24 de maio de 2013 às 23:32
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Quem privatiza não decide

O governo quer privatizar a TAP. Não voltem depois com a conversa do interesse nacional, que justificou o uso da golden share na PT. Quem quer mandar em empresas estratégicas não as privatiza

Não vou escrever aqui o que penso sobre a privatização da TAP, companhia aérea criada pelo Estado (obra de Humberto Delgado), depois privatizada (mas com maioria de capitais do Estado) e de seguida renacionalizada. Nem sobre o facto destas privatizações sem recuo possível se querem fazer sem qualquer debate político e ao sabor da conjuntura. Nem sobre a política europeia que, na prática, empurra os Estados para estas privatizações. Não nos enganemos: à Europa tem faltado direcção política o que lhe tem sobrado em direcção ideológica não escrutinada pelos eleitores europeus.

Apenas quero deixar um aviso. Depois da TAP ser comprada, provavelmente por detentores de uma outra companhia, não venham falar de importância estratégica da empresa. Quando a TAP privada deixar de garantir voos para as regiões autónomas a preços comportáveis para os açorianos e madeirenses não se venham manifestar indignados. Quando os novos detentores da TAP decidirem cancelar voos para países cultural, política e economicamente importantes para Portugal (ou transferir as rotas para fora do país), não nos venham falar de interesse nacional. E, como se viu com outras empresas, a privatização fará com que os critérios de interesse nacional deixem de ter qualquer relevância.

Já aqui escrevi sobre as golden share da PT e outros expedientes: se o Estado quer mandar em empresas não as privatiza. A TAP é importante para a nossa economia. Para além de uma companhia aérea, é um instrumento de diplomacia, internacionalização da nossa economia e coesão territorial. Privatizar a TAP é desistir deste instrumento. Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal. Querem o Estado sem empresas estratégicas? Aceitem o Estado sem poder económico. Querem um Estado com capacidade para defender os interesses económicos do País? Não vendam os poucos instrumentos que temos para isso. É tão simples que nem precisa de muitos argumentos.

Comentários 36 Comentar
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Quem privatiza não decide
A TAP uma empresa estratégica?
Grande mentira!
Voos para as regiões autónomas mais baratos que na TAP?
Basta consultar o site comercial da "easyjet", para percebermos como esse embuste nos tem sido enfiado pela mioleira dentro.
Durante o periodo colonial e no pós 25 de Abril de 74, a TAP era na realidade uma empresa estratégica. Ajudou a consolidar as autonomias regionais, e durante a colonização, vistas bem as coisas, foi uma ponte aérea entre as comunidades brancas e a metrópole.
Hoje a TAP é uma boa transportadora ao nivel da prestação de serviços, mas daí a sua não privatização vai uma diferença abismal.
No mercado global, a TAP limita-se hoje a dominar só e apenas, as ligações ao Brasil, Angola, e Cabo Verde. Mesmo os voos para as restantes ex colónias, e para as comunidades de emigrantes espalhadas pelo mundo, têm preços muito acima da concorrência.
Porque não privatizar, como noutros países? Perde-se o poder de decisão? Mas qual? O de gerir "ad aeternum" uma empresa falida, que custa ao Estado uma fortuna. Então e os Portugueses que não andam de avião? E ainda menos na TAP? Não andarão eles a pagar, para manter uma empresa cujos únicos e verdadeiros beneficiados são uma casta de pessoas que vive do Estado ou de gente que empresarialmente nunca paga um tostão de impostos. A não ser que se pretenda ter uma companhia aérea de bandeira, para gente fina viajar.
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BRINCAR ÁS EMPRESAS!
Os portugueses não aprendem com os erros do passado.A historia recente do país fala por si. Infelizmente as pessoas mudam mas os erros repetem-se. A TAP, esta TAP há muito q devia ter sido encerrada. A última grande oportunidade coincidiu com Guterres. Nessa altura o governo deveria ter tomado a boleia das autoridades suíças e fechado a TAP. A empresa deveria ter sido declarada inviável, falida e consequentemente encerrada. Dessa forma acabava-se com um histórico sorvedor d dinheiros públicos e estaleiro d todo o tipo de clientelas politicas e filhos e filhas sem aptidão p os estudos. O governo passaria então a dispor da oportunidade d criar uma nova companhia segundo critérios racionais d gestão e eficiência. Um processo assim poderia tb ser liderado por Fernando Pinto e, estou certo q o mesmo vislumbraria virtudes em gerir uma empresa menos politizada, sem clientelas politicas instaladas, equilibrada do ponto d vista dos recursos humanos e financeiramente saneada. Era isto o q se devia ter feito! Hoje a TAP é uma empresa q aguarda ser comida por algum gigante.Só cresce em mercados não liberalizados, nos outros perde muito dinheiro.A actual crise financeira internacional prejudica a venda d empresas como a TAP pelo q no actual contexto dificilmente se fará a venda pretendida.Mas nem tudo é mau.O facto de BA ter comprado a Ibéria obriga a Lufthansa a ter q se posicionar na TAP.A inteligente decisão d apostar em rotas no hemisferia Sul é a melhor garantia q a TAP tem mercado.
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Vendê-la, enquanto alguém a quer
A Tap é diferente da PT: esta tem interesses estratégicos no Brasil e a Telefónica com uma oferta tentadora,irrecusável e onde só uma certa visão provinciana de Sócrates impediu, até agora, que se consumasse.
A Tap precisa de "graveto", muito "graveto": sem ele não há combustivel e os aviões ficam em terra.E ,sem ele , ficam em terra de um dia para o outro e os passageiros a pé.
Se o Governo-face á legislação comunitária, não pode resolver os problemas de tesouraria-forçosamente tem que encontrar outra solução.Privatizá-la e depressa, antes que os prejuizos fiquem sem controlo e depois já não haja quem esteja interessado nela.
DINOSSAUROS
Nós os de meia-idade, somos os destacados inimigos desta corja de gafanhotos que tudo devastam à sua passagem. Desde a tomada do poder por assalto dos yuppies, que tudo se conduz para o imediatismo do lucro fácil, tudo se reduz ao colossal egocentrismo de um narcisico culto pessoal de personalidade e figura. Quem tiver dificuldade em perceber este arrazoado de palavras, imagine o nosso PM, o José Sousa (não tenho com este familiaridade para o tratar pelos nomes próprios), e fica instantâneamente esclarecido.
Nós os dinossauros temos memória, e esta é o inimigo a obliteral literalmente. Memória dos tempos em que o bem estar dos cidadãos, a qualidade de vida dos compatriotas, era responsabilidade assumida em exclusivo pelo Estado. O mesmo Estado que mandou gerações combater em seu nome, que autorizou que se matasse em nome de Portugal, que se morresse na defesa dos seus valores e interesses. A água, o gás, a electricidade, as estradas, as escolas, os hospitais, os tribunais, os combóios, os correios, enfim ... tudo o que fazia com que Portugal fosse um Estado de lés-a-lés, era responsabilidade desse Estado, para ele os nossos impostos eram destacados.
Na Guerra do Iraque, já são empresas civis que têm a competência do apoio às tropas ... e muito mais não será necessário dizer.
Nós os dinossauros temos essa memória, e a esta horda de bábaros que não deixam pedra sobre pedra, sejam eles Sousas, Coelhos, Portas ou seus sucedâneos, a memória é um virus. E como tal liquidado.
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Acabe-se com este sorvedouro de dinheiro público
Não é uma empresa estratégica, é uma empresa que nos leva os anéis.
Para quê continuar a alimentar luxos que nada contribuem para a economia nacional e só servem para enterrar Portugal?
Re: Acabe-se com este sorvedouro de dinheiro públi Ver comentário
Re: Acabe-se com este sorvedouro de dinheiro públi Ver comentário
A Privatização da TAP...
...não irá afectar os preços dos voos para o Portugal Insular.

