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Recomendações para Jovens Empresários (entrevista)

Conheça aqui o perfil do empresário de sucesso, bem como conselhos para criar um negócio, apoios existentes, áreas de investimento com potencial e recomendações para enfrentar a crise.
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Manuel Teixeira, Presidente da Comissão Executiva da ANJE

No seguimento de várias questões e inquietações que tenho sentido nos jovens empresários e nos que pretendem empreender, decidi entrevistar Manuel Teixeira, Presidente da Comissão Executiva da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários). 

AS - Que conselhos daria a um jovem que pretende criar o seu negócio?

MT - Para vencer no mundo dos negócios é necessário conhecer muito bem o mercado onde se pretende operar, detectar as oportunidades que este proporciona, perceber como podem ser minorados os riscos inerentes ao investimento e estabelecer, desde logo, um caminho inovador para alcançar os objectivos desejados. Ora, tudo isto pressupõe que o empreendedor esteja dotado de conhecimento que lhe permita dominar, inovadora e proficientemente, as diversas variáveis envolvidas no negócio.   Os passos essenciais para criar um negócio são aferir se o mercado necessita do produto ou serviço que se pretende desenvolver; elaborar um plano de gestão; efectuar o levantamento da legislação aplicável ao negócio; elaborar um orçamento; criar um Plano de Negócios; avaliar as possibilidades de financiamento do projecto; colocar a ideia de negócio em prática.A actual crise económica obriga, por seu turno, os promotores de novos negócios a ponderar melhor o montante do investimento inicial, a definir desde logo uma política de controle de custos, a depender menos do crédito bancário, a reposicionar produtos/serviços tendo em conta a redução da procura, a estabelecer parcerias estratégicas e a trabalhar mais em rede.  

AS - Que apoios existem para criar o próprio negócio?

MT - Há um conjunto vasto de apoios públicos para a criação e expansão de empresas, destacando-se neste âmbito os sistemas do QREN (SI I&DT - Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico nas Empresas; SI Inovação - Incentivos à Inovação; SI Qualificação PME - Incentivos à Qualificação e Internacionalização de PME), os programas FINICIA e MODCOM (Comércio), os Incentivos Fiscais e a linha de crédito PME Investe. Depois, existem mecanismos de financiamento como o capital de risco, o microcrédito, os business angels, o mutualismo e o tradicional crédito bancário.  Para promover a criação de empresas, a ANJE tem ao dispor dos jovens empreendedores portugueses um variado conjunto de instrumentos: o Prémio do Jovem Empreendedor (prize money de €19.500); uma linha de microcrédito em conjunto com a CGD (montante máximo de empréstimo para a criação de pequenos negócios de 50 mil euros); a parceira com a Plataforma Finicia - Eixo II (Negócios Emergentes de Pequena Escala) para as regiões do Minho, Grande Porto e Algarve; apoios à materialização de ideias de negócio (Centro de Ideias, Escola de Empreendedores, Programas de Formação em Empreendedorismo, BEEP - Bolsa de Estudantes de Elevado Potencial, etc.); uma vasta rede de Centros de Incubação de Empresas (Trofa, Maia, Matosinhos, Barcelos, Porto, Lisboa, Aveiro e Faro); acompanhamento especializado de negócios pela Academia dos Empreendedores. 

AS - Quais as áreas de investimento com maior potencial?

