Relvas não para
Relvas não para
Na quarta-feira, mas em silêncio, o ministro lá esteve a jantar a tradicional carne assada na Festa do Pontal. Mas Miguel Relvas não para. E se uns dias antes tinha sido visto a almoçar com Joaquim Oliveira e Zeinal Bava na praia do Ancão, na véspera do Pontal, terça-feira ao final do dia, participou noutro jantar com figuras de primeira água. Entre elas, Joaquim Oliveira, o patrão da Sport TV e do "DN", Pinto da Costa e António Salvador, presidente do Braga. De que falariam tão ilustres comensais, em vésperas do início do campeonato e numa altura em que as televisões generalistas ficaram alheadas da transmissão dos jogos do campeonato? Para que conste, o jantar foi no Golfinho, na praia da Falésia.
Irmãos reconciliados
No trabalho intitulado "Mano a mano", na Revista do Expresso da última semana, o artigo sobre a família de Maria Filomena Mónica dizia que os quatro irmãos estavam desavindos. A verdade é que já não estão, e festejaram o aniversário de um deles na quinta do avô, em Águas Belas, a 2 de agosto.
Meter água na rentrée
Apesar do desagrado que provoca nalguns sectores da maioria governamental, António Nogueira Leite, administrador da Caixa Geral de Depósitos e um dos ministeriáveis quando o PSD ganhou as eleições do ano passado, continua muito ativo no Facebook e a criticar quando tem de criticar. Ainda no início da semana, a propósito da Festa do Pontal do PSD ter mudado para o Aquashow de Quarteira, dizia "não sei se começar o ano político num parque aquático é um bom augúrio"...
Ruído ou ruim?
Depois da polémica envolvendo a antiga comunista Zita Seabra, que acusou o PCP de estar por trás de espionagem política em Portugal no tempo da Guerra Fria, através de mecanismos de escuta colocados em aparelhos da FNAC, liderada pelo empresário comunista Alexandre Alves, a reação não foi de modas. E Jerónimo de Sousa, bem ao seu estilo, respondeu a Zita dizendo que "não se devia gastar mais cera com tão ruim defunto". Quem interpretou de outra maneira as palavras do comunista foi a Lusa, que citou Jerónimo como tendo dito: "Não se devia gastar mais cera com ruído de fundo." Um problema de comunicação?
O homem da maratona sou eu
Nem só de políticas, mas também de metáforas, vive o despique entre Passos e Seguro. Depois do secretário-geral do PS ter calado os socialistas mais impacientes, logo no Congresso, dizendo-lhes que encara o seu mandato como "uma corrida de fundo", foi a vez do presidente do PSD, no discurso do Pontal, recorrer à mesmíssima imagem para qualificar a sua missão como chefe de Governo. Gente fica atenta e com o cronómetro na mão, a ver quem chega primeiro à meta... e com algum fôlego de sobra.
A mala, a gravata, o Macário e o Relvas
PORQUE O PONTAL NÃO É SÓ O DISCURSO DO MUITO AMADO LÍDER
Na televisão, vimos o discurso de Passos Coelho e pouco mais. Mas houve outros momento altos, ó se houve. Como a oferta a Laura, mulher de Passos, de uma mala artesanal feita com cortiça (e o primeiro-ministro levou uma gravata do mesmo material), ou a dificuldade de Macário Correia em arranjar lugar para se sentar. Ou ainda o abraço de Passos a Miguel Relvas, que teve uma passagem discreta no Pontal, ao contrário do ruído que a sua presença no Governo tem provocado.
Correio sentimental
Passos Coelho não falou de remodelação do Governo no seu discurso do Pontal. Terá abandonado a ideia?