1º)Na situação actual já há preços mais baratos do que os praticados pela TAP.

2º)Mesmo que os novos proprietários decidam cancelar esses voos,o Estado poderá contratar, sob concurso público internacional,a prestação desse serviço que eventualmente poderá ser mais vantajoso do que suportar os custos da existência de uma companhia deficitária.

Nada de novo,pois também o Estado decidiu extinguir as companhias de navegação marítimas nacionalizadas,em 1985,vendendo os navios a desbarato a privados.

Claro está,que numa situação de grave crise internacional,o Estado poderá ver-se privado dos meios de transporte que terceiros controlarão,afectando o transporte de pessoas e o abastecimento de mercadorias.

Mas as decisões,tendo sido tomadas por gente avisada e conhecedora,deixar-nos-ão tranquilos...
   
Re: A Privatização da TAP... Ver comentário
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Privatizar a TAP
Passivo acumulado da TAP é superior a 2 mil e 500 milhões de euros!

Capitais próprios: negativos no valor de 200 milhões de euros.

Até parece que a empresa dá lucro … e que somos todos ingénuos.
Re: Privatizar a TAP Ver comentário
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Contra argumentos não há factos!
"Quando a TAP privada deixar de garantir voos para as regiões autónomas a preços comportáveis para os açorianos e madeirenses..."
Deus me livre!
Menos «Estado» nenhu Estado...
Para que serve um «ESTADO»? e que instrumentos deve ter para essa serventia?
Açores e Madeira
Penso que as condições de mercado não são iguais para as duas regiões.
Enquanto que para a Madeira já está liberalizado o mercado aério, porque a procura é maior e assim o justifica, para os Açores o que acontece é que há um concurso em que o vencedor fica com o monopólio dessa ligação mas em contrapartida tem de fazer um número mínimo de voos por dia (variável ao longo do ano) para determinada ilha. Neste momento a SATA tem as ligações para São Miguel e a TAP para Terceira, Pico e Faial.
Ou seja, a TAP faz o transporte aério para algumas ilhas porque ganhou o concurso. Se calhar no próximo poderá ser outra companhia qualquer.
100% de acordo
E naquelas onde querem mandar comprem 51% do capital. O drama é que não temos dinheiro para mandar cantar um cego e queremos continuar a mandar depois de vender (porque precisamos de dinheiro).
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