26/05/2012 atualizado às 20:05
Página Inicial » Blogues » Ré em causa própria
Pág. 1 de 19  1 | 2 | 3 | 4 | 5 |
Ver 10, 20, 50 resultados por pág.

Para quem anda para aí a chamar as Leis.

Adelina Barradas de Oliveira
16:20 Sábado, 5 de maio de 2012

Eu fui ao Pingo Doce no dia 1.º de Maio.

Ré em causa própria - Para quem anda para aí a chamar as Leis.

Não estou a brincar, estou a falar a sério e passo a explicar o que aconteceu:


Um elemento da minha família tomou a iniciativa de ir ao Pingo Doce no dia em questão e isto face ao anúncio da promoção de 50% que estava a ser divulgado. O mesmo elemento enviou-me um SMS, do respectivo estabelecimento comercial, a dizer "isto está um caos, parece uma guerra".


Perante tal, limitei-me a sorrir para mim mesmo e a comentar para com os meus botões: "ainda bem que eu não vou a supermercados, ainda bem que sou culturalmente superior a tudo isto e não faço essas figuras características de malta que assiste a telenovelas e ao preço certo em euros", "eu não sou assim, não preciso e tenho mais do que fazer, nem num dia normal quanto mais num dia destes", "livra, etc. etc. etc.".


As horas passaram e, curioso, liguei para o telemóvel da dita pessoa a fim de saber como é que estava o "caos". Porém, e após diversas tentativas, o resultado foi sempre o mesmo, completa impossibilidade de comunicação para com o mesmo, "o número que marcou não está disponível, tente mais tarde".


Vou à internet e vejo que todos os sites referem "Caos no Pingo Doce" com fotografias que me fizeram recordar o Biafra, o Burundi, a guerra civil de Espanha, as invasões normandas, Jerónimo e os seus Apaches, Aníbal e os seus elefantes, o desembarque da Normandia e outros cenários dantescos.


Começo a ficar preocupado e opto por ir até ao Pingo Doce ver como é que as coisas estão, não fosse o elemento da minha família estar esmagado debaixo da secção dos frescos, ou entalado entre o salpicão, batatas e o bacalhau Pingo Doce.


Peguei no carro, conduzi até ao local e vejo ... Polícia?!?!?! A qual (e bem) nem me deixou parar para ver o que se passava. Regressei a casa, deixei o carro no lugar e fui a pé até ao Pingo Doce em causa já preparado para lutar Kung Fu com velhas sopeiras e andar à cabeçada com o público do preço certo em euros e da casa dos segredos.


Nos entretantos pensei vezes sem conta: "As figuras em que eu me meto! Raios, detesto multidões, detesto compras, detesto histeria colectiva, etc. etc. etc.".
Lá cheguei a o local, entrei e no meio da multidão lá consigo encontrar o elemento da minha família, na fila e a cinco lugares da caixa de pagamento (muitas idas ao Jamaica deram-me esta capacidade de encontrar pessoas no meio de multidões ...).

Toda a arrogância, soberba e pose de Estado que me tinha caracterizado até então, própria de quem pensa que "Eu não me meto em episódios como este, isto é para pessoal das barracas e eu não sou pessoal das barracas", desapareceu.

 

O que vi foi pobreza.
Uma multidão de gente pobre em que a diferença entre fazer as compras do mês naquele dia e fazer compras noutro dia qualquer marcava a diferença entre poder cozinhar um bife para a sua família ou comer salsichas. Poder oferecer sumo aos filhos ou água da torneira.


O que aquele dia significou para as pessoas que lá foram foi a possibilidade de adquirir o dobro dos bens de primeira necessidade pelo mesmo valor de sempre. E isso era visível a seguinte forma: Aquela multidão de gente (visivelmente) pobre carregava compras até à caixa sendo que, após, avisavam o funcionário da caixa em questão que apenas tinham € 50,00, ou € 80,00 ou outro valor qualquer (o valor disponível para as suas compras mensais). Mais advertiam o funcionário para lhes avisar quando atingissem tal valor e isto tendo em consideração o desconto a realizar. Colocavam os bens na caixa, de acordo com uma ordem de prioridades, e quando o valor atingia o seu plafond familiar, abandonavam as compras que ainda não tinham sido colocadas na caixa junto à mesma, no chão.


