Paulo Rangel
disse que o Governo socialista devia ter percebido, há quatro anos, que Espanha
estava a caminhar para uma forte crise económica e imobiliária e nunca deveria ter estabelecido relações privilegiadas com esse país. "Lembram-se de quem dizia que a prioridade para Portugal devia ser Espanha, Espanha, Espanha?", perguntava Paulo Rangel, na sessão de balanço do Fórum Portugal de Verdade (ver texto relacionado). "Pois agora, ele hoje está ao lado do primeiro-ministro espanhol, num comício, a celebrar essa parceria. O que Sócrates
e Zapatero podem comemorar é a importação da crise espanhola", concluiu Paulo Rangel.
O cabeça-de-lista do PSD
disse que o seu partido sempre defendeu a diversificação dos mercados para Portugal. O que lhe teria evitado a contaminação da economia portuguesa pela crise imobiliária de Espanha. "Não era preciso a crise financeira internacional, para adivinhar o bolha imobiliária que iria rebentar em Espanha", explicou Paulo Rangel, dizendo que o Governo socialista sempre colocou os interesses partidários (de colaboração entre o PS e o espanhol PSOE) acima dos interesses nacionais.
Paulo Rangel criticou ainda o facto de o PS ter optado por um comício de abertura da campanha eleitoral para o Parlamento Europeu (PE). "Em vez de um comício, nós estamos aqui a debater ideias para o Pais", disse o também líder da bancada parlamentar laranja.
Mas a verdade é que a sala no edifício da Alfândega, no Porto, parecia preparada para um comício, nem sequer faltando um teleponto (que, de resto, não foi usado). E também não houve debate. Apenas um balanço das dez sessões do Fórum que o PSD levou a dez distritos de Norte a Sul de Portugal. Uma conclusão iniciada pelos seus coordenadores (José-Pedro Aguiar Branco e Paulo Cutileiro) e terminada pela presidente do partido, Manuela Ferreira Leite, que aproveitou para contrapor o espírito de diálogo da iniciativa laranja ao que considerou ser a atitude de "arrogância" do PS e do Governo de José Sócrates.
"Queremos falar verdade. Queremos avaliar com rigor as soluções possíveis. Em democracia, ninguém se pode arrogar ter opiniões únicas. Só assim se transmite confiança. Ouvir é uma atitude política que revela humildade e disponibilidade. É preciso disponibilidade para mobilizar as pessoas. É com coragem que se devolve a confiança aos portugueses", disse Manuela Ferreira Leite.
Paulo Rangel aproveitou ainda para criticar o facto de duas candidatas do PS, Elisa Ferreira e Ana Gomes, serem, em simultâneo candidatas ao PE e a câmaras municipais. "Quando se procura um emprego, é legítimo enviar currículos para vários sítios. Não se percebe que se tenha essa atitude quando se concorre a um cargo político", concluiu Paulo Rangel, repetindo uma ideia que Rui Rio, vice-presidente do PSD, já tinha usado na sessão de apresentação da sua recandidatura autárquica no Porto.