Reabilitação: Fundos não seduzem investidores
O quadro fiscal "é muito atrativo, fantástico até, mas estar dependente da morosidade municipal é sempre um risco acrescido". A análise é de Cláudia Ferreira, gestora de um dos raros fundos focados na reabilitação urbana, criado ao abrigo do novo regime de incentivos (008/2012).
Lançado há ano e meio com uma dotação de €35 milhões, o fundo Príncipe Real, gerido pela MNF - Gestão de Ativos, corre o risco de não cumprir os requisitos para beneficiar dos incentivos fiscais (rendimento livre de IRC, além da taxa de IVA a 5%).
A MNF tem mais seis meses para que a Câmara Municipal de Lisboa declare a zona como área de reabilitação. A autarquia "manifesta colaboração e vontade política", mas isso não chega para resolver o impasse.
A gestora acredita que "o risco de lidar com entidades públicas e a instabilidade do quadro fiscal" explicam a fraca a adesão a este tipo de fundos fechados.Mas a sua expectativa é que o fundo apresente uma "ótima rentabilidade" ao fim dos seus dez anos de vida. Receber o dobro do dinheiro aplicado é um cenário plausível. O fundo da MSN congrega um grupo variado de investidores nacionais e estrangeiros.
Orey valoriza 15%
No fim de outubro, o universo de fundos imobiliários representava €9,7 mil milhões - apenas 2% das carteiras se destinavam ao negócio da reabilitação.
O Banif, com o Fundo Fortunity (€10 milhões), e a SGFI - Sociedade Gestora de Fundos e Investimento Imobiliários (que aplicou €8,5 milhões em imóveis no Largo da Academia das Belas Artes, em Lisboa) são outros exemplos de fundos lançados, com pelo menos 75% de ativos destinados à reabilitação.
Antes do novo quadro, em 2006, já o grupo Orey e depois a Espírito Santo Ativos Financeiros (ESAF) tinham criado fundos para operar no mercado da reabilitação habitacional, "antecipando a esperada expansão deste segmento".
A ESAF reuniu €50 milhões que aplicou em Lisboa e só depois de vendidas as frações calculará a rentabilidade do fundo. A Orey Financial faz um "balanço positivo, diz o diretor da área de Imobiliário, João Fonseca.
O fundo acumula uma valorização de 15%, em quatro anos, depois de já ter rodado parte do património do fundo. Mas os projetos em carteira impulsionarão a rentabilidade. A Orey sente que o segmento tem "capacidade para gerar valor "aos investidores" e reconhece que os novos incentivos são atrativos. O lançamento de novos fundos está em avaliação e "depende do enquadramento macroeconómico e político", diz João Fonseca.
À espera dos FDU
Na frente pública, a esperança dos construtores reside nos Fundos de Desenvolvimento Urbano (FDU). Uma holding, com vocação de capital de risco, que tem €130 milhões para distribuir, de acordo com as dotações fixadas para cada região do país.
O dinheiro é do FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e do Ministério das Finanças (€30 milhões) e a gestão cabe ao Banco Europeu de Investimentos. Os FDU destinam-se a património não habitacional, beneficiam de experiências anteriores na Galiza e Catalunha e estarão operacionais na próxima primavera.
Este mês, os candidatos fazem uma declaração de interesse, depois o seu plano de negócios passa pelo crivo do comité de investimentos, antes de apresentarem a proposta de intervenção.



