24 de abril de 2014 às 8:49
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Quer saber porque acabaram os bonecos do Contra-Informação?

O melhor programa de sátira e humor da história da nossa televisão chegou ao fim. A crise e os cortes orçamentais dizem uns. Um programa incómodo para o established, sem dúvida. Mas a razão só pode ser uma. Saiba qual.
Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Acabar com um programa como o Contra-Informação nunca poderia passar por um motivo de contenção ou corte orçamental. Isto porque não consigo admitir que numa estação pública se pague vinte mil euros por mês a alguns apresentadores de concursos para dizerem baboseiras e depois se alegue que não há dinheiro para manter um programa que presta um verdadeiro serviço público, há anos a fio, mantendo sempre níveis de qualidade irrepreensíveis. Ou a RTP acha que serviço público passa pelos telespectadores saberem que A e B já foram muitos felizes atrás de uma moita na praia de Mira? Não me parece.

Outro motivo poderia ser a alergia que um programa deste género causa. Terrivelmente assertivo, com uma capacidade de satirizar inteligentemente a actualidade como nenhum outro, tornando-se cada vez mais incómodo para uma sociedade e actual classe política que já deu mostras de ter pouco poder de encaixe. O grau de desenvolvimento de um país também pode ser medido pela capacidade que este tem ou não de se rir de si próprio, e pela liberdade que quem cria ou humoriza tem de o poder fazer livremente e sem espartilhos. E nesse aspecto estamos a anos-luz de muitos outros países. Temos muito que aprender. Basta pensarmos no humor Inglês.

Somo o país dos Malucos do riso, Maré Alta e outros "fenómenos" do género, programas "fáceis" que conquistam com facilidade audiências. Mas mesmo este espartilho mental não parece ter sido a causa. Até porque o Contra-Informação, quando passado em horário decente (coisa que já não acontecia), sempre foi bem recebido pelo público.

Por tudo isto o único motivo plausível para se acabar com um programa como a Contra-Informação apenas poderá ser o de os bonecos terem sido ultrapassados pelos personagens reais que caricaturavam. Ou seja, isto está de tal forma de pernas para o ar que começámos a não perceber quem na verdade é o boneco. Se o próprio boneco ou a figura real. Quando a realidade é mais caricata e divertida que o humor que a recria e procura satirizar, a essência de um programa deste género morre. Exemplo: há muito que José Sócrates fez "José Trocas-te" perder a piada.  Isto porque o original faz rir muito mais do que o boneco. Até admira o boneco não ter pedido a demissão à Produtora Mandala por se sentir ultrapassado e se estar com uma depressão profunda. Mas há mais: Madaíl, Queiroz e tantos, tantos outros...

Se olharmos para tudo o que se tem passado nos últimos tempos verificamos que vivemos num país de figurinhas,  fantoches, bonequinhos e muitas personagens verdadeiramente hilariantes, difíceis por isso de recriar com mais humor do que o seu natural, o que as próprias emanam. A nossa realidade é cada vez mais um episódio do contra-informação. O noticiário  das 20:00 suplanta qualquer programa de humor negro. Os bonecos ganharam vida própria. Ou o contrário.

PS: parabéns a toda equipa do Contra, à produtora e aos argumentistas pelos excelentes momentos televisivos que proporcionaram. Catorze anos, 170 bonecos. Um grande programa.
Comentários 44 Comentar
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E que tal uma petição para recomeçar?
VAmos fazer uma petição para que a contra-informação recomece?
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Excelente Comentário !!
.
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TM
Acabam porque começam a ser muito incomodativos, e a atingir os mesmos de sempre da novela Malhação.
INCOMODIDADE
O Sr. Engº sentiu-se incomodado, com algumas verdades que por lá se iam retratando.
Só tem dúvidas quem vive à sombra do Engº
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A verdade e a ficção
A decisão de acabar com a Contra-Informação é simples: a ficção foi ultrapassada pela realidade. Os bonecos acabaram por ser sérios perante o que tem acontecido no País e o que dá vontade de rir, agora, são as intervenções de Cavaco Silva e Manuel Alegre como candidatos à presidência da República, as actuações do governo de José Sócrates, os escândalos das sucatas, o escudo anti-Sócrates do Procurador-Geral da República e outras comédias de personagens que deveriam ser os responsáveis pelo normal funcionamento do país mas que não passam simplesmente de uns "malucos do riso"...
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fraquinho
muito fraquinha esta crónica. O título sugere algo interessante mas depois, profunda desilusão... eu, porventura sem jeito para a coisa acho que era capaz de escrever isto ou melhor. Não percebo como este jornal de expõe a crónicas tão desinteressantes.
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vai acabar
Porque falta la o teu!
Plenamente de acordo...
Acho que os politicos fazem concorrência desleal aos comediantes... e não é de agora. Na verdade concordo quando diz que o telejornal é divertido. É o programa que me consegue arrancar mais gargalhadas. Já nem o consigo ver durante o jantar pois engasgo-me... (aproveito para comer durante a fase da "bola" que é quase metade dele...).
A sério que este politicos... comediantes "nonsense" tipo Monty Python mas de um nivel mais baixo (se não o "publico" não atinge...) conseguem fazer rir ... mais do que os gatos...
Não se pode falar em censura...
À primeira vista, cheira a censura mas...