MT - Potencialmente, todas as áreas de investimento são rentáveis desde que se compreendam as tendências do mercado. Mas os negócios do futuro passam, necessariamente, pela conversão do conhecimento em valor empresarial, o que se convencionou designar por inovação. As Ciências da Saúde, as Actividades Marítimas, as Energias Renováveis, as Tecnologias de Informação e Comunicação, as Indústrias Criativas, a Fileira da Moda e o Turismo, por exemplo, são áreas bastante atractivas para a criação de negócios em Portugal. Isto porque o país dispõe, nestas áreas, de recursos humanos muito qualificados, tecnologia, conhecimento avançado, condições naturais favoráveis e tradição empresarial.   A título de exemplo, direi que a Fileira do Mar encerra inúmeras potencialidades de investimento. Não me refiro apenas às actividades mais tradicionais, como a pesca, a construção e reparação naval, a indústria conserveira, o turismo, os transportes marítimos ou a gestão portuária. Refiro-me também a actividades mais recentes e que têm vindo a emergir com grande dinamismo, como a aquacultura, a biotecnologia marítima, as energias renováveis, a preservação dos recursos marinhos, o ordenamento das regiões costeiras, a química ambiental ou as tecnologias de observação submarina. 

AS - Como é que os empresários podem enfrentar a crise?

MT - A crise pode abrir portas não só a negócios adequados ao "espírito do tempo" (produtos ou serviços com boa relação preço/qualidade, que aumentam a auto-estima do consumidor e/ou são verdadeiramente utilitários) como a projectos empresariais inovadores, criativos e de valor acrescentado. Ou seja, projectos que, pela via da inovação, contornam as dificuldades impostas pela crise e por isso são bem sucedidos.Por outro lado, a crise obriga as empresas a reduzir custos, a ponderar melhor alguns investimentos, a viver menos dependentes do financiamento externo, a reposicionar produtos ou serviços, a estabelecer parcerias e a gerar sinergias internas. Tudo isto pode, de facto, ser positivo para o futuro dessas mesmas empresas.Como existe menos dinheiro disponível, os consumidores tendem hoje a ser mais selectivos nas suas compras. Procuram sobretudo produtos/serviços de utilidade imediata e inequívoca e com boa relação preço/qualidade, durabilidade comprovada, factores de diferenciação e capacidade para gerar emoções (designadamente, estimular a auto-estima num momento difícil como o que estamos a viver). Neste sentido, os investidores têm de perceber o actual funcionamento do mercado. Isso implica antever as atitudes de quem compra (o que está subjacente à decisão de adquirir um produto/serviço) mais do que elaborar sofisticadas estratégias de venda.       

AS - Qual o perfil do empresário de sucesso?

MT - As características que definem um empresário ou empreendedor com potencial de sucesso (embora este conceito seja muito relativo) são: coragem para arriscar, determinação, vontade de superação, capacidade de decisão, espírito de liderança, criatividade, organização, entre outros atributos conhecidos. Deve acrescentar-se que hoje, para se ser empreendedor, já não basta ter boas ideias e voluntarismo em doses generosas. Actualmente, quem se abalança na criação e gestão de empresas necessita de ter qualificações que lhe permitam enfrentar os desafios decorrentes da transição de uma sociedade industrial para uma sociedade do conhecimento. O novo paradigma de desenvolvimento exige empreendedores que encarem o mercado como global; empreendedores que sejam criativos e inovadores; empreendedores que dominem as tecnologias de informação e comunicação, bem como o inglês enquanto língua franca; empreendedores que apostem na inovação, investigação e desenvolvimento; empreendedores que não esqueçam as suas responsabilidades sociais, assim como os seus deveres de preservação ambiental.

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Basta ter o cartão rósinha e ser considerado um bom boy, e não é preciso mais recomendações.
O perfil de um empresário de sucesso
O perfil de um empresário de sucesso requer antes de mais muita capacidade de trabalho... o sucesso virá depois, mediante aquilo que cada um for capaz de colocar em prática no mercado, seja qual for a área em que decida apostar. Ninguém deve investir numa área para a qual não possui conhecimentos e fica dependente de requisitos e opiniões técnicas externas ou de pessoas contratadas.
Os apoios mencionados por Manuel Teixeira na entrevista... estão longe de serem reais e servem uma elite empresarial muito pequena e com determinadas características.
Será um erro um empresário começar um negócio pensando em apoios... poderá recorrer a eles, aliás deve... mas jamais ficar dependente deles, porque ficará estagnado.
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