O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, defendeu hoje a reforma laboral aprovada pelo seu Governo, apesar dos protestos que hoje se fazem sentir em toda a Espanha sob o lema: "Não à reforma laboral injusta com os trabalhadores, ineficaz para a economia e inútil para o emprego".
Embora exprimindo respeito pelos protestos, Rajoy assegurou que a reforma é "justa, boa e necessária" para o país, durante o discurso no encerramento do 17.º Congresso Nacional do Partido Popular (PP), em Sevilha.
O chefe do Governo espanhol, reeleito ontem líder do PP, defendeu a necessidade de fazer mudanças para o país se adaptar a um mundo global. "Se queremos que a Espanha cresça e crie emprego, temos que fazer isto que fizemos", assinalou.
Para Rajoy, a reforma aprovada é a que esperavam os mais de cinco milhões de desempregados, porque é a que pode evitar que Espanha seja "o país que mais empregos destrói em toda a Europa".
Teste para decidir greve geral
Dezenas de milhares de pessoas juntaram-se às 57 manifestações convocadas pelas duas principais confederações sindicais espanhola, a UGT e as Comissões Operárias CCOO, contra o que consideram ser um "retrocesso nos direitos dos trabalhadores".
Em Bilbau, Vitória e São Sebastião, no País Basco, são cerca de seis mil os manifestantes, enquanto o centro de Sevilha foi ocupado por 30 mil ou 5 mil manifestantes, segundo dados estimados pelo organizadores e a Polícia, respetivamente.
Os sindicatos reclamam 450 mil manifestantes em Barcelona, 80 mil em Valência, 70 mil em Zaragoça, 35 mil em Alicante e 50 mil em Gijón.
Na capital, Madrid, a resposta também se fez sentir e a organização fala em 500 mil pessoas. Como é habitual, os protestos transformam-se em "guerra dos números" entre organizadores e o Governo.
Os manifestantes atravessaram o centro da capital com cartazes onde se podia ler: "Não à reforma laboral injusta, ineficaz, inútil" e "Não à reforma e aos cortes orçamentais". "Greve, greve, greve", foi um grito repetido pelos manifestantes.
"Se o Governo não corrigir, continuaremos com a mobilização crescente", advertiram os responsáveis da juventude dos dois sindicatos, no manifesto lido após o protesto em Madrid.
Taxa de desemprego de 22,85%
O governo de Mariano Rajoy aprovou no passado dia 11 uma reforma para reanimar o mercado de trabalho, que inclui a diminuição das indemnizações por despedimento e medidas para estimular o emprego dos jovens.
A Espanha tem uma taxa de desemprego recorde no mundo industrializado: 22,85%.