Em suma, junto a cada caixa havia, no chão, um conjunto de compras abandonado e que ninguém levava pois ... o seu plafond mensal familiar já tinha sido ultrapassado.
Sobrevivi ao 1.º de Maio no Pingo Doce mas ...


Tenho pena.
Tenho muita pena que se fale desse episódio como um ataque feito ao dia 1.º de Maio, ou como uma promoção fabulosa normalíssima e vulgar de lineu, como uma eventual prática de Dumping, quando o que se deveria era falar do estado a que o povo português chegou.


Ou seja, o povo português, e de quem eu tanto gosto, está muito pobre. Pobre mesmo, e não é apenas pobre de espírito, é pobre mesmo, pobre é pobre, sem dinheiro, bens de primeira necessidade e tudo o resto.
Para que não haja dúvida: POBRE.


E o Pingo Doce mostrou quem manda.
Se porventura os responsáveis do Pingo Doce dissessem que cada cidade em Portugal teria direito a compras com 70% de desconto caso sacrificasse 10 virgens cada, o povo vacilava.
Tenho pena e faço minhas as palavras de António Lobo Antunes o qual perguntou a si mesmo "quem foram os malandros que fizeram isto ao meu país".


PS - O elemento da minha família é a minha mulher e o desconto deu-me imenso jeito. Não disse mais cedo porque não quero que pensem que sou pobre.

João Correia - Juiz de Direito

________________________________

1

Perguntas de um operário letrado

Adelina Barradas de Oliveira
14:05 Terça feira, 1 de maio de 2012

Ré em causa própria - Perguntas de um operário letrado

1 maio

Quem construiu Tebas, a das sete portas?

Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

 Bertold Brecht

(Quadro de João Saboia - Trabalhadores)

2

Tribunal Constitucional

Adelina Barradas de Oliveira (www.expresso.pt)
1:56 Sábado, 28 de abril de 2012

Ré em causa própria - Tribunal Constitucional

Artigo 202º

(Função jurisdicional)

1. Os tribunais são os órgãos de soberania com competência para administrar a justiça em nome do povo.

2. Na administração da justiça incumbe aos tribunais assegurar a defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos, reprimir a violação da legalidade democrática e dirimir os conflitos de interesses públicos e privados.

3. No exercício das suas funções os tribunais têm direito à coadjuvação das outras autoridades.

4. A lei poderá institucionalizar instrumentos e formas de composição não jurisdicional de conflitos.


Artigo203º

 (Independência)

Os tribunais são independentes e apenas estão sujeitos à lei.

_____________

 

Tribunal Constitucional

Artigo 222º

(Composição e estatuto dos juízes)

                                                   **

1. O Tribunal Constitucional é composto por treze juízes, sendo dez designados pela Assembleia da República e três cooptados por estes.

 

2. Seis de entre os juízes designados pela Assembleia da República ou cooptados são obrigatoriamente escolhidos de entre juízes dos restantes tribunais e os demais de entre juristas.

 

3. O mandato dos juízes do Tribunal Constitucional tem a duração de nove anos e não é renovável.

 

4. O Presidente do Tribunal Constitucional é eleito pelos respectivos juízes.

 

5. Os juízes do Tribunal Constitucional gozam das garantias de independência, inamovibilidade, imparcialidade e irresponsabilidade e estão sujeitos às incompatibilidades dos juízes dos restantes tribunais.

 

6. A lei estabelece as imunidades e as demais regras relativas ao estatuto dos juízes do Tribunal Constitucional.

___________________________________

É difícil ser Juiz hoje sim.

 Mais difícil o é em Tribunais como o Tribunal Constitucional vocacionado para decisões com enorme peso no rumo de uma Nação.

Os tribunais são órgãos independentes, titulares de um poder que lhes foi confiado para ser exercido em nome do outro de forma independente e apenas sujeita à Lei, nunca permitindo a quebra da divisão tripartida dos poderes tão cara ao equilíbrio de um Estado de Direito.