Lurdes Santos, 40 anos, Castro Verde
Cara leitora, o discurso do primeiro-ministro demorou mais de 40 minutos e durante esse tempo, como o próprio afirmou, o arroz tinha estado ao lume. Ora, como se já não bastasse irem comer arroz espapaçado, era de muito mau tom falar de remodelação do Executivo quando os dois principais candidatos, Miguel Relvas e Álvaro Santos Pereira, estavam a ouvir o seu discurso (e a comer o dito arroz). De qualquer maneira, mesmo que Passos sofra algum esquecimento momentâneo, é certo e garantido que o professor Marcelo vai voltar ao tema um destes domingos e colocá-lo novamente na agenda.
O primeiro-ministro está sempre a dizer "há um ano atrás", "há dois anos atrás". Há alguma maneira delicada de lhe dizer que "atrás" é feio e redundante e que o nós queríamos mesmo era ouvi-lo falar "prà frente"?
André F., 41 anos, Macedo de Cavaleiros
Caro leitor, embora nem sempre pareça, a comunicação social também serve para fazer chegar mensagens do eleitores aos eleitos. Acreditamos que só o simples facto de publicarmos a sua pergunta nesta página vai produzir efeito junto dos speechwriters do primeiro-ministro... no que ao "atrás" diz respeito. Quanto ao "prà frente" o melhor mesmo é reencaminhar a mensagem para o doutor Luís Marques Mendes.
O nome de Paulo Portas continua a aparecer envolvido no caso dos submarinos. O líder do CDS é uma vítima da ineficácia na nossa Justiça?
Pedro Fernandes, 33 anos, Lisboa
Caro leitor, obrigado pela sua carta e por referir um dos assuntos que dominaram a agenda mediática nos últimos dias. Há uma boa maneira de perceber se vai ou não surgir uma nova polémica envolvendo o nome do líder do CDS: é ver a evolução das sondagens dos últimos meses. Se ele estiver a subir, é certo e sabido que mais notícias vêm a caminho...
Ditosos filhos que tal pátria têm
Comendador Marques de Correia
comendadorexpresso.impresa.pt
Dedicamo-nos, esta semana, a alguém que não pode ser classificado - tal é a sua originalidade e o nosso receio de um processo...
Luís António Noronha Nascimento, nascido em 1943, no Porto, da longa família dos Noronhas, originária de um filho bastardo de Henrique II de Castela, é um alto magistrado da nação. Não é o supremo, lugar que é reservado a Cavaco Silva, aos supremos de pescada, de novilho ou de bacalhau, bem como a certos títulos da maçonaria, mas é, ainda assim, um alto magistrado. Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, é a quarta figura do Estado, atrás de Passos Coelho, mas claramente à frente de Miguel Relvas, o que diz da sua importância.
A sua habilidade e a sua inteligência são reconhecidas por todos. Sendo um escravo da Justiça, sempre a serviu denodadamente, sem distinção de raças, credos, ideologias ou regimes políticos... ou outra coisa qualquer. Foi assim, que o presidente do Supremo, recusando fazer política, como compete a um magistrado, fez sindicalismo - o seu maior sucedâneo. Como representante dos explorados e ofendidos trabalhadores magistrados judiciais, foi da direção do sindicato respetivo e mesmo seu presidente, o que prova que a sua tendência para presidir lhe vem do fundo da alma.
Não se pode dizer que o magistrado construiu uma teia nessas funções sindicais (até porque ele - e bem! - processou quem o disse), mas a verdade é que reuniu apoios, os quais rendidos ao seu esplendor, se tornaram incondicionais. As homenagens que, de Norte a Sul do país, lhe prestam são disso prova e, embora eu não as conheça, aposto que existem. Os únicos a não reconhecerem o brilho de Sexa são os plumitivos, mas ele, atento, já pediu um órgão com poderes disciplinares sobre os jornalistas. Talvez um órgão não chegue e seja necessário um piano, ou um naipe de cordas, quiçá uma orquestra inteira.
O grande Camões jamais se referiria a homens como ele quando escreveu: "Vê que aqueles que devem à pobreza amor divino e ao povo caridade,/ Amam somente mandos e riqueza, simulando justiça e integridade".


