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Portugal sem potência para construir mais parques eólicos

Associação de Energias Renováveis sustenta que só com a construção das barragens do Tua e do Baixo Sabor poderá ser viabilizada a criação de mais parques eólicos.

João Campos/Jornal do Nordeste

O presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), António Sá da Costa, defende que "não há potência disponível para construir mais parques eólicos em Portugal".

Segundo o responsável, recentemente indigitado para chefiar o Centro Ibérico de Energias Renováveis e Eficiência Energética, em Badajoz (Espanha), só a construção de novas barragens e centrais reversíveis poderá viabilizar a criação de mais parques eólicos no País, "para lá dos que já estão com pontos de ligação atribuídos".

O presidente da APREN defende a construção das barragens do Tua e do Baixo Sabor, tendo em conta a sua capacidade de armazenagem de energia. "O papel da hídrica será ainda maior, porque se não tivermos forma de armazenar a energia gerada pelo vento durante a noite, em horas de menor consumo, o vento passa e não gera nada", alega.

Com a construção de centrais reversíveis, a energia eólica pode ser aproveitada para bombear água nas albufeiras. "Durante a noite, quando há menos consumo, mas há mais vento, o excesso de electricidade pode ser usado para bombear a água de um nível inferior para um nível superior, para que noutras alturas, quando não há vento e há mais consumo, essa mesma água possa fluir em sentido contrário, gerando electricidade", explica Sá da Costa, acrescentando que "estas centrais reversíveis são indispensáveis ao País, porque permitem armazenar energia, que de outra forma não era utilizada".

Contas feitas, para atribuir mais potência, só quando as grandes centrais hídricas estiverem em funcionamento. "Julgo que só será atribuída mais potência por volta de 2014-2015, para entrar em exploração em 2017-2018, porque esta questão só se resolve com a construção das novas barragens e respectivas centrais", adianta o presidente da APREN.