É difícil ser Juiz porque ao tentarem banalizar a nossa função, ao quererem fazer crer que qualquer um o pode ser, retiram ao Estado de Direito a garantia de imparcialidade e isenção.

 E não sejamos hipócritas.

Nem todo o Outro pode ser Juiz. Nem todo o Outro tem a coragem e a serenidade de assumir uma decisão. Nem todo o Outro tem a capacidade técnica exigível. Nem todo o outro tem a independência necessária simplesmente porque não a pode ter. Simplesmente porque não lhe pode ser exigível que a tenha, face a responsabilidades que assumiu.

 Nem todo o outro está na sua essência preparado para o fazer.

Essencialmente moralizante no sentido de correctora de uma sociedade e dinamizadora ou reformadora de uma cultura, a missão de ser Juiz exige cada vez mais uma dinâmica de independência que passa pela honestidade consigo mesmo e com os outros, para segurança de todos e de cada um de nós.

 

Também do distanciamento dos outros Poderes de Estado para garantia do próprio Estado que se diz de Direito.

Ao Juiz exige-se-lhe uma intervenção directa na sociedade para satisfazer a sede de equidade e mudança.

Um estado interior de abertura constante no cumprimento das leis no respeito pelos direitos fundamentais. Um conhecimento alargado do mundo que o rodeia e das matérias que com o Direito interagem uma vez que, cada vez mais se impõe a interdisciplinaridade das diversas matérias como a psicologia, a sociologia, a psiquiatria forense, a medicina e outras, porque também estas se debruçam sobre o Homem e os seus comportamentos, os dissecam e tentam entender e explicar. Um conhecimento sensível à vida e ao real.

Os Juízes não precisam de ser mais ou menos avançados na idade. Precisam de ter intuição, de ser sensíveis, de ser perspicazes, de ser sagazes.

 "Sejam quais forem o modo e os meios pelos quais um conhecimento se possa referir a objectos, é pela intuição que se relaciona imediatamente com estes. (...)

Esta intuição, porém, apenas se verifica na medida em que o objecto nos for dado; o que, por sua vez, só é possível (pelo menos para nós homens) se o objecto afectar o espírito de certa maneira.

A capacidade de receber representações (receptividade), graças à maneira como somos afectados pelos objectos, denomina-se sensibilidade. Por intermédio, pois, da sensibilidade são-nos dados objectos e só ela nos fornece intuições; mas é o entendimento que pensa esses objectos e é dele que provêm os conceitos.

(...)

Sem a sensibilidade nenhum objecto nos seria dado; sem o entendimento nenhum seria pensado. Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas." Como diz Kant na sua Crítica da Razão Pura.

Nós queremos - pedia Calamandrei - "juízes com almas, engagés, e que saibam levar com humano e vigilante desempenho o grande peso que implica a enorme responsabilidade de fazer justiça."

Ou seja, nós queremos Juízes vivos, não burocratas, queremos juízes íntegros, não vulgares, sabedores das leis do seu País e das leis fora do seu País, queremos juízes cultos, com sensibilidade, intuitivos e divinalmente humanos. 

E se os queremos para os tribunais em geral, mais assim os exigimos para o Tribunal Constitucional em particular aos Juízes de carreira.

Todo o Poder em que te investem é um enorme dever perante o Outro de que te pedirão contas se não o souberes exercer.

ACCB

_______________

EM TEMPO:_ A Imagem escolhida é estatueta de um artista chamado Roman Petrov de Tyrtov, que se estabeleceu em França, conhecido pelo pseudónimo de Erté. Enquadra-se no estilo "Art déco". Faleceu em 1990. Tem outros trabalhos dentro do mesmo estilo, todos eles absolutamente magníficos.
Refª fr.wikipedia.org/wiki/Ert%C3%A9
e www.erte.com/sculpture/default.htm

Informação completa gentilmente cedida por um dos comentadores _ http://expresso.sapo.pt/gen.pl?p=users&user=339038&op=view

a quem agradeço o amável e enriquecedor contributo.

