18 de abril de 2014 às 13:33
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Reações à entrevista de Sócrates

Primeiro-ministro deu esta noite uma entrevista à SIC.
Lusa

PSD acusa primeiro-ministro de confundir portugueses 


O PSD acusou hoje o primeiro-ministro, José Sócrates, de lançar a confusão sobre a disponibilidade do Governo para apresentar as medidas adicionais para redução do défice no Parlamento antes do próximo Conselho Europeu.

Numa reação à entrevista desta noite do primeiro-ministro à SIC, no Parlamento, o vice-presidente do grupo parlamentar do PSD Luís Montenegro declarou aos jornalistas que José Sócrates "lançou várias confusões e tentou também confundir os portugueses".

Segundo o social-democrata, uma das confusões lançadas pelo primeiro-ministro, "muito preocupante", foi "a de dizer que estava disponível para discutir este Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) antes do próximo Conselho Europeu".

"Ora, ainda hoje, na conferência de líderes aqui na Assembleia da República nós propusemos que assim fosse e foi o Governo que o rejeitou", assinalou o deputado e vice-presidente do PSD.

Luís Montenegro sublinhou que José Sócrates manifestou disponibilidade "para trazer a discussão do PEC à Assembleia da República antes da cimeira" e que "a próxima cimeira é o Conselho Europeu do dia 24 de março".

"Ainda hoje de manhã, na conferência de líderes, o PSD e os outros partidos da oposição propuseram exatamente que essa discussão se fizesse antes do dia 24 e foi o Governo, o ministro dos Assuntos Parlamentares, na circunstância, que rejeitou liminarmente essa opção. Portanto, é uma confusão que nós não conseguimos compreender do primeiro-ministro, mas que vem na sequência de toda a entrevista", completou.

CDS: Sócrates provocou a crise política


A deputada do CDS-PP Cecília Meireles considerou hoje "surpreendente" que o primeiro-ministro fale de crise política, afirmando que foi José Sócrates que a causou ao apresentar novas medidas de austeridade sem informar o Presidente e o Parlamento.

"É surpreendente que o primeiro-ministro venha falar de crise política quando ele vem apresentar estas medidas - que aliás ficamos sem perceber se são propostas ou se são compromissos -, sem falar ou sequer informar o Presidente da República ou o Parlamento", disse aos jornalistas a deputada democrata-cristã.

"Não se percebe como é que o primeiro-ministro vem falar de crise política como se não tivesse sido ele precisamente a provocá-la, pela forma e pela substância daquilo que fez", referiu Cecília Meireles, que condenou ainda que o primeiro-ministro se apresente "como uma vítima, como se não houvesse responsáveis por esta situação".

A deputada salientou que "nos últimos cinco anos a dívida pública portuguesa passou de cerca de 80 mil milhões de euros para cerca de 150 mil milhões de euros".

"Querer que a responsabilidade seja toda da crise financeira internacional e o primeiro-ministro apresentar-se como vítima, sem assumir as suas responsabilidades, parece-me manifestamente desadequado", sustentou.

A deputada centrista considerou ainda que, na entrevista, "ficou por explicar o que é que correu mal" na execução orçamental. "Há um mês, o primeiro-ministro dizia que tínhamos uma folga de 800 milhões de euros, agora ficamos a saber que faltam mais 1,4 mil milhões de euros", afirmou.

Cecília Meireles lamentou ainda que não tenha havido "uma palavra para a questão social e para as pessoas que foram as mais sacrificadas por esta crise".

PCP critica "postura de vítima"


O PCP criticou hoje a "postura de vítima" do primeiro-ministro, José Sócrates, afirmando que as "verdadeiras vítimas" são "os que sofrem as consequências das políticas" do Governo.

Jorge Pires, da Comissão Política do PCP, disse à agência Lusa que o primeiro-ministro "apareceu com uma postura de vítima", quando "as verdadeiras vítimas são os que sofrem as consequências das políticas" do Governo: os pensionistas, os desempregados e os trabalhadores precários.

Para o PCP, o chefe do Executivo socialista manifestou "um estranho conceito de interesse nacional", quando avança com "o congelamento de salários e reformas e o facilitismo do despedimento de trabalhadores".

Jorge Pires afirmou que a questão de uma moção de censura do PCP ao Governo "não está posta de lado", mas, para já, acrescentou, o partido vai associar-se à manifestação no sábado promovida pela CGTP.

BE: Portugueses "entre o pântano e o dilúvio"


O Bloco de Esquerda acusou hoje o primeiro-ministro de colocar aos portugueses a escolha "entre o pântano e o dilúvio", condenando o que classificou de "calculismo político do PS e PSD que conduziu o país a uma situação terrível".

"O primeiro-ministro procurou pôr os portugueses entre duas escolhas: ou José Sócrates e a sua política ou o FMI, ou seja, entre o pântano e o dilúvio", afirmou o deputado do BE João Semedo.

O Bloco considerou que o país está a assistir a uma "degradação da vida política", com "um jogo de passa-culpas, um artificial conflito" entre PS e PSD e que representa, acrescentou, "a cumplicidade dos dois partidos na mesma política".

João Semedo criticou o que disse ser um "calculismo político" do PS e do PSD, que, acrescentou, "tem conduzido o país a uma situação terrível, dramática, que atinge a vida de centenas de milhares de portugueses, de forma bastante dura e difícil".

"Temos um Governo que governa enquanto o principal partido da oposição o deixa governar e temos o principal partido da oposição à espera que os efeitos desta impopularidade das medidas desgastem suficientemente o Governo para depois, como disse Pedro Passos Coelho, ir finalmente ao pote. Isto é o pântano", sublinhou o deputado bloquista.

Instado a comentar qual será o cenário em caso de chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento pela Assembleia da República, "o Governo ficará numa situação muito difícil se todos os partidos rejeitarem essas políticas", admitiu João Semedo, sublinhando que "vários partidos tomarão a iniciativa de apresentar projetos de resolução que condenem estas medidas".

O deputado do BE afirmou que "há mais alternativas" às medidas propostas pelo Executivo, defendendo que "uma outra política, outra política de emprego, de apoio à economia, uma reforma fiscal que consiga ultrapassar o défice orçamental".

 

 

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Sócrates não deu entrevista nenhuma
o Sr. Engº formulou as questões e respondeu a seu belo prazer. Não foi um monólogo porque a Ana Lourenço tinha sido informada pelo sr. engº, que a última coisa que ela devia fazer era anunciar-lhe no final que tinha acabado o protesto dos motoristas. Sócrates saíu em ombros, só não foi ovacionado porque os expectadores estavam em casa. Sócrates em monólogo repetiu o que tinha dito na sua comunicação ao país.
Será que ninguém tem coragem para exigir ao sr. engº que explique porque é que ele teve que ir com as calças na mão, com estas novas medidas para Bruxelas?
Será que ninguém tem a coragem de confrontar o sr engº com o facto de na semana passada ele anunciar uma situação desafogada, enquanto a UE o BCE, o FMI e o próprio Banco de Portugal, na mesma data dizerem precisamente o contrário?
o farsante vestiu uma farda que não larga. Terá futuro no teatro. Em geral usa o teleponto, mas como repete sempre a mesma coisa já não lhe custa fazer o papel.
Citando o Presidente do Supremo Tribunal
...
"Quando Inês morre
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