A Frente Sindical da Administração Pública (FESAP) rejeitou hoje a proposta do Governo de um aumento salarial de 2,9 por cento dos funcionários públicos para 2009, na primeira reunião de um dia de negociações suplementares.
O secretário-coordenador da FESAP, Nobre dos Santos, em declarações à imprensa à saída da reunião com o Governo, declarou que "não houve qualquer hipótese de entendimento entre as partes", uma vez que "o Governo manteve a sua irredutibilidade", ao manter a proposta inicial de um aumento salarial de 2,9 por cento para 2009.
Já a anterior ronda de negociações tinha terminado sem acordo, com os sindicatos a rejeitar a proposta por considerarem que não compensa a perda do poder de compra dos últimos anos.
De acordo com Nobre dos Santos, à saída do encontro de hoje, o Governo manteve a sua proposta alegando as dificuldades económicas geradas pela conjuntura internacional e a crise.
"Não houve possibilidade de acordo nenhum, o Governo nem sequer se deu ao trabalho de apresentar novas propostas. Disse que a posição final era aquela, tendo em atenção os problemas macro-económicos existentes, tendo em atenção a crise", disse Nobre dos Santos.
No âmbito da negociação suplementar entre Governo e sindicatos da Função Pública sobre os salários de 2009, a equipa do ministério das Finanças encontra-se hoje também com a Frente Comum e com o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE).
A Frente Comum (CGTP) reivindica um aumento de cinco por cento para 2009 e um aumento intercalar de 0,9 por cento para colmatar o poder de compra perdido em 2008.
A Frente Sindical da Administração Pública (FESAP) apresentou inicialmente ao Governo uma proposta de aumentos de 3,5 por cento mais a recuperação dos 0,9 por cento perdidos ao longo de 2008 mas na penúltima ronda negocial deixou cair a reivindicação dos 0,9 por cento.
O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), que inicialmente reivindicava aumentos de quatro por cento, também baixou a sua proposta sucessivamente para 3,5 e 3,4 por cento.
Os funcionários públicos tiveram este ano um aumento salarial de 2,1 por cento, o valor que o Governo previa para a taxa de inflação, mas na proposta de Orçamento do Estado para 2009 o Executivo estima agora chegar ao final do ano com uma taxa de 2,9 por cento.