 ___________________________

 

10

Há um dia

Adelina Barradas de Oliveira
16:36 Quarta feira, 25 de abril de 2012

Ré em causa própria - Há um dia
Há um dia em que tudo muda. Um dia em que tudo tende a mudar. Desse dia pode ser guardado o que de melhor havia (há), no coração dos homens e com essa mistura alquímica, ou social, ou politica ou poética, ou jurídica, fazer o caminho do hoje que se prolonga pelo amanhã.

 É das misturas alquimicas de pitadas de liberdade, de honra, verdade, justiça, igualdade, vontade, persistencia, coragem que se fazem as revoluções. Uma revolução não é um dia, é uma luta constante pela dignidade de ser livre.


De que cor é a Liberdade?
Que aroma tem?
Como se escreve?

Sabemos? Esquecemos? Ignoramos?

ACCB

Quem sabe quem foi?

Adelina Barradas de Oliveira
14:57 Quarta feira, 18 de abril de 2012

ANTERO DE QUENTAL

Antero Tarquínio de Quental (Ponta Delgada , 18 de abril de 1842 - Ponta Delgada, 11 de setembro de 1891 )

 

 

LER  por exemplo a carta a António Feliciano de Castilho - Bom Senso e Bom Gosto - pela escrita ficamos a saber-lhe o perfil.

_

Ré em causa própria - Quem sabe quem foi?

Longo tempo ignorei (mas que cegueira
Me trazia este espírito enublado!)
Quem fosses tu, que andavas a meu lado,
Noite e dia, impassível companheira...

Muitas vezes, é certo, na canseira,
No tédio extremo de um viver magoado,
Para ti levantei o olhar turbado,
Invocando-te, amiga derradeira...

Mas não te amava então, nem conhecia:
Meu pensamento inerte nada lia
Sobre essa muda fronte, austera e calma.

Luz íntima afinal alumiou-me...
Filha do mesmo pai, já sei teu nome,
Morte, irmã co-eterna da minha alma!

_____________

 

Procurem-no AQUI em S. Miguel

Sim! que é preciso caminhar avante!
Andar! passar por cima dos soluços!
Como quem numa mina vai de bruços
Olhar apenas uma luz distante!

É preciso passar sobre ruínas,
Como quem vai pisando um chão de flores!
Ouvir as maldições, ais e clamores,
Como quem ouve músicas divinas!

Beber, em taça túrbida, o veneno,
Sem contrair o lábio palpitante!
Atravessar os círculos do Dante,
E trazer desse inferno o olhar sereno!

Ter um manto da casta luz das crenças,
Para cobrir as trevas da miséria!
Ter a vara, o condão da fada aérea,
Que em ouro torne estas areias densas!

É, quando, tem temor e sem saudade,
Puderdes, dentre o pó dessa ruína,
Erguei o olhar à cúpula divina,
Heis-de então ver a nova-claridade!

Heis-de então ver, ao descerrar do escuro,
Bem como o cumprimento de um agouro,
Abrir-se, como grandes portas de ouro,
As imensas auroras do Futuro!

 _____________________________________

Quem sabe quem foi?

É Proibido fumar

Adelina Barradas de Oliveira
23:53 Sábado, 14 de abril de 2012

Ré em causa própria - É Proibido fumar

Parece uma canção antiga do Roberto Carlos mas não é.


Eu não fumo. Detesto estar a almoçar e "a levar" com o fumo do cigarro dos outros. E detesto os charutos espanhóis que têm um cheiro que me faz nauseas. Gosto do cheiro a cachimbo, algum tabaco usado em cachimbos tem um aroma fantástico.

Mas, voltando ao título e à proibição de fumar em carros que transportam crianças.

Sendo proibido fumar em locais públicos e frequentados por menores de 18 anos, não abrange a proibição uma grande amplitude de lugares, incluindo este?

A Lei n.º 37/2007 de 14 de Agosto  já contém em si o suficiente para punir o necessário.

Diz-se por aí que vai ser proibido fumar em carros que transportem crianças.... deve haver uma coima e...como se aplica? Estes veículos serão seguramente, tendo em conta a lei em vigor, os veículos dos pais que serão mandados parar no meio do trânsito e coimados.

