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Radical como eu

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
8:00 Terça feira, 13 de outubro de 2009

No último 5 de Outubro o nosso estimado e ainda Presidente resolveu não comparecer na varanda da Câmara de Lisboa, onde foi proclamada a República há 99 anos. Parece que não queria interferir na campanha eleitoral autárquica. Não foi o primeiro a faltar à cerimónia, mas foi o primeiro a fazer uma cerimónia paralela no Palácio de Belém.

Como imaginará o meu caro leitor, sou pouco dado a formalismos. Se fosse diferente, teria umas coisas a dizer sobre este episódio. E essas coisas, parecendo pequenas, seriam da maior relevância. Recordaria a Cavaco Silva que as instituições são anteriores às pessoas concretas que ocupam cada lugar. E que uma das funções da continuidade deste tipo de cerimónias é exactamente mostrar aos cidadãos que, seja quem for que lá está, seja qualquer for o momento que se vive, elas continuam a funcionar.

Se eu fosse um conservador, explicaria ao senhor Presidente que o lado cénico da democracia é da maior relevância. Que não é indiferente falar de Belém ou da varanda onde a República foi proclamada. Que ao fazer o que os seus antecessores fizeram, sem nenhuma alteração, o Presidente submete-se, através da evocação da memória, ao Regime Republicano. Que ao não o fazer o Presidente o subverte.

Se eu fosse institucionalista, diria ao senhor Presidente que é a sua presença numa cerimónia que dura há décadas sem alterações que prova a independência da Presidência. Não a do cidadão Cavaco Silva, que é irrelevante. Mas a da instituição que existia antes dele e que depois dele continuará a existir. Que a sua cerimónia particular em Belém, essa sim, perturbou, do ponto de vista simbólico o acto eleitoral. E se eu não fosse quem sou acharia que o simbolismo do poder é fundamental para o Estado. Como não sou nada disto, quero dar os parabéns ao nosso caro Aníbal. Fico contente por saber que finalmente elegemos alguém que se está nas tintas para cerimónias, instituições, símbolos de poder e protocolo. Venham daí esses ossos, caro camarada.

Maus vícios


Deveria chegar o seu passado para tornar Pedro Santana Lopes pouco recomendável. Saltita de lugar em lugar sem quase nunca ficar em nenhum. Tanto lhe dá a Figueira como o Sporting, Lisboa como São Bento. É viciado em política no pior que este vício pode ter: gosta do jogo, da vitória e da derrota, do parte lúdica e do confronto, mas despreza o que na política tem conteúdo. Apesar de ser um político habilidoso, não se lhe conhece uma competência.

Como autarca, a sua marca é inconfundível: monumentais buracos nos orçamentos. E não se pode dizer que em troca tenha conseguido qualquer coisa que faça a diferença. O caso do Parque Mayer é talvez o mais sintomático: milhões para o lixo em troca de uma maquete. Gasta por gastar. Por não saber que a arte do bom político é fazer o impossível com pouco e não pouco com o impossível. Como tudo o que conhece é o jogo da popularidade é absolutamente incapaz de dar um passo que, sendo inovador (tirar carros de Lisboa, por exemplo), não seja disparatado. Se as vitórias de Fátima Felgueiras, Isaltino Morais e Valentim Loureiro serão um bom barómetro da nossa saúde democrática, o resultado de Santana Lopes será um excelente indicador da exigência e da memória dos eleitores.

Daniel Oliveira

Texto publicado na edição do Expresso de 9 de Outubro de 2009

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INVERSÃO DO ÓNUS DA PROVA
J.B.DLEGS (seguir utilizador), 1 ponto , 15:26 | Terça feira, 13 de outubro de 2009
Sem a "inversão do ónus da prova" para os crimes de Corrupção, Tráfico de Influências e Enriquecimento Ilícito (pelo menos estes três) nada mudará em Portugal.
Os mais altos magistrados vêm pedindo há anos aos legisladores e aos governos para que tal seja estatuído, mas tanto a Assembleia da República como o Governo têm decidido...não decidir.
Têm agora o menino nos braços, mais de metade da liquidez do país no exterior de um PAÍS FALIDO.
Se nada mudar ao nível da Justiça, o 'medo de existir' em que vivemos passará a coexistir com outro: o 'medo de investir'.
É nisto que consiste a essência do problema de Portugal há, pelo menos, duas décadas: na IMPUNIDADE que continua a ganhar/comprar "Eleições" !!!
Ou Lisboa e os Centralistas instalados em todos os "Partidos" (encenados) percebem isto e arrepiam caminho ou acordarão um dia destes para esta Verdade/Realidade da pior forma !
Nas eleições de 2009 os Portugueses votaram no ordenadinho ao fim do mês, na pensão e no subsídio.
O que acontecerá quando faltar um destes 3 rendimentos (ou todos de uma vez)?
José Sócrates Pinto de Sousa tem agora talvez a sua última oportunidade política de demonstrar a sua inocência financeira (que a formal está demonstrada). Até porque defendeu no XVI Congresso do PS que «o papel do PS é também ajudar a que a Europa se bata por uma regulação mais forte, uma globalização mais justa e pela eliminação dos off shores».
Quem não deve não teme.
Até lá, Portugal continua adiado... ...
 
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os pés na cabeça, do Sr Daniel de Oliveira
boa memória (seguir utilizador), 1 ponto , 18:19 | Terça feira, 13 de outubro de 2009

Uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade.

Quem deitou para o lixo o Projecto do P. Mayer foi Ant´nio Costa, Sá Fernandes e M. Salgado e logo esse dinheiro foi desperdiçado por eles e não por Santana Lopes.

Os outros comentários são BAIXOS como sempre, e sem respeito pelo PR.

Aconselhava este senhor a cultivar-se um pouco, estudar, tirar um doutoramento em Inglaterra, por exemplo.

Não percebo como o Expresso/SIC dá guarida a parasitas deste calibre.
 
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Ódio de estimação
Vistodaqui (seguir utilizador), 1 ponto , 3:21 | Quarta feira, 14 de outubro de 2009
Este ilustre colunista devia entregar ao prof. Cavaco Silva uma percentagem do ordenadito que recebe por alinhavar todas as semanas uma coluna no Expresso. É que é o PR que lhe fornece regularmente a matéria- prima que ele utiliza para o seu trabalho. Se ficasse sem este ódio de estimação, o homem esvaziava-se como um balão furado e ficava a roer as unhas sem assunto para encher a coluna. Acho que ele faz parte daquela esquerda inteligente que, estando convencida de que o Palácio de Belem é propriedade da esquerda, ficou com um espinho entalado na gargante quando viu entrar pela porta dentro um presidente de direita. É certo que nas próximas eleições vão tocar a rebate e arrebanhar a malta toda para remediar esta afronta, mas até lá, não vão ter outro remédio que não seja engolir este sapo do tamanho de um elefante.
 
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