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Solidariedade Expresso

Remédios ficam por aviar

Obrigado a passar os dias de olhos presos no chão devido a uma doença reumática crónica que lhe encurva o corpo, Ricardo Timpeira não tem dinheiro para comprar os medicamentos necessários para travar o agravamento dos sintomas. Vive com apenas 189 euros por mês, que mal chegam para comer.
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Ricardo Timpeira conta apenas com a ajuda da Associação da Espondilite Anquilosante, que o deixa frequentar, a custo zero, a fisioterapia na piscina e no ginásio

Ricardo Timpeira, 33 anos, não sabe ao certo quantos medicamentos teria de tomar para travar o avanço da espondilite anquilosante, a doença reumática crónica que lhe deforma os ossos, lhe encurva o corpo e o obriga a passar os dias de olhos presos no chão.

Não sabe, porque nunca chegou a aviar todas as receitas passadas pelo médico. "Tomo só os remédios para as dores porque sem esses nem me consigo levantar. Os outros medicamentos são para controlar o avanço da doença, mas o dinheiro não chega para os comprar", conta.

Ricardo vive com €39 por mês. Dos €189 que tem do Rendimento Social de Inserção, €150 são para pagar um quarto alugado, em Linda-a-Velha (Oeiras). "Nem dá para comer. Vale-me a senhoria, que tem pena de mim e me ajuda com algumas refeições."

Sem família, Ricardo não tem outras ajudas. Nunca conheceu o pai e a mãe deixou-o em criança. Foi criado com os avós, que já morreram. A espondilite anquilosante foi-lhe diagnosticada aos 30 anos e desde aí passou a andar de muletas. Sem capacidade para trabalhar.  

Com a falta de medicação, a doença ataca sem tréguas. Apenas três anos depois de ter sido diagnosticada, Ricardo está mais deformado do que muitos doentes com idade para serem seus pais. Já teve de colocar uma prótese na perna esquerda. E está em lista de espera no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, para ser operado também à direita. Só depois disso, dizem-lhe da Segurança Social, pode marcar a junta médica que ditará o seu grau de incapacidade e a consequente pensão de invalidez.

Até lá, conta apenas com a ajuda da Associação Nacional da Espondilite Anquilosante, que o deixa frequentar, a custo zero, a fisioterapia na piscina e no ginásio da instituição. Valem-lhe as boleias para casa e a generosidade de um "sócio benfeitor", que lhe ofereceu a inscrição. Sem isso, estaria confinado ao quarto. Com os olhos postos no chão.


Doentes sem tratamento por falta de transporte

Por todo o país, pessoas com baixos rendimentos estão a faltar a consultas, exames e tratamentos por não conseguirem pagar as deslocações. Governo reconhece que há um problema e vai mudar a lei.

Mesmo estando isentos de taxas moderadores, há doentes que ficam sem tratamento porque nem sequer conseguem chegar à porta do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Estão previstas deslocações gratuitas para quem precisa de assistência e tem baixos rendimentos, mas a lei nem sempre é cumprida.

Obrigados pela troika a cortar cerca de 54 milhões de euros no transporte não urgente de doentes, hospitais e centros de saúde estão a racionar as credenciais. Muitas vezes fica de fora mesmo quem tem direito. O Expresso encontrou vários casos de pessoas que deixaram de se tratar por não conseguirem pagar a deslocação ao médico.

Segundo as regras em vigor, beneficiam de transporte gratuito os utentes com menos de 419 euros de rendimento mensal do agregado familiar (seja qual for o número de elementos) e situações clínicas incapacitantes como doenças neuromusculares e ortopédicas, doenças oncológicas ou sequelas motoras de doenças musculares.

Muito em breve será publicado um novo diploma que sobe dos 419 para 628 euros mensais o limite de rendimentos para se ter acesso ao transporte gratuito. A nova legislação vai ainda alargar este direito a quem tem de recorrer ao SNS pelo menos oito vezes por mês. No caso dos doentes oncológicos, estará sempre garantido.

Ao Expresso, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Teixeira, salienta ainda que a nova lei dará ao médico a possibilidade de prescrever transporte gratuito a casos que a sua "sensibilidade ética" dite que também devem ser beneficiados, mesmo que não cumpram os critérios previstos.



Texto publicado na edição do Expresso de 12 de maio de 2012


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Peça para ir para a cadeia
189€ por mês?!!!!!

Revolta-me ter que dizer isto mas a solução para esta pessoa poder ter algum tratamento em condições seria ser enviado para a cadeia, local onde não falta assistência médica nem acesso à medicação!

Como se sabe, aos párias da sociedade não lhes falta bons rendimentos mínimos, nem todos os cuidados quando são condenados pelos crimes que cometem contra quem lhes paga esses mesmos rendimentos...

Uma coisa é certa, estivesse eu na mesma condição era para a cadeia que pedia para ir depois de me "travar de razões" de forma bastante séria com algum dos responsáveis pela situação deste país.

Com esse acto patriótico ajudava o país, e teria garantias de ter tratamentos que com 189€ por mês são absolutamente impossíveis de conseguir.

Isto já não vai com falinhas mansas...
Re: Peça para ir para a cadeia
Infelizmente vejo-me obrigado a concordar
Re: Peça para ir para a cadeia
Re: Peça para ir para a cadeia
Re: Peça para ir para a cadeia
PULHITICUS
A DEMOCRACIA É ISTO?
Re: Remédios ficam por aviar
Da próxima vez que tiverem um regime legítimo, façam uma revolução. Mas como não ficou bem feita, façam uma segunda, e por aí fora até estarem numa situação como a de hoje. Aí parem para reflectir e prometam a vós mesmos deixar de ser burros...

Pensam que D. Afonso Henriques fundou um Reino com o apoio de Deus, por capricho? A burrice está nisso...
Re: Remédios ficam por aviar
Re: Remédios ficam por aviar
Serviço Nacional de Saúde
Este doente deve ser consultado no instituto de reumatologia onde estão excelentes profissionais que o podem ajudar nomeadamente com novas terapias que existem, que certamente irão parar o avanço desta maldita doença. Às vezes não é suficiente, anti inflamatórios e terapia de piscina, é preciso outras formas de bloquear a doença. Desejo as melhoras do sr. Ricardo e de todos estes doentes.
Deus vos livre de eu não ter uma doença terminal!
Ou como esta... .

No dia em que me for diagnosticado tal coisa... .
SNS e Doenças crónicas,
SNS e Doenças crónicas,
ainda existe sensibilidade da população em geral quando se trata de doenças crónicas e algumas incuráveis como a minha.
Sofro de Leucemia Linfática crónica que é incurável , graças aos deuses tenho a possibilidade económica de pagar transportes , taxas moderadoras de que estava isento até este novo ministro ter mandado limpar todos os registos e exigir juntas médicas a todos os doentes oncológicos que não estejam em fase terminal.
O que me consegue pôr fora de mim é a hipocrisia de um governo de tecnocratas que praticam a eutanásia por decreto em nome da economia europeia e da submissão há batuta alemã.
Há gente a morrer por falta de assistência e capacidade económica para reevindicar a mesma. Mas que tipo de cobardes somos para não dizer BASTA a tal desmando?
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