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Refundar o Estado, parte 344

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
0:00 Sexta feira, 29 de outubro de 2010

O Orçamento do Estado para 2011 é apenas o primeiro de muitos orçamentos de guerra. Este polémico orçamento não é o fim da tormenta, é o início da cura. Para usar uma imagem clínica, podemos dizer que o documento de Teixeira dos Santos corresponde - somente - à entrada no hospital.

Agora, falta o mais difícil: a operação, a cura, a nossa redenção coletiva depois de 20 anos de infantilidade política e de iliteracia económica. E o princípio desta cura redentora passa, inevitavelmente, por uma profunda reestruturação do Estado.

Não estou a falar, atenção, das tesouradas burocráticas do costume. Estou a falar, isso sim, de uma reestruturação política do Leviatã. A política portuguesa não pode continuar a ser uma mera gestão do statu quo.

Sim, os cortes na função pública serão injustos para muita gente. Sim, muitos funcionários públicos, do polícia ao médico, não mereciam esta sorte. Mas este corte cego apareceu no horizonte, porque nunca houve coragem para separar o trigo do joio. Ou seja, os ministérios nunca separaram os 'indispensáveis' dos 'dispensáveis'.

E este é o ato político que está por realizar: para protegermos os funcionários públicos indispensáveis e os serviços nucleares, nós temos de dispensar os funcionários-que-estão-a-mais e fechar os serviços-que-não-passam-de-tachos. Em 2011, o polícia, o enfermeiro, o médico e o funcionário dos impostos serão injustamente penalizados, porque os políticos não tiveram coragem para dispensar os milhares de funcionários-que-estão-a-mais.

O Governo vai cortar 5% a 10% nos salários de todos os funcionários, quando devia diminuir 5% a 10% o número de funcionários. Há aqui uma diferença. É a diferença entre a cobardia burocrática e a justiça política. Não devemos cortar em todo o lado de forma cega. Devemos, isso sim, repensar o Estado, com o objetivo de proteger as áreas e os funcionários indispensáveis.

E, neste sentido, até podemos dizer que alguns serviços merecem aumentos e/ou reforço de pessoal. Por exemplo, não é aceitável que um jovem polícia ganhe apenas 700 euros. Também não é aceitável a atual falta de pessoal nas finanças.

Se esta reestruturação política do Estado não for feita, seguir-se-ão novos cortes cegos, e os justos pagarão novamente pelos pecadores. E é bom frisar este confronto 'justos vs. pecadores'. Porque esta refundação do Estado não é apenas um ato de frieza financeira. Também é um ato de justiça. Sim, de justiça. Em primeiro lugar, o emagrecimento do Leviatã é justo para os funcionários públicos indispensáveis.

Num Estado mais seco, o trigo não é confundido com o joio, e, por isso, é mais protegido e mais acarinhado financeiramente. Em segundo lugar, a requalificação do Estado é a melhor forma de protegermos a tal justiça social.

Porque não podemos fugir ao óbvio ululante: se queremos o Estado na saúde, então temos de forçar esse mesmo Estado a ser espartano nos gastos com pessoal, que neste momento já representam entre 12% e 14,5% do PIB (as contas variam consoante o economista). Se queremos um Estado social vivo, temos de diminuir as despesas correntes do Estado. Se amamos tanto o 'social' do 'Estado social', temos de colocar uma camisa de forças no 'Estado'. Os funcionários-públicos-imprescindíveis-e-realmente-intocáveis deviam ser os primeiros a valorizar esta linha de raciocínio.

Henrique Raposo

Texto publicado na edição do Expresso de 23 de outubro de 2010

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Para a história
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:42 | Domingo, 31 de outubro de 2010

Num congresso internacional de medicina.

O médico alemão diz:
              Na Alemanha, fazemos transplantes de dedo. Em 4 semanas o paciente
está procurando emprego.

O médico espanhol afirma:
              A medicina espanhola é tão avançada que conseguimos fazer um
transplante de cérebro.. Em 6 semanas o paciente está procurando
emprego.

    O médico russo diz:
              Fazemos um transplante de peito. Em 1 semana o camarada pode procurar
emprego.

O médico grego disse:
              Temos um trabalho de recuperação de bêbados. Em 15 dias o indivíduo
pode procurar emprego.

  O médico português diz orgulhoso:
              Isso não é nada! Em Portugal, nós arranjamos um homem sem cérebro,
sem consciência, sem peito, mentiroso, corrupto, e elegêmo-lo primeiro
ministro.
Em 3 anos o país inteiro está quase todo à procura de emprego.

 
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Esdudar o problema
Inoportuno (seguir utilizador), 1 ponto , 12:55 | Sexta feira, 29 de outubro de 2010
A administração pública e os funcionários públicos não são uma massa homogénea, como é geralmente tratada. Há que estudar as funções do estado e as organizações públicas para distinguir a gordura partidária e parasitária das funções necessárias.
 
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É ISSO MAS TALVEZ NÃO CHEGUE
88dabulota (seguir utilizador), 1 ponto , 19:08 | Sexta feira, 29 de outubro de 2010
Caro H R mais uma vez ecreve direito em linha tortas . Está 100% correto o acaba de escrever , dado que em qualquer agremisção paga sempre o justo pelo pecador . Vale ainda acrescentar que juntamente com essa reestruturação , terá que ser feita outra no que diz respeito aos horários de trabalho da função pública e dos privados . É chegada a altura de uniformizar todos os horáriao ,todas as percentágens para a reforma , todos os descontos para a saúde ,ajustar , tanto quanto possivel os vencimento de ambos os lados , para , numa palavra: acabar com PORTUGUESE DE 1ª , 2ª e de 3ª classe. O meus parabens ao H R. pelo excelente artigo .
 
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    agremisção - o que é isto?    Ver comentário
Jorge Duque (seguir utilizador), 1 ponto , 10:23 | Segunda feira, 1 de novembro de 2010
O problema desta
Jorge Duque (seguir utilizador), 1 ponto , 10:43 | Segunda feira, 1 de novembro de 2010
sua sugestão é ser impraticável
Imagine o seguinte cenário: o Estado tinha de intervencionar metade dos seus funcionários. Destes, 50 % eram despedidos e os restantes teriam de ser recolocados em locais com falta de pessoal, onde poderia acontecer uma redução de salário. Provavelmente, grande parte deste grupo seria constituído pelos quadros intermédios/elevados, onde abunda o colarinho branco de origem partidária.
Não estou a ver, na actual conjuntura politica, o Estado com condições para tal reforma.
Na nossa história, em poucos momentos se pode acabar com privilégios com séculos de existência. Cito alguns: Marquês de Pombal, Liberalismo, Republica, Salazar e PREC. Ou seja, em períodos pós revolucionários ou com estadistas fortes à frente do Estado. De resto, é um gerir da conjuntura e fartar vilanagem.
 
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