21 de maio de 2013 às 23:17
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Relatório da troika: os portugueses são mesmo de brandos costumes

Paulo Gaião (www.expresso.pt)

A missão permanente da troika em Portugal anda a ler história de Portugal para perceber melhor como funcionamos, como revelou a reportagem do Expresso de Luísa Meireles há quinze dias.

Encontram velhas repetições nos tempos de hoje em relação ao século XIX, entrada em bancarrota por excesso de dívidas, encargos de juros, despesas públicas muita acima das possibilidades para os "melhoramentos materiais", baixo crescimento económico e fraca produtividade da mão obra.

Mas se aprofundarem mais um bocadinho, os "homens de negro", como lhes chamam os nossos vizinhos espanhóis, não precisam só de dizer mal nos relatórios que enviam para o FMI.

A missão da troika pode perfeitamente referir que a fama que temos de brandos costumes, é rigorosamente assim. Aguentamos tudo sem partir um prato.

Basta referir que no anúncio na semana passada do seu pacote de austeridade, os espanhóis puseram Madrid a ferro e fogo por ficarem sem  subsídio de Natal. Os funcionários públicos portugueses perderam o de Natal e de férias há um ano e até hoje nem ai nem ui nas ruas.  

E, se lerem bem a História de Portugal, os homens da troika em Lisboa devem explicar ao FMI que nem sempre fomos assim de brandos costumes. O que torna ainda mais séria e credível a nossa boa natureza de hoje.   

Na crise financeira de 1892, o governo reduziu unilateralmente a 1/3 os juros da dívida externa, o que deixou os credores à beira de um ataque de nervos. Coisa impensável de ver hoje Passos Coelho a fazer. 

Na revolução da Maria da Fonte, a subida dos impostos, designadamente da contribuição predial, pôs o povo ao rubro. Hoje, a carga fiscal é muito maior mas toda a gente paga e não bufa.  

As greves em Portugal, sobretudo na primeira década do sèculo XX, tinham sempre sangue à mistura. Hoje servem, basicamente, para fazer o jogo das taxas de adesão entre o Governo e os sindicatos e estes fazerem jogging pela Avenida da Liberdade, confraternizando à volta de uma água do Luso.        

O pior de tudo é que havia assassinatos. O rei D. Carlos morreu porque o povo achava que gastava de mais e ainda se dava ao luxo de querer governar em ditadura com João Franco. E a este fizeram-lhe uma espera de horas em casa, na Rua Alexandre Herculano, para o matar mas como não apareceu... foram-se embora (já uma costelinha de brandos costumes).  

Mais tarde o moderado primeiro-ministro António Granjo seria assassinado por extremistas que defendiam a sua corporação, a GNR (já o corporativismo), com requintes sádicos, numa camioneta fantasma...         

Quando começaram os brandos costumes? Talvez não valha a pena a missão da troika meter-se por aqui.

O facto é que com o salazarismo, e o livre-trânsito concedido à Igreja para tratar dos nossos costumes e não se meter em política, amolecemos. Ao ponto de a ditadura ter durado 48 anos e cair por causa de uma questão corporativa de carreiras dos militares fartos da guerra colonial...    

Resta saber ao que nos leva o atestado de brandos costumes enviado pela missão permanente da troika para o FMI. Aliviam-nos porque merecemos e confiam em nós ou somos tão bonzinhos ( e tão lorpas) que nos carregam mais um bocado?    

Convém lembrar que o governante que denunciou o serviço da dívida em 1892, José Dias Ferreira (curiosamente avô  de Manuela Ferreira Leite) acabou  por ver o resultado da sua audácia recompensado, após nove anos de pressões em que ingleses e alemães chegaram a querer tirar-nos as colónias para nos refinanciarem.

Obteve um perdão de 38% da dívida e a sua conversão num novo empréstimo amortizável a 99 anos, com um juro de 3% que acabamos de pagar já no século XXI.     

Comentários 15 Comentar
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Fraco texto
Pretensamente irónico, falha em todas as frentes. Simplifica factos históricos num grau digno de uma história da primeira classe. Não considera factores de influência externa, analfabetismo e boçalidade, nomeadamente na vergonhosa história do dente de ouro, omite a maçonaria como autora do regicídio, que nada teve de popular, omite a carbonária,enfim, uma omissão completa.

