19 de junho de 2013 às 19:12
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Reabilitação: Fundos não seduzem investidores

Aoesar de incentivos 'fantásticos', os fundos de reabilitação não seduzem investidores. Gestoras sofrem com morosidade das câmaras.
Abilio Ferreira (www.expresso.pt)

O quadro fiscal "é muito atrativo, fantástico até, mas estar dependente da morosidade municipal é sempre um risco acrescido". A análise é de Cláudia Ferreira, gestora de um dos raros fundos focados na reabilitação urbana, criado ao abrigo do novo regime de incentivos (008/2012).

Lançado há ano e meio com uma dotação de €35 milhões, o fundo Príncipe Real, gerido pela MNF - Gestão de Ativos, corre o risco de não cumprir os requisitos para beneficiar dos incentivos fiscais (rendimento livre de IRC, além da taxa de IVA a 5%).

A MNF tem mais seis meses para que a Câmara Municipal de Lisboa declare a zona como área de reabilitação. A autarquia "manifesta colaboração e vontade política", mas isso não chega para resolver o impasse.

A gestora acredita que "o risco de lidar com entidades públicas e a instabilidade do quadro fiscal" explicam a fraca a adesão a este tipo de fundos fechados.Mas a sua expectativa é que o fundo apresente uma "ótima rentabilidade" ao fim dos seus dez anos de vida. Receber o dobro do dinheiro aplicado é um cenário plausível. O fundo da MSN congrega um grupo variado de investidores nacionais e estrangeiros.

Orey valoriza 15% 


No fim de outubro, o universo de fundos imobiliários representava €9,7 mil milhões - apenas 2% das carteiras se destinavam ao negócio da reabilitação.

O Banif, com o Fundo Fortunity (€10 milhões), e a SGFI - Sociedade Gestora de Fundos e Investimento Imobiliários (que aplicou €8,5 milhões em imóveis no Largo da Academia das Belas Artes, em Lisboa) são outros exemplos de fundos lançados, com pelo menos 75% de ativos destinados à reabilitação.

Antes do novo quadro, em 2006, já o grupo Orey e depois a Espírito Santo Ativos Financeiros (ESAF) tinham criado fundos para operar no mercado da reabilitação habitacional, "antecipando a esperada expansão deste segmento".

A ESAF reuniu €50 milhões que aplicou em Lisboa e só depois de vendidas as frações calculará a rentabilidade do fundo. A Orey Financial faz um "balanço positivo, diz o diretor da área de Imobiliário, João Fonseca.

O fundo acumula uma valorização de 15%, em quatro anos, depois de já ter rodado parte do património do fundo. Mas os projetos em carteira impulsionarão a rentabilidade. A Orey sente que o segmento tem "capacidade para gerar valor "aos investidores" e reconhece que os novos incentivos são atrativos. O lançamento de novos fundos está em avaliação e "depende do enquadramento macroeconómico e político", diz João Fonseca.

À espera dos FDU


Na frente pública, a esperança dos construtores reside nos Fundos de Desenvolvimento Urbano (FDU). Uma holding, com vocação de capital de risco, que tem €130 milhões para distribuir, de acordo com as dotações fixadas para cada região do país.

O dinheiro é do FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e do Ministério das Finanças (€30 milhões) e a gestão cabe ao Banco Europeu de Investimentos. Os FDU destinam-se a património não habitacional, beneficiam de experiências anteriores na Galiza e Catalunha e estarão operacionais na próxima primavera.

Este mês, os candidatos fazem uma declaração de interesse, depois o seu plano de negócios passa pelo crivo do comité de investimentos, antes de apresentarem a proposta de intervenção.

Comentários 2 Comentar
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É verdade...
É verdade, a lei ainda restringe bastante a actividade de reabilitação urbana, desde logo na definição das ZRU. A burocracia é outros dos problemas...

Os Fundos de Reabilitação Urbana podem ser um excelente veículo: para além do IVA a 6%, têm um enquadramento fiscal muito vantajoso: isenção de IRC, retenção de 10% sobre rendimentos distribuídos, entre outros em sede de IMT e IMI.

Quem tiver interesse em saber mais, pode consultar a informação que tenho disponível em http://out-of-the-boxthin...

Jessica
Relembrar que para além dos Fundos de Reabilitação Urbana, temos ainda iniciativa Jessica que já está em funcionamento em Portugal e que investirá também na reabilitação urbana.
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