No dia 18 de outubro deram-se as II Jornadas AEP (Associação Empresarial de Portugal) no Auditório da Fundação de Serralves, no Porto. O tema destas Jornadas consistiu na reindustrialização do país.
Relativamente às sessões "Que industria em Portugal?", as ideias principais que ficaram patentes foram a necessidade de: internacionalização; diferenciação, busca de novos mercados e clientes; inovação através de recursos externos e internos; parcerias com universidades ou centros de investigação nacionais e internacionais; atingir patamares elevados de excelência como chave do sucesso; e envolver os colaboradores no plano estratégico das empresas de forma a atingirem níveis elevados de motivação e a reterem os recursos humanos.
O Eng. José Manuel Fernandes, da Frezite, salientou a importância da indústria no país e referiu que não se pode sustentar a base terciária da economia se não há uma base industrial forte. Acrescentou que houve sempre "tecnocratas que dizem o que se deve ou não fazer, quando são as empresas que devem criar os seus programas de desenvolvimento". Para este as empresas têm de gerar "um perfil de customização" (ferramenta referida várias vezes durante as jornadas) de forma a terem "maior resistência à má qualidade de quem nos governa".
A Prof. Doutora Purificação Tavares, da CGC Genetics, referiu que os portugueses têm a vantagem competitiva de facilmente se adaptarem a diferentes mercados. Confidenciou que, por vezes, o facto da localização de empresas altamente tecnológicas ser em Portugal se torna uma barreira por mero preconceito.
As Jornadas AEP foram encerradas pelo carismático Eng. Belmiro de Azevedo que cada frase sua tem peso nos ouvidos de quem o escuta porque, concordando ou não com o que diz, merece reflexão das suas palavras. Disse que a economia portuguesa desindustrializou-se a partir da década de 80 e que o crescimento económico deu-se "de uma forma rastejante" na última década. Para o engenheiro discutir a industrialização é importante desde que "não se resvale na nostalgia".
Referiu a necessidade de se tirar vantagens dos recursos naturais do país, como o clima, o Sol, a paisagem, as praias, o mar, a floresta, e a mão de obra menos qualificada que está massivamente desempregada e que "há décadas que tem sido esquecida". Relativamente às indústrias tradicionais refere que, para que sejam altamente competitivas, têm de ser inovadoras e investirem em novas tecnologias.
Para o empresário Portugal tem condições para ser um campeão da competitividade, mas sem crédito não há crescimento, muito menos crescimento sustentado, indispensável para a reindustrialização. Para este são fundamentais três aspetos: reequilibrar as finanças públicas - e com as contas públicas certas e auditadas, mantermo-nos no euro e responsabilizar os altos governantes nos casos de corrupção.
Para o empresário aumentar os impostos não é o caminho mas sim uma forma de garantir que a despesa pública possa ser alimentada no presente e no futuro. Para o final salientou a importância de haver comunicação com os contribuintes por parte do governo, para não haver surpresas como agora, e haver um compromisso do governo em manter o rating de triplo A.