A América Latina vai sofrer este ano a primeira recessão em 25 anos, de 3,6%, mas a retoma na região deverá ser mais rápida do que os países desenvolvidos, de acordo com a OCDE, num relatório hoje apresentado na Cimeira Ibero-americana.
"Já é visível que a América Latina está a recuperar do choque mais rapidamente do que a maioria das economias desenvolvidas, afirma o relatório Perspectivas Económicas da América Latina, hoje divulgado pelo Centro de Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
"Mais importante, está conseguindo isso sem comprometer o seu significativo progresso rumo às suas metas de desenvolvimento de longo prazo", prossegue.
Para 2010, a organização prevê um crescimento de 1,6% na região, variação que invalida a visão de uma "descolagem" da América Latina, mas que é "encorajadora em termos de longo-prazo", adianta o documento, apresentado hoje no Estoril, onde decorre a XIX Cimeira Ibero-americana.
Perspectivas positivas para 2010
"Imediatamente após a primeira contracção inequívoca do PIB em 25 anos, com queda considerável do comércio e do investimento externos e um surto de desemprego, as perspectivas económicas da região para 2010 já são substancialmente positivas", afirma o relatório.
A maioria dos países latino-americanos deverá sofrer este ano uma contracção de apenas 1% a 2%, e alguns terão mesmo um crescimento positivo (Peru, Panamá e Uruguai).
No caso do Brasil, as mais recentes previsões da OCDE apontam para uma variação nula do PIB este ano e para 4,8% em 2010.
"A duração da recessão global será apenas um factor a determinar as futuras taxas de crescimento e (...) a sua capacidade de estimular sua economia através de esforços via políticas sustentáveis", adianta o documento.
Entre 2004 e 2008, os países da região tiveram taxas de crescimento médio superiores a cinco por cento ao ano.
Mais estímulos fiscais e monetários
A forma como o bloco sul-americano enfrenta a crise económica actual contrasta com o ocorrido nos anos 1980, quando respostas erradas a nível fiscal causaram "aumentos insustentáveis do serviço da dívida, inflação e perda generalizada da credibilidade institucional".
"A elaboração de políticas confiáveis e responsáveis na América Latina, desde os anos 1990, criou substancialmente mais espaço para efectivos estímulos fiscais e monetários", sustenta.
Outra lição da crise, adianta a OCDE, é que os países que abriram seus mercados à concorrência internacional durante a última década "não demonstraram ser os mais vulneráveis à retracção económica global".
"Este é um feito extraordinário e um daqueles aspectos que contrastam acentuadamente com a experiência desses países em crises internacionais anteriores", adianta.
O relatório deste ano aborda ainda os investimentos e padrões recentes de migração nos países do continente e sugere políticas para "maximizar a contribuição que a migração e as remessas podem dar para melhorar o bem-estar de tantos latino-americanos".
"Com mais de 20 milhões de latino-americanos vivendo fora do seu país natal - quase 5 por cento do total da população da região -, o efeito da crise global "será dos maiores para as economias latino-americanas", afirma o secretário-geral da OCDE, Angel urria, na abertura do relatório.