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Como trabalhar em grupo

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Os trabalhos de grupo são quase sempre um drama, excepto para aqueles que ficam à espera que os outros façam a sua parte. Mas saber trabalhar em equipa é uma competência muito valorizada no mercado de trabalho.

Maria Martins

Não há voltas a dar. Goste ou não goste, chega uma altura em que vai ter de fazer trabalhos de grupo na faculdade. Muitas vezes a única alternativa é ir a exame final, por isso é melhor encontrar uma estratégia para formar um grupo que funcione. Até porque saber trabalhar em equipa é uma das competências mais apreciadas no mercado de trabalho, e não é por acaso. "O talento vence jogos, mas o trabalho de equipa e a inteligência vencem campeonatos", dizia Michael Jordan, um dos maiores basquetebolistas de sempre. Aproveite os tempos de universidade para treinar e limar as arestas, porque "desenvolver atividades que estimulem as capacidades de comunicação, trabalho em equipa e liderança" é fundamental, diz Amândio da Fonseca, presidente do Grupo Egor.

Escolher bem os companheiros

Como na faculdade não é comum os professores interferirem na formação dos grupos, está nas suas mãos rodear-se das pessoas certas. Não caia no erro de convidar a sua companheira de quarto ou o melhor amigo, se suspeita que eles não serão bons elementos. É a mesma coisa que convidar um amigo de muletas para jogar futebol, quando o objectivo é ganhar a partida. Aposte nas pessoas que lhe parecem mais motivadas e trabalhadoras.

Tomar um café para se conhecerem

É importante que antes de distribuírem tarefas se conheçam melhor. Pode conseguir identificar pontos fortes dos seus colegas, mas saber pouco das suas vidas. Percebam as limitações de cada um em relação à disponibilidade para trabalhar fora de horas, aos locais que dão mais jeito para se encontrarem, ao equipamento que têm para fazer o trabalho. Troquem telefones, emails, todos os contactos que possam facilitar a partilha de informação quando não estão juntos.

Identificar um líder

Tem de haver alguém que controle o trabalho, que aperte com quem não está a cumprir a sua parte e que faça um ponto da situação nas reuniões. Claramente tem de ser uma pessoa com capacidades de liderança, que marque reuniões de controlo frequentes para que o trabalho não descambe, saiba motivar aqueles que estão com mais dificuldades, elogiar quando alguém mostra um bom trabalho, e pressionar os que estão a falhar. Mas atenção, que o papel de líder não se esgota aqui. Também ele deve ter outras tarefas a desempenhar no trabalho.

Distribuir trabalho de forma inteligente

É fundamental perceber as motivações e competências de cada um, antes de começar a distribuir tarefas. Se há um elemento mais reservado, que adora fazer pesquisas, não faz sentido passar-lhe a parte das entrevistas de rua, por exemplo. Há pessoas óptimas a pesquisar, outras que são perfeitas a juntar ideias, outras com imenso talento para escrever e outras que nasceram para fazer apresentações. O sucesso de uma equipa é quando sabe tirar partido dos pontos fortes de cada um.

Honrar os compromissos e os prazos

Ora aqui está um dos principais calcanhares de Aquiles dos trabalhos em equipa: uns trabalham, os outros encostam-se. Esta técnica pode ter resultado ao longo do secundário, mas está na altura de mudar, porque a sua capacidade de trabalhar em grupo vai ser questionada e testada nas entrevistas de recrutamento. Por isso, mesmo que o tema do trabalho não o entusiasme ou que já tenha percebido que tem fortes probabilidades de chumbar a cadeira, deve empenhar-se no trabalho até ao fim. É uma questão de palavra e de respeito pelos colegas.

Apostar na comunicação

O segredo do trabalho em equipa é saber escutar os outros, não ficar ofendido quando a sua opinião é rejeitada e cumprir as tarefas no prazo acordado. Num grupo é impossível pensarem da mesma forma, por isso vai haver diversidade de opiniões. É fundamental escutar o contributo dos outros e não ficar amuado quando a sua ideia é preterida. É impossível ganharem todos e, ao contrário do que dizia o realizador Michael Winner, que defendia que "um trabalho de equipa é ter toda a gente a fazer aquilo que eu digo", o importante é que cada um dê o seu contributo para o trabalho e que vença a melhor ideia. Trabalhar em grupo exige respeito, colaboração e compromisso, nada mais.

Quando escolher os colegas tente deixar este tipo de pessoas de fora. Mas se não conseguir, damos-lhe soluções para lidar com elas.

Autoritário - Tem algumas características de líder, mas falta-lhe o bom senso para saber escutar os outros. Como tem a mania que é o mais capaz do grupo e tenta impor as suas ideias à força, facilmente leva a que os outros desinvistam do trabalho. Solução: procure que não seja ele o líder, senão tentará conduzir as reuniões até todos concordarem com ele. Mas pode dar um bom apresentador do trabalho e também costuma ter jeito para fazer entrevistas ou trabalhos em que seja necessário dar a cara.

Passivo - Enquanto uns querem impor a sua opinião, outros mal se fazem ouvir, porque são inseguros e não acreditam que o seu contributo possa ser válido para o grupo. Geralmente, ficam calados enquanto os outros apresentam ideias e discutem e acabam por ser encarados como monos num grupo de trabalho. Solução: incentive-os a exporem as suas ideias e a darem opinião nas principais discussões. Eles não são necessariamente preguiçosos, por isso não menospreze a sua capacidade de trabalho.

Conflituoso - Discordar é o seu hobby favorito e está fora de questão aceitar que as ideias dos outros podem ser melhores que as suas. Cria um ambiente hostil entre todos e funciona como uma força de bloqueio, tornando mais lentos os progressos e mais difícil chegar a soluções de compromisso. Solução: escute-o quando estão a discutir qual a direção a seguir, pois as questões que ele levanta podem ajudar-vos a clarificar o caminho. Não termine as reuniões sem conseguir um consenso e se for necessário, escreva as conclusões, para não haver mais discussões.

Azarado - É o que tem uma inbox que parece o Triângulo das Bermudas, a quem o computador avaria na véspera da entrega da sua parte do trabalho, que tem sempre uma desculpa para faltar às reuniões mais importantes e que adoece no dia da apresentação do trabalho. Solução: marque-lhe prazos mais apertados e não lhe passe uma parte do trabalho de grande responsabilidade. O ideal é passar-lhe tarefas que possa espicaçá-lo a fazer quando se encontram na faculdade (exemplo: pesquisas na biblioteca ou entrevistas a professores ou alunos).

Superficial - Está sempre pronto para uma boa conversa, desde que não seja de trabalho. E as pausas para um café ou conversa de chacha são a sua especialidade. Não traz grandes ideias para o trabalho, a menos que seja bastante apertado para o fazer, e tem de ser muito controlado com os prazos, pois a organização não é o seu forte. Solução: será um excelente contributo em pesquisas na internet, compilação de dados ou a fazer entrevistas. Faça marcação cerrada com os prazos para não o deixar perder o pé.