Mas, na realidade não é isso que me preocupa mas sim, a preocupação do Governo com o fumo dentro de carros que transportam crianças.

Penso eu que o mais elementar bom senso, embora haja gente com muita falta desse bem, implica que não se fume dentro de um carro fechado que transporta terceiros que não fumam e ainda por cima são crianças.

O que me preocupa é que em contraste com esta preocupação de proibição, tenhamos um Serviço Nacional de Saúde que vai oferecendo cada vez menos garantias para quem tem de usufruir dele e tem menos posses.

Barack Obama lutou para ter um Serviço de saúde quase tão saudável como o que tinhamos. Nós tentamos agora americanizar o nosso SNS?

E o ora presidente dos EUA sabia e sabe que rever o sistema de saúde é politicamente arriscado, havendo que gerir as pressões das companhias de seguros, de alguns médicos e outras classes ou entidades que defendem ferozmente os respectivos interesses.

Não será mais prejudicial à saúde este processo acelerado de destruição do Serviço Nacional de Saúde num jogo de empurra para os seguros de saúde que é apenas mais um jogo de mercados económicos para que os Governos, democráticamente eleitos, se sintam desresponsabilizados?

O direito à saúde não é um direito fundamental, assim como o direito ao trabalho? Sem dúvida que é. Não é um dever do Estado garanti-la e garantir as formas da sua proteção e manutenção? E é proibindo e penalizando da forma supra referida que se procura exercer também esse dever?


Não será mais preocupante não ter um serviço nacional de saúde que sirva a todos e a todos chegue?

Não deverá o Estado ter mais intervenção e preocupação nesta área que na área íntima e privada de cada cidadão?

 

Faz-me lembrar esta questão a dos piercings em 2008. Ainda se recordam?


O Executivo que também é o legislativo não queria que os jovens usassem piercings.Assim como não podem votar, os menores de 18 anos também não deviam poder usar piercing disse o executivo que também é legislativo.
De acordo com a proposta socialista, quem fizesse uma tatuagem ou colocasse um piercing teria que passar a assinar uma declaração de consentimento (confidencial, que teria de ser arquivada por um período de cinco anos).

Renato Sampaio, deputado socialista que redigiu o documento - que vinha preparando desde há seis meses, com "apoio técnico especializado" - justificou a iniciativa com a necessidade de "acautelar a saúde pública" quer dos utilizadores, quer de quem lida com estes procedimentos.

O que eu acho ridículo é que se invoque a saúde pública neste caso e se esqueça a saúde pública noutros casos bem mais prementes como já disse acima.

Todos sabemos e se não sabemos devíamos ser esclarecidos, sobre o perigo que se corre ao colocar um piercing (não é menor que o perigo que se corre ao extrair um dente do ciso ), mas porquê logo os piercings?

E porque agora proibir fumar em carros com crianças dentro. Não sabemos já todos os malefícios do tabaco?

Não está o Soberano a entrar dentro das nossas casas e das opções de vida embora pareça querer proteger as nossas crianças?

Mas nesse caso, não bastam as campanhas de prevenção? Precisamos de repressão?

E quanto à Lei do Aborto? Qualquer rapariga de 16 anos pode decidir abortar. -http://www.juntospelavida.org/legislacao.html

Não é esta opção legislativa ( se a opção da rapariga de 16 anos não for devidamente justificada), um atentado à vida e provavelmente um passo para a desresponsabilização de inúmeros jovens relativamente a uma vida que não é sua mas, tiveram a possibilidade de gerar? Não exige esta área mais cuidados?

E isto leva-me a relembrar uma proibição ridícula de há anos atrás que proibia a entrada na Biblioteca Nacional com menos de 18 anos.Com 16 anos qualquer jovem se podia alistar em qualquer dos ramos das Forças Armadas, mas não podia entrar na Biblioteca Nacional.

Mas ainda é assim. No site da Biblioteca nacional , podemos ler:
"Têm acesso à Sala de Leitura, mediante inscrição prévia e apresentação do Cartão de Leitor, os utilizadores nacionais e estrangeiros com idade superior a 18 anos. Para obtenção do Cartão de Leitor é necessária a apresentação do Bilhete de Identidade ou Cartão de Cidadão."

