Os Republicanos viram-se obrigados ontem à noite a adiar a votação, prevista para hoje na Câmara de Representantes, da sua proposta de cortes na despesa federal (mais pequenos do que as fações radicais do Tea Party exigem) e de aumento do teto de envidamento federal em "duas fases" (arrastando um segundo aumento para o decurso do ano eleitoral de 2012).
A noticia foi divulgada pelo "The New York Times" que, entretanto, também alvitrou que os congressistas americanos disporão de mais dias, para além de 2 de agosto, para negociar as propostas em confronto, como o Expresso já referiu.
A nova linha vermelha parece ser 10 de agosto.
Default voluntário auto-imposto
Entretanto os meios financeiros começam a perder a paciência com o que alguns analistas já chamam ironicamente de "default voluntário" auto-imposto pelos políticos de Washington.
Com o risco de uma baixa da notação da dívida norte-americana e de um efeito sistémico global, o Chicago Mercantile Exchange, do grupo que gere a praça de derivados, decidiu aumentar os custos para quem pede emprestado tornando os títulos do Tesouro norte-americanos mais caros no uso como colaterais, como o Expresso já noticiou.
Entretanto a Moody's (a agência de notação de risco de Warren Buffett) avisou os seus clientes que a situação política em Washington ameaça o pagamento de juros ou de amoritizações por "um período curto de tempo" de títulos do Tesouro que vençam em agosto, o que se tem designado por "default temporário". A agência de notação de risco avisa, ainda, que se vão agravar as condições de crédito para os fundos que estejam expostos à dívida soberana dos Estados Unidos.