26/05/2012 atualizado às 20:05

Reportagem: O que rende palmas é criticar o Governo PS

Os candidatos no terreno. Expresso acompanhou iniciativas de campanha dos três homens que disputam a liderança do partido.Clique para visitar o dossiê Congresso do PSD

Ricardo Jorge Pinto (www.expresso.pt)
11:00 Sábado, 13 de março de 2010
Reportagem: O que rende palmas é criticar o Governo PS

Pedro Passos Coelho já parece andar em campanha para as eleições legislativas. Na quarta-feira passada foi visitar um bairro clandestino na Trafaria, em Almada, para "estar atento aos problemas do país". O candidato à presidência do PSD sabia que não encontraria ali muitos eleitores para as eleições directas.

Clique para aceder ao índice do Congresso do PSD

"Queremos falar apenas aos militantes, mas sobretudo aos portugueses", explicou Nuno Matias, director de campanha de Pedro Passos. Mas os seus adversários internos também não escapam à tentação de extravasar as fronteiras do debate interno do partido. "Portugal precisa de um Governo com coragem e de um primeiro-ministro com bom senso", dizia José Pedro Aguiar Branco à saída de um almoço-debate na Associação Comercial de Lisboa. Na sala também não estariam muitos eleitores para as directas e a intervenção do candidato centrou-se na situação económica do País.

De resto, Aguiar Branco procura explorar o conhecimento que o lugar de líder da bancada parlamentar lhe dá sobre alguns dos dossiés políticos mais quentes. Da mesma forma que Paulo Rangel não perde uma ocasião para falar da importância estratégica que o seu lugar de deputado europeu tem na percepção dos problemas do País e a encontrar soluções para as dificuldades (como, por exemplo, quando disse saber que a União Europeia permite que se desvie o dinheiro do TGV para outros fins). Nesta área, os três principais candidatos parecem medir forças constantemente, puxando dos galões do seu posicionamento actual.

Com os analistas a considerarem fraco o desempenho de Paulo Rangel nos debates televisivos, este candidato tornou-se mais assertivo. Por vezes, parece mesmo mais agressivo no seu discurso. Foi assim na reunião da Assembleia Distrital do PSD-Porto, onde foi o mais aguerrido orador. Nesse encontro, a diferença de postura dos candidatos foi bem visível, com Aguiar Branco a ser o mais sóbrio e Pedro Passos o mais eloquente.

Nas sessões de esclarecimento, a reacção dos militantes é sempre simpática e receptiva, a todos. Afinal, trata-se de uma contenda eleitoral dentro de casa e todos os candidatos estão do mesmo lado da barricada contra o Governo. Aliás, os maiores aplausos nas salas acontecem sempre que um candidato se insurge contra a debilidade da situação do actual primeiro-ministro, ou fala do clima de suspeição que se instalou sobre o executivo de Sócrates. E os militantes parecem animar-se sempre que um candidato coloca o cenário de eleições antecipadas e de uma alternância de poder que daí advenha. Foi assim, por exemplo, na reunião do Porto, quando Aguiar Branco afirmou peremptoriamente: "Tenho a certeza de que o próximo líder do PSD será o próximo primeiro-ministro de Portugal".

Rangel insiste na ideia de ruptura e diz que o partido apenas poderá merecer o poder se mostrar que pode cortar com a situação instalada. Mas este não é um conceito nada pacífico para os seus adversários internos. Pedro Passos e Aguiar Branco sorriem quando o ouvem falar em ruptura e perguntam-se com o que é que ele irá romper. Num dos debates, Rangel foi mesmo acusado de estar a recuperar ideias do socialista António Guterres, na sua proposta de descentralização do poder. O tema da regionalização, de resto, tem servido para aquecer o confronto entre os candidatos, revelando aquilo que os separa e também a forma cautelosa como se procuram posicionar não apenas perante os militantes, mas também perante os futuros eleitores das legislativas.

Com o congresso a aproximar-se, os candidatos também parecem suavizar as críticas directas aos adversários. Em Viana do Castelo, Pedro Passos inaugurou a sua sede de campanha mesmo em frente a um gabinete do escritório de advogados de Aguiar Branco. Mas nem uma palavra dedicou aos outros candidatos, preferindo centrar a sua intervenção em José Sócrates, o primeiro-ministro que "em vez de governar, chora, fazendo-se de vítima". Também Rangel e Aguiar Branco optaram por focar os ataques no PS, preparando-se para o momento em que terão de estar juntos no palco do congresso de Mafra, onde, como já perceberam na sua campanha de rua, o que rende palmas é criticar o Governo socialista.

Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
"O que rende palmas é criticar o Governo PS "
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 11:31 | Sábado, 13 de março de 2010
Começa de forma original!
Nunca, jamais em tempo algum no PSD se disse mal do PS e quando alguma vez alguém o pensou, nunca o levou por diante por isso apenas render vaias e indiferença.

Será que alguém acha que assim lá chega?
E se por caso os militantes acharem que sim, isso de alguma forma convence o resto do país???
 
 Regras da comunidade
Eles estão cheios disto, depois tau e depois pimba
Mordaquikesaileite (seguir utilizador), 2 pontos , 11:50 | Sábado, 13 de março de 2010
Qualquer um deles que fôr eleito

com a politica igual ao PSD o PS consegue

que o PSD nunca mais seja uma nova alternância de poder. É a continuação do saque do Estado e a fazer pagar a crise aos trabalhadores, deixando de fora, os especuladores da Bolsa, os grupos financeiros e grandes grupos económicos que se apropriaram das riquezas do país em proveito próprio e que agora não investem em actividades reprodutivas.
 
 Regras da comunidade
Dúvido que esse dia chegue!
Runaldinho (seguir utilizador), 1 ponto , 11:47 | Sábado, 13 de março de 2010
A prova máxima deste vazio de ideias em que se tornou este PSD, é a redução do número de dias do Congresso para um único dia. Pouco ou nada há para discutir, a não ser a eleição da próxima vítima!
Afastado do poder há largos anos, essa árvore das patacas que gera influências atrás de influências, numa verdadeira espiral de benesses e mais valias, os Sociais Democratas vêm-se confrontados com as migalhas sobrantes de Sistema. Andam famintos!
Mas a sua cobiça é voraz, porque podendo partilhar esse mesmo poder numa situação de excepcional equilíbrio de forças, com Governo minoritário que mendiga por um parceiro credível, ajudando-o a sustentar um a política de austeridade que por alguns anos vai ser servida como menú aos Portugueses, os Sociais Democratas convencidos que a hecatombe virá mais cedo do que 2013, esperam ansiosamente pelo “Day After”!
Com esta forma de fazer política, dúvido que esse dia chegue!
 
 Regras da comunidade
Manuela perdeu as Legislaticas
hokalos (seguir utilizador), 1 ponto , 15:06 | Sábado, 13 de março de 2010
O que rende mais é ganhar eleições.
O PSD, por meio de Rangel, “ganhou” as Europeias. Manuela F. Leite (a pior ministra da educação jamais existente em Portugal) perdeu as Legislativas: rendeu pouco; dado que foi com o pior resultado de sempre do PSD, para ela rendeu nada. Com este palmarés não pode reivindicar nada: só pode repetir o discurso perdido da “ausência” da democracia por pelo menos seis meses; só pode dar a entender que provavelmente foi informada, por um dos intervenintes judiciais num processo que aí ainda anda, das escutas telefónicas e da dedução que dois magistrados fabricaram quanto ao sempre inexistente “plano”; só pode reivindicar que deve ter sido o presidente do PSD que mais gaffes cometeu; só pode dizer que perdeu, e perdeu perante o clima geral de desconfiança que abraçou o país contra José Sócrates.
De Passos esperamos que passe.
De Branco esperamos a serenidade que dignidade lhe confere.
De Rangel só podemos esperar berros e ranger.
 
 Regras da comunidade
Página 1 de 1   
PUB
 
Email
O Expresso no
PUB




PS leva a plenário debate sobre sanções disciplinares no PSD
22:12 Segunda feira, 15 de março de 2010, 10
Passos Coelho quer nova votação da "lei da rolha"
21:59 Segunda feira, 15 de março de 2010, 50
O gulag laranja
17:11 Segunda feira, 15 de março de 2010, 2
Passos vs Rangel: ainda não acabou
11:51 Segunda feira, 15 de março de 2010, 49
Do Congresso
9:38 Segunda feira, 15 de março de 2010, 4
O liberalismo meia de leite do consenso do Espírito Santo
9:00 Segunda feira, 15 de março de 2010, 24
Não há liberdade absoluta com militância partidária
22:12 Domingo, 14 de março de 2010, 10
PS acusa PSD de aprovar norma "estalinista"
19:29 Domingo, 14 de março de 2010, 18
Ferreira Leite concorda com "lei da rolha"
17:13 Domingo, 14 de março de 2010, 15
Leia aqui toda a informação das últimas 24 horas | últimos 2 dias |  anterior »
MBA
IAB