Compreendo que são valiosos os bens que ali se encontram mas,... e a vida não é um bem valioso? E a cultura não é um bem valioso? E a saúde é um bem valioso como a autonomia e o livre arbítrio também o são.

 

Um Estado cada vez mais proibicionista torna-se totalitário ao ingerir-se na vida privada dos cidadãos.

Terá em consequência, cada vez menos hipóteses de ter consigo Homens cultos e responsáveis e, certas proibições parecerão uma procura desenfreada de receitas a todo o custo, para além de serem um limite ao que deve ser uma escolha livre e consciente.

A dignidade humana não passa por ser cada indivíduo dotado de razão e poder de escolha ?

 A autoestima e o reconhecimento social não passam pelo respeito que o Estado eleito pelo indivíduo tem por esse mesmo indivíduo?

Qualquer dia entram na minha casa e dizem:

- É proibido andar descalça cá em casa! É proibido provar o doce do marido com a sua colher! É proibido beijar o seu filho sem lavar os dentes! É proibido emprestar a sua T shirt à filha .

É proibido espirrar ao Sábado!...

 

ACCB

1

Para ler em voz alta

Adelina Barradas de Oliveira
18:28 Sexta feira, 13 de abril de 2012

Ahh, SE NÓS TIVESSEMOS MAR!

Ré em causa própria - Para ler em voz alta

Da crónica de João Quadros
no Negócio On-Line:

"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo
Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores
portugueses."


Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos
supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco.


Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico.



Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do Haiti...

Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós.

Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio
do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.



Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo.

Não é saudável ter inveja de uma gamba.

 Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz.

E é desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano.

Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa.

Eu vi perca egípcia em Telheiras... fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das compras.Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.



Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo marroquino, assim às claras.

Eu não consigo perguntar: "tem polvo marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. "Queria quinhentos de polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e rouca.

Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço. Não há nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl.

Eu, às vezes penso: o que não poupávamos se Portugal tivesse mar.

_____________________________

Boa Páscoa

Adelina Barradas de Oliveira
20:10 Quinta feira, 5 de abril de 2012

 

( Lava pés - Quinta feira Santa)

Ré em causa própria - Boa Páscoa

Está a chover granizo... Pronto...será que lá se vão as cerejas?!


Hoje não fui fazer a volta das 7 igrejas que fazia com a minha mãe em Lisboa quando era menina. Lembro-me bem... quinta feira santa... e dia de lava pés....

Ficaram-se os rituais da Páscoa pela lembrança que não os pus em prática já mulher.


Mas o lava pés fica-me às vezes pelas mãos... nos papéis que escrevo e nas revoltas que sinto...

No inconformismo de não aceitar diferenças ou atropelos a direitos, tratamentos desiguais ou .... esquecimentos...é esse o meu lava pés... arranco algumas quintas feiras santas por aí... durante o ano.

 

Quem não arranja que se acuse.

Amanhã é sexta feira santa. O ritual de não comer carne cumpro sempre...por ritual..por tradição...

E depois... vem o Domingo.....
E todos os Domingos deviam ser todos os dias da semana... e dias de renovação e de luta por um Mundo a sério.

Boa Páscoa a todos.

Votos de Vontade de ser Novo e ser caminho de mudança....caminhando.

ACCB

Que sentem quando olham? E que pensam fazer?

Adelina Barradas de Oliveira
1:54 Terça feira, 27 de março de 2012

Ré em causa própria - Que sentem quando olham? E que pensam fazer?
Emergência social: basta telefonar para o nº 144. Sabia?

 

8

Poesia e Luta contra o Racismo 21 Março

Adelina Barradas de Oliveira
20:26 Quarta feira, 21 de março de 2012

Ré em causa própria - Poesia e Luta contra o Racismo 21 Março
 

Lágrima de preta

Encontrei uma preta

que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.

Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.

Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.

Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio

António Gedeão

-

1
Pág. 1 de 19  1 | 2 | 3 | 4 | 5 |
Ver 10, 20, 50 resultados por pág.
PUB
Arquivo
Email
O Expresso no
MBA
IAB