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Quanto custa ter um carro?

Ao fim de dez anos já investiu tanto num carro como numa casa. Será que compensa?
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Se acredita que a sua casa é o mais dispendioso dos activos não devia subestimar outra grande fatia no seu orçamento, o automóvel. Se nunca contabilizou os encargos com o seu veículo e verificou a factura no longo prazo do conforto dos estofos, deveria equacionar fazer o exercício e perguntar: Qual o preço real de um carro?

O carteira.pt fez as contas e, ao longo de uma década os gastos crescem ao patamar da habitação. Crédito, seguros, gasolina e selo de automóvel são as despesas básicas que fazem a compra de um automóvel parecer a compra de uma casa e que devem levá-lo a pensar se o carro é o meio de transporte ideal para si.

Para mostrar o que está por trás dos cálculos, tomou-se como exemplo um dos modelos da marca de veículos ligeiros de passageiros mais vendida em Portugal durante 2009, a Renault. Tomando o Renault Clio Storia 1.2 16V Dynamique, fomos saber quanto é que se gasta com este automóvel no final de dez anos.

Crédito - 225,65 euros por mês
Poucas são as pessoas que conseguem pagar um carro a pronto, por isso, fugir a um crédito automóvel é quase impossível. O Renault Clio que é preferido pelos portugueses custa 13 200 euros e o próximo passo é encontrar o financiador mais em conta. Há pouco mais de seis meses o BPI mostrava-se o mais económico num artigo deste sítio, agora uma simulação no mesmo banco, para um empréstimo a seis anos, aponta para uma mensalidade de 225,65 euros (TAEG 7,426%). Com os juros afectos ao empréstimo, no final desses seis anos, já pagou pelo automóvel cerca de 16 246 euros, o que representa mais 3 046 euros do que o valor do carro.

Seguro - 93 euros de 3 em 3 meses
O próximo passo é o seguro, e um carro novo é, normalmente, sinal de um seguro contra todos os riscos. Para que pague o menos possível, fizemos uma simulação numa seguradora online, a Ok Teleseguros, e para a mesma marca e modelo, com o produto "Danos Próprios", que inclui protecção contra terceiros, danos próprios e ainda assistência em viagem, pagará de três em três meses aproximadamente 93,98 euros o que, no final do ano, dará 375,92 euros.

Gasolina - 205 euros por mês
Uma vez aprovado o crédito e o seguro, tem o carro nas mãos. Prepare-se para a próxima etapa: a gasolina. Sustentar o automóvel é outra renda. O Renault Clio tem um depósito de 50 litros e se o atestar três vezes por mês, com o litro de gasolina 95 sem chumbo a custar 1,37 euros, (segundo o site mais gasolina), vai gastar 205 euros mensalmente. Ao fim de 12 meses, este encargo com combustível representa cerca de 2 466 euros.

Selo - 31,50 euros por ano
Outra despesa obrigatória com o automóvel são os impostos, tradicionalmente conhecidos como "selo do carro". O cálculo deste incide sobre a cilindrada do veículo e a componente ambiental e, de acordo com as tabelas publicadas no site da ACP, o valor a pagar por este modelo de carro é 31,50 euros.

Carro = casa
Feitas as contas, só com estas despesas obrigatórias, gasta por ano mais de 5 500 euros na primeira meia dúzia de anos em que decorre o crédito, se as despesas com impostos, seguros e gasolina se mantivessem no preço actual. No final de uma década, e passado o momento do empréstimo já terá gasto cerca de 45 mil euros com um bem que desvaloriza assim que sai do stand automóvel. Ou seja, o dinheiro que gasta durante os primeiros dez anos com o carro é semelhante ao que gasta a pagar por uma casa. Senão veja, se fizer uma simulação no banco BPI para um crédito à habitação de 100 mil euros a 30 anos, com taxa variável, indexado à Euribor a 3 meses e um spread de 1,1 por cento, pode verificar que ficará a pagar ao banco 360,29 euros por mês. No final de dez anos, desembolsou 43 200 euros.

Claro que depois da primeira década ainda tem mais vinte anos de prestações pela frente, mas não se esqueça que dez anos depois de ter comprado um carro novo, provavelmente terá de trocar a sua "velha máquina" por outra.
É importante frisar que estes cálculos foram efectuados com um carro que tem um preço acessível e não estão incluídas as despesas em revisões e inspecções.


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Edição Diária 17.Abr.2014

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