19 de maio de 2013 às 21:25
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Rendas: Governo cria balcão para agilizar processos

Mecanismo extrajudicial não estava acordado com a troika mas foi anunciado por Assunção Cristas, depois do Conselho de Ministros aprovar a revisão do regime jurídico do arrendamento urbano.
Lusa

O Governo vai criar um balcão nacional de arrendamento para agilizar processos de incumprimento dos contratos, nomeadamente por falta de pagamento durante três meses, mas, ao contrário do memorando de entendimento com a troika, fica salvaguardada uma eventual decisão judicial.

A criação do mecanismo extrajudicial foi hoje divulgada pela ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas, após o Conselho de Ministros que aprovou uma proposta de lei que revê o regime jurídico do arrendamento urbano.

Em conferência de imprensa, a governante referiu que um senhorio poderá dirigir-se ao balcão para reaver a casa por o contrato cessar ou por incumprimento. Esse balcão notifica o inquilino e em caso de litígio "está salvaguardada a decisão a ser tomada por um juiz", conforme a Constituição Portuguesa.

Desocupações em três meses, promete a ministra


Mesmo em tribunal, admitiu a ministra, o processo será "muito célere e expedito", estimando-se que em três meses haja desocupação do imóvel.

No caso das rendas anteriores a 1990 há impossibilidade de despejo para pessoas com mais de 65 anos, deficientes com grau de incapacidade superior a 60% e pessoas com carências económicas comprovadas durante cinco anos.

Os agregados familiares com um rendimento até 500 euros mensais não terão atualizações superiores a 10% da sua taxa de esforço. Para pessoas com carência económica comprovada pelas Finanças, com rendimento entre 2000 a 2500 euros, a atualização só envolve uma atualização até 25% da taxa de esforço.

Para inquilinos idosos ou com o grau de incapacidade superior a 60% podem ser aplicadas estas regras em caso de dificuldades financeiras.
Assunção Cristas referiu haver cinco anos para que o Estado/Segurança Social encontre os "mecanismos e respostas" para que ao final desse regime transitório existam respostas sociais.

Negociação com regras


Fora das exceções, o senhorio pode em qualquer altura, depois da publicação da lei, iniciar o processo de atualização das rendas antigas.

Num processo de negociação, o senhorio avança com um valor, ao qual se pode seguir uma contraproposta do inquilino. O valor médio indicado pelas duas partes servirá de base ao pagamento da renda ou de uma indemnização. Se houver desacordo e despejo o senhorio pagará uma indemnização no valor da referida multiplicada por 60.

O tempo de saída do inquilino pode variar entre seis meses e um ano. O período mais longo de saída diz respeito a estudantes até 26 anos.

As rendas comerciais, anteriores a 1995, terão as mesmas regras dos contratos habitacionais celebrados até 1990, excetuando as microentidades, acrescentou a ministra. A definição de microentidade inclui o valor de negócio anual e o número de funcionários.

Contratos sem limite mínimo


Os contratos de arrendamento deixam de ter cinco anos de limite mínimo, podendo agora as partes acordar o tempo que quiserem. Se não existir indicação de prazo é assumido que o contrato dura dois anos e será renovado automaticamente.

Em preparação estão os aspetos fiscais relacionados com o arrendamento urbano.

Os últimos números do Censos revelam existir 33% (mais de 255 mil) de contratos celebrados antes de 1990. Desse número 60% dos contratos dizem respeito a idosos.
Acerca das carências económicas, o universo será encontrado com a prova feita pelos agregados familiares conforme as regras definidas.

Comentários 15 Comentar
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Rendas:Os governos estragaram, este não compõe bem
Lá está o Governo a meter a mão onde os privados deviam ser os verdadeiros gestores.

Temos as cidades em ruínas porque os Governos armaram-se em 'Pais-Natal' dos inquilinos, prejudicando os senhorios.

Os políticos empurraram os problemas das ruínas de prédios com a barriga.
Nenhum governo teve a coragem de enfrentar o problema.

O Governo de Sócrates começou, mas com medo de perder eleições, recuou nas medidas inicialmente preconizadas.

O actual Governo pressionado pela Troika, está agora a apresentar soluções, que na minha opinião ainda prejudicam, quem foi sempre prejudicado: o Senhorio!

Como se não bastasse, para se armarem em 'bonzinhos' vão criar balcões gabinetes para tratar destes assuntos. BUROCRACIAS!!!

Os governos metem-se onde os privados é que deviam mexer e depois fazem aquilo que está feito: as cidades com prédios em ruínas.

Regular de forma simples, e deixar a oferta e a procura 'trabalharem'.

Re: Rendas:Os governos estragaram, este não compõe Ver comentário
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Rendas governo cria balcão para agilizar processos
Ainda há muita coisa a esclarecer. Já aqui me referi diversas vezes a este assunto. Há inquilinos com um poder de compra maior que os Senhorios. Possuem outras casas e não fazem mais do que explorar os Senhorios. Aposto que muitas casas dessas agora vão vagar. Acho que os três meses não estão mal. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. A minha duvida é em relação ao tempo de despejo depois disso e como se vai processar. O Inquilino vai ser responsabilizado se entregar a casa danificada? Como vai ser obrigado a pagar os estragos. A Lei que tem vigorado, não interessa a Senhorios nem a Inquilinos e acima de tudo prejudicou gravemente o País. Esta foi uma Lei revolucionária, mas que vigorou tempo demais.

Governo
Pois concordo que sejam atualizadas as rendas, o horário de trabalho, que o povo pague o justo preço de tudo, e o ordenado é sempre o mesmo?
Isto é que é democracia?
Re: Governo Ver comentário
Re: Governo Ver comentário
Muito bem!

Depois do sucesso do balcão "Empresa na Hora" só faltava criar o balcão "Despejo na Hora".
Mais uma......
Mais uma lei da "tanga"!
Alguém conhece algum inquilino com uma renda antiga que tenha menos de 65 anos?
Se um inquilino tiver 65 anos não pode ser despejado, portanto porque razão há-de concordar com um aumento de renda?
Se um utente do SNS com mais de 65 anos, para continuar a ter isenção de taxas moderadoras, tem de fazer prova dos seus rendimentos, porque diabo um inquilino com mais de 65 anos não tem igualmente de fazer prova dos rendimentos?
Até quando os sucessivos governos vão continuar a ver os senhorios como um prolongamento da Seg. Social ou da Santa Casa da Misericórdia?
Quem é que tem obrigação de fazer obras em casas completamente degradadas? Quem delas usufruiu uma vida inteira ou os proprietários que depois de pagarem taxas disto, taxas daquilo e IMI's (que o Estado nunca se coibiu de ir aumentando) ficam com uma miséria nas mãos?
Mas há mais!
Vivo numa cidade da província, quando tenho lixo vou despejá-lo ao contentor que tenho na minha rua mas para os inquilinos que tenho em Lisboa tenho de pagar a uma pessoa para pôr à noite o contentor na rua! Se isto não fosse triste, até era ridículo!
Aqui há uns anos, pedi aos meus inquilinos para comparticiparem na despesa da lavagem das escadas e no despejar do lixo, sabem qual foi a resposta? Era o que lhes faltava, isso é responsabilidade do senhorio! E pagam 35€ de renda! É raro o ano em que não gasto um dinheirão a arranjar o telhado, a pintar o prédio ou a desentupir e substituir manilhas e canos! (cont)
Re: Mais uma...... Ver comentário
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