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Blogue: Vida na Terra

Quanto se gasta em comida numa semana

O livro "Planeta com Fome - O que o Mundo Come" compara 600 refeições na vida de 30 famílias, oriundas de 24 países. (Ver fotos das diferentes famílias no fim do texto)
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É por demais sabido que vivemos num Mundo de significativas disparidades sociais, no que toca ao poder de compra, disponibilidade de alimentos e qualidade de vida. Nos países do Hemisfério Norte (Estados Unidos, Canadá, União Europeia e Japão) e na Austrália e Nova Zelândia, são pouco os que têm consciência do privilégio de ter água potável nas torneiras, electricidade para iluminação (e ligar frigoríficos, televisões, computadores e toda a restante panóplia de electrodomésticos), habitações condignas (até com elevador) e estradas asfaltadas para circular de viatura particular em toda a segurança (assistência médica e hospitalar incluídas). 

Na outra metade do Mundo (África, América Latina, Ásia e Oceânia), a grande maioria da população não tem acesso a todas estas comodidades (e alguns luxos), a começar pela água, saneamento básico e alimentação. Enquanto uns até comem mais do dobro do que um homem necessita para se manter saudável, outros não chegam sequer a um nível aceitável de subsistência e, em boa verdade, morrem de fome. Uma refeição principal (almoço ou jantar) no Ocidente seria perfeitamente suficiente para um dia inteiro nos países do Hemisfério Sul. 

No livro intitulado "Hungry Planet - What the World Eats" ("Planeta com Fome - O que o Mundo Come"), Peter Menzel and Faith D'Aluisio, dão um extraordinário exemplo comparativo de 600 refeições, na vida de 30 famílias, de 24 países. O perfil de cada família inclui uma descrição detalhada das suas compras alimentares e fotografias tiradas em casa, nos mercados e nas respectivas comunidades. 

Distinguido como "Melhor Livro do Ano", em 2006, pela Fundação James Beard, este livro testemunha igualmente as mudanças das dietas alimentares em consequência de fenómenos como a globalização, o turismo de massas e a expansão das multinacionais da agro-indústria, que enchem as prateleiras dos supermercados de comidas enlatadas e congeladas e as ruas com restaurantes das cadeias de fast food e take-away

Nas fotos reproduzidas abaixo, reparem bem na dimensão da família, na dieta alimentar de cada país, no tipo de alimentos colocados em cima da mesa (ou no chão) e no orçamento semanal  

1 - Alemanha: Família Melander de Bargteheide.
Despesa com alimentação em 1 semana: 375.39 Euros / $500.07 dólares

2 - Estados Unidos da América: Família Revis da Carolina do Norte
Despesa com alimentação em 1 semana: $341.98 dolares

3 - Itália: Família Manzo da Secília
Despesa com alimentação em 1 semana: 214.36 Euros /  $260.11 dolares 

4 - México: Família Casales de Cuernavaca
Despesa com alimentação em 1 semana: 1,862.78 Pesos / $189.09 dólares 

5 - Polónia: Família Sobczynscy de Konstancin-Jeziorna
Despesa com alimentação em 1 semana: 582.48 Zlotys / $151.27 dólares

6 - Egípto: Família Ahmed  do Cairo
Despesa com alimentação em 1 semana: 387.85 Egyptian Pounds / $68.53 dólares

7 - Equador: Família Ayme de Tingo
Despesa com alimentação em 1 semana: $31.55 dólares 

8 - Butão: Família Namgay da vila de Shingkhey
Despesa com alimentação em 1 semana: 224.93 ngultrum / $5.03 dólares

9 - Chade: Família Aboubakar do campo de refugiados de Breidjing
Despesa com alimentação por semana: 685 Francos / $1.23 dólares

 


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Está bem à vista o que muitos não querem ver
Em tempo de globalização já só fazem sentido comparações a nível mundial. A UE é a zona mais rica e desenvolvida do mundo apesar das normais assimetrias internas. Os portugueses, campeões das queixas, devem entender que se situam num nível bem alto à escala mundial e talvez mais sustentável que o da Alemanha ou dos EUA.
Quando olho a despensa alemã assusto-me com a pegada ecológica (energia e matérias primas) que envolve o processamento e o acondicimento daquilo que ingerem. O planeta não aguenta 7 mil milhões de pessoas a viverem assim.
Nota-se perfeitamente que a despensa dos mais ricos assenta num valor acrescentado que nem os europeus já têm capacidade para pagar além de se encontrarem endividadas até ao limite tal como os respectivos estados.
Tenho muito claro que na melhor das hipóteses nós, os ricos, vamos ter que aprender a viver sem crescimento durante muito tempo sem que com isso deixemos de ser os mais privilegiados do mundo.
Diferenças impressionantes.
Um artigo interessante sem dúvida.
Podem ser retiradas várias conclusões financeiras, de saúde pública e até culturais.

O que mais impressiona é o caso da familia do EUA, Vejam só o lixo de comidas processadas que consomem...chocante!!!
Em comparação as restantes já são mais aproximadas à fonte, como um consumo mais elevado de vegetais.
já ando a cultivar a minha horta...
que tal começarem a plantar alfacinha, couvinha e batatinha.... custam 5 cêntimos cada plantinha...
Uma galinha que põe ovos ronda os 8 euros...
se vivem num apartamento aproveitem a varanda.... :).... um porquito após um ano enche a arca para um ano....
querem comparar-nos aos menos desenvolvidos? comparem-nos sim aos melhores não aos piores :)
Desenvolvidos.Re: já ando a cultivar a minha horta
interessante ...
Muito interessante... vou querer ler o livro, falta provavelmente o que as respectivas familias poderão obter através das suas pequenas hortas, os paises ricos não tem essa tendencia, mas os outros paises tem essa tendencia. Outra coisa interessante nas fotos é a constituição das familias, e a "gordura" que transportam.
Até nisso se vê o poder ...
... da Globalização. As famílias do topo, as que mais gastam em alimentação, são também as que se alimentam pior ...

... mas ao menos dão a facturar a muita gente por aí ...
o artigo e' enganador
a julgar pelas fotografias ninguem no mundo come peixe. Pouca carne.
Nos paises do paises do primeiro mundo ha' uma obsecao com saladas e produtos naturais e organicos. Os supermercados tem alas inteiras dedicadas a estes produtos. Mas nao aparecem nas fotografias dos italianos (pasta e salada) ou dos alemaes, ou dos americanos.

Todas as culturas desenvolveram tecnicas de preservacao de alimentos. quanto menos desenvolvida a tecnologia mais se recorre a estas tecnicas de saber antigo. Tambem pouco se veem, pricipalmente nas fotografias dos paises pobres.

Bebidas? A producao mundial de vinho deve ser para regar o deserto. Para alem de umas garrafitas nos alemaes, mais ninguem bebe. Cerveja? o mesmo.

Mas COCA-COLA bebe-se no mundo inteiro. Repararam?
E a comida para o cao? wow, e' um pormenor tocante nao e'? O Milan Kundera falava em Kitsch.
mais enganador ainda
os precos. Os produtos da familia do Chade quanto custam na america? Os mesmos $1.23? se uma familia na america quiser comprar esses produtos quanto paga?

A forca do artigo assenta na comparacao, os dados comparativos estao manipulados. recorre ao efeito facil e sentimental.
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