que admite que não sejam devolvidos.

No início desta semana, o “Correio da Manhã” noticiou que a CGD tem mais de 2300 milhões de euros de empréstimos que estão em risco de não serem pagos. A conclusão decorria de uma auditoria realizada em 2015 e fez com que o Ministério Público avançasse com um inquérito.

Grande parte destes empréstimos foram feitos a amigos dos gestores do banco do Estado. Os mais problemáticos datam de 2005, quando Carlos Santos Ferreira e Armando Vara estavam na administração da CGD.

Devedores da CGD

Neste momento, o maior devedor da CGD é o grupo Artlant, que tencionava construir em Sines um dos maiores projetos industriais de Portugal: em 2015, o grupo viu aprovado um Plano Especial de Revitalização (PER) quando já acumulava prejuízos de 689 milhões,. O grupo Arlant fora apanhado pela falência de um dos seus principais acionistas, a catalã La Seda.

Existe ainda a exposição da Caixa em 303 milhões de euros ao grupo Efacec, beneficiando os seus dois maiores acionistas – Grupo Mello e Têxtil Manuel Gonçalves –, que acabaram por vender a empresa à angolana Isabel dos Santos.