Crónica abaixo de fraca, sem finalidade visível, má segunda-feira para o autor.
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Fraquito!
Esta crónica não saíu lá grande coisa! Para a próxima tem que fazer melhor, ler melhor a história, fazer melhor o trabalho de casa. É que nesta comunidade do expresso, começa a haver quem pense pela própria cabeça, tenha conhecimentos acima da média, não engula sem crítica as patacoadas que os cronistas de serviço lhes queiram impingir. E reajam em comentários apropriados como aqueles que li até agora.
Cuidado com o que desejas...
Na volta, estes comentadores da treta, desejam para Portugal o mesmo que se passou na Grécia (e há-de ficar muito pior), e que volta e meia sucede na Espanha...(esse país que jurara que não pedira ajuda!veja-se o ridiculo!)
Quando as pedras da calçada lhe assobiarem aos ouvidos e os cocktails lhe estourarem nos pés, aí sim, estes comentadores ficarão satisfeitos, porque nesse dia seríamos gregos,ou espanhois...
MAS NÓS NÃO O SOMOS! Não obstante os nossos defeitos, em alturas de crise, sendo um dos países mais antigos da europa,e com maior história mundial, ainda somos um povo democratico e inteligente! e não cedemos a meia duzia de arruaças que procuram levar-nos, atirando-nos areia para os olhos, para o lamaçal! Sabemos escolher o que ouvimos, e sabemos caminhar na direção que queremos!
Por isso, apóstolos da desgraça, deixem-se dos joguinhos da playstation, e, se querem ajudar-nos, ajudem; se não querem, emigrem para a vossa grécia, ou espanha, e sejam por lá muito felizes....
Re: Cuidado com o que desejas... Ver comentário
A elite
História de Portugal lida à pressa. Os portugueses são pretendidos para trabalhar em toda a Europa pelas suas qualidades de civismo, facilidade de integração, qualidades humanas, exactamente o oposto do que o comentador quer dos portugueses. A arruaça, a boçalidade de outros tempos acabaram. A elite intelectual arrogante a que o comentador julga pertencer felizmente a maioria dos portugueses não se revê nela.
Re: Relatório da troika: os portugueses são
Brandos costumes porque é um povo de Fé. Fé em Deus e na Sua Providência.
Como diz a bíblia (de cor): quem tem Deus por si, de quem terá medo?
Brandos costumes...
Sou totalmente contra a violência, o vandalismo e a destruição mas acho que já está mais que na hora de se fazer algo pois continuarmos carneirinhos não nos levará a bom porto... Deveria haver maior união dos portugueses, mais amor á Pátria e fazer-se uma enorme pressão sobre os que nos (des)governam. e, se não vão a bem, um dia têm que ir a mal, alguém tem que ter "tomates" e "limpar o sebo" a 1 ou 2 para que deixem de gozar connosco de uma vez por todas e ponham realmente PORTUGAL à frente de tudo e todos! Deixem de ser mansos, tenham amor-próprio!
Re: Brandos costumes... Ver comentário
Portugal?
Eu penso sugiro que mude de na nossa nacionalidade,mas porque seria um processo doloroso,penso que será mais fácil mudar a capital para São Manços.
Os Portugueses são pior que mansos - são inertes !
Portugal e os Portugueses ficam bem definidos por estes nossos antepassados ilustres:

Nunca as palavras de Eça de Queiroz em 1872 (140 anos!) estiveram tão actuais:
“Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido!”
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Guerra Junqueiro em 1886 (há 126 anos!)
“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas…”

Quem é que disse que o 25 de Abril foi uma revolução ?
Não passou de folclore e oportunismo.
Trocou-se uma ditadura de 50 anos por outras sucessivas de 4.
Para que serve a liberdade de expressão ? Para termos o conhecimento da corrupção e ficar tudo na mesma ?

O Povo tem aquilo que merece e só estamos assim porque já não há Homens com t... em Portugal !
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