Não se pode falar em censura... quando há canais privados que poderão pegar no programa.

http://muitosuave.blogspo...
À primeira vista, cheira a censura mas...
À primeira vista, cheira a censura mas...

Não se pode falar em censura... quando há canais privados que poderão pegar no programa.

http://muitosuave.blogspo...
Re: À primeira vista, cheira a censura mas... Ver comentário
Refere-se claramente ao Malato
Quando eu vejo que apresentadores como o Malato são considerados bons apresentadores, apercebo-me que o povo português é ainda mais parvinho do que aquilo que eu pensava. É que não tem pontas por onde se lhe pegue. Fraco e incompetente.
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Trocas-te para PM e Sócrates no Contra-informação!
Acho que TROCA-TES pediu para sair do programa porque já lhe apetece ser PM, visto que o seu desempenho já supera e muito o de Sócrates. SÓCRATES, por sua, vez, sabe que seu tempo como PM acabou e já prepara uma REMODELAÇÃO no contra-informação, quando ele próprio assumirá o papel que hoje é de troca-tes.
Bravo Ver comentário
Parabéns


1. Faço minhas as suas a suas palavras de parabéns:
              "PS: parabéns a toda equipa do Contra, à produtora e aos argumentistas pelos excelentes momentos televisivos que proporcionaram. Catorze anos, 170 bonecos. Um grande programa."

2. Concordo coma interpretação acerca do motivo porque lhe pôe fim.

3. Como as personagens suplantaram os bonecos, faz todo o sentido ( ao contrário do que afirma) acabar com eles.
 
O público deve passar a rir-se das personagens. Mas rir mesmo. Porque os artistas são caros.

Nota : Até neste aspecto, a medida não é inteligente (isto na perspectiva dos "bonecos" reais). Vamos rir com aquela trupe!
Contra-informação tem graça, mas não é de graça!
Ora, ora... o actual sistema político português não tem culpa de ser assim: um sinistro forrobodó burlesco! :->

Nota de Humor: Se a Mandala Produções fossem patriotas a sério não teriam sacado tanta grana ao longo destes 14 anos, o déficit público seria certamente menor, e todos esses 170 bonecos teriam sido mais úteis para os internados no Hospital Júlio de Matos a bem da saúde mental dos portugueses. (ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah!)
Obrigações ultrapassadas
Tenho pena que uma estação estatal (como a RTP) não cumpra os seus - supostos - objectivos: promover a educação do povo português. No entanto, no país do faz-de-conta e onde tudo se encontra trocado, outra coisa não seria de esperar. O Contra-Informação era um programa que, de forma satírica mas genial, retratava a sociedade portuguesa mas que, infelizmente, segundo a máxima "dar pérolas a porcos" foi ultrapassada por programas decadentes que transpiram mediocridade e decadência como o Secrets Story-casa dos segredos e as telenovelas do costume que não são mais do que vidas idealizadas onde a audiência de autoprojecta para encontrar uma satisfação ilusória. Os responsáveis pelo fim do Contra-Informação não é o governo (para eles tanto lhes dá) mas sim o povo português. Sim, quem vê os programinhas cor-de-rosa que a televisão oferece em troco de uns níveis de audiência fáceis promove o desaparecimento deste tipo de programas sérios que, a meu ver, de uma forma inteligente, introduzem ideias acertadas nas cabeças portuguesas (ou oferecem matérias-primas para que cada qual formule as suas próprias). Se isto continuar, vai chegar o dia em que a televisão nacional, desperdiçando todo o potencial que acredito ter, só vai passar chachadas, entretenimento "low-cost", de baixo nível e,por isso, degradante. Vai ser esse o dia em que não volto a ligar a televisão!
Re: Obrigações ultrapassadas Ver comentário
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