Renato Seabra e um chorrilho de disparates
O entrevistador, um advogado, um psiquiatra e um sociólogo. Isto parece o início de uma anedota mas não, aconteceu mesmo. O tal sociólogo, do qual não consegui apanhar o nome, uma pena, teve um comportamento um tanto ou quanto sui generis. Deixo-lhe por isso algumas notas:
1 - Cantanhede (e isto serve para muita gente) não é "uma aldeia " como lhe chamou, nem sequer vila é. É sim, imagine-se - uma cidade. E esta hein? E mais, não fica no "interior" como também foi dito, fica no baixo Mondego, pertence ao distrito de Coimbra e até tem praias imagine-se! Já ouviu falar na Tocha ou em Mira? Mais Litoral só mesmo de canoa no meio do Atlântico. Convinha, antes de uma pessoa aceitar ir à televisão falar sobre um assunto saber efectivamente alguma coisa sobre ele. O mínimo. Porque de outra forma pode cair-se no erro e tropeçar no disparate. E o espectador achar que o convidado não passa de um imbecil com ideias pré-concebidas cheio de bazófias sociológicas, o que seria grave.
2 - O facto de uma pessoa não ter nascido em Lisboa ou no Porto não faz dela provinciana e destituída de qualquer discernimento ou urbanidade. Como sabe o conceito de urbanidade nasce dentro de cada um. Por isso é que temos pessoas que nascem em Lisboa e "nunca viram o comboio", profundamente ignorantes e labregas e outras que nasceram na "província" e extremamente desenvolvidas a todos os níveis. Há de tudo em todo o lado. Não é uma coisa regional ou do interior ou litoral como alguns querem fazer parecer.
3 - Renato Seabra não é um ignorante. Pelos testemunhos é um rapaz formado, bem-educado e aparentemente calmo. E ao que consta não foi engatado pelo Sr. Carlos Castro no bar da "aldeia" entre duas minis e um pires de tremoços. Ora um senhor que supostamente é sociólogo faz-me confusão que use termos como "gente bacoca, estúpida, imbecil" entre outros epítetos só para classificar um grupo de pessoas que decidiu fazer no Facebook uma página de apoio e solidariedade ao rapaz.
4 - Um sociólogo, que supostamente deveria ser uma pessoa com uma visão alargada e equidistante dos fenómenos sociais e culturais, nas duas primeiras intervenções que fez no programa conseguiu apelidar de "criminoso "e de seguida "homicida" Renato Seabra. Ora nos EUA como cá uma pessoa até ser condenada em julgamento é considerada inocente. O senhor sociólogo parecia, ele sim, uma beata da aldeia histérica a pedir a fogueira para o miúdo.
5- Por fim este senhor ainda teve a distinta lata de ironizar sobre o grupo de pessoas que espontaneamente se reuniram na praça de Cantanhede solidarizando-se com o rapaz e com a família. Resumindo todo o caso a uma qualquer luta católica e homofóbica, do género bem contra o mal. Uma idiotice pegada. Ora eu não sei em que mundo é que o senhor vive mas homossexuais há em todo o lado. Em Lisboa, em Cantanhede e alguns provavelmente estariam naquela mesma praça solidarizando-se com a pessoa que está em dificuldades pela maior estupidez que cometeu. Antes de ser "homicida" como lhe chamou ele é amigo, irmão, filho e conhecido de muita gente e não o deixou de ser porque estragou a própria vida.
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