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"Qual é o preço real destas análises?"

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
8:00 Quarta feira, 16 de novembro de 2011

Há dias, uma certa-e-determinada-pessoa-da-minha-família passou uma manhã num laboratório de análises. À saída, essa certa-e-determinada-pessoa assistiu a uma cena que devia ter sido filmada, uma cena que devia estar disponível no youtube.

Uma senhora estava a pagar umas análises. Custo da coisa? Uns brutais 80 cêntimos. Perante este preço ultrameganeoliberal, a senhora perguntou o seguinte à menina do laboratório: "mas qual é o preço real destas análises?". A menina não percebeu e repetiu com um ar cândido: "são 80 cêntimos, minha senhora". Ante o bloqueio da menina, a senhora voltou à carga: "sim, eu só pago 80 cêntimos, mas quanto é que estas análises custam ao estado?". A menina, mais uma vez, não encaixou a estranha curiosidade da cliente. Sem perder a calma, a nossa heroína voltou a explicar o seu ponto: "minha querida, isto é comparticipado, logo, eu só pago 80 cêntimos, mas isto não custa só 80 cêntimos, pois não?". E fez-se luz na cabeça da menina. Levantou-se, foi buscar uns papéis e, no regresso, disse "essas análises têm um custo de 13 euros".

Portanto, aquela senhora estava a ensinar uma coisa mui simples àquela menina e ao resto dos clientes do laboratório: nós, cidadãos, não temos noção do custo real do SNS, porque o valor real dos atos médicos ou laboratoriais nunca aparece no recibo. Nós só vemos o preço protegido, e nunca o preço real. Por exemplo, uma consulta num centro de saúde tem uma taxa moderadora de 3 euros, mas o seu custo real é de 80/90 euros. Ora, se fossem confrontados com o custo real dos atos médicos, os portugueses compreenderiam melhor a situação dramática do SNS, em particular, e do Estado, em geral. Seria uma boa pedagogia. E sabem que mais? Aquela senhora merece um beijinho repenicado, merece um beijinho bíblico.

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Boas intenções
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 8:34 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Acho este tema interessante, mas a minha opinião diverge quanto aos resultados da inclusão do preço real dos serviços.

Muito me temo que a reacção seria de desilusão perante análise baratas e de júbilo ao saber o elevado preço de exames e análises sofisticados.

Essa reacção já existe, com o preço dos medicamentos,havendo gente desagradada por o médico lhe receitar comprimidos de meia dúzia de euros.

Quando não somos nós a pagar, gostamos sempre do melhor e do mais caro. Há uma cultura generalizada de exploração do que é público.

Não são só os políticos...............
 
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Borrifador (seguir utilizador), 1 ponto , 9:23 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Qual é o preço real destas analises
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 9:24 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Parabéns pelo exposto e já o disse mais que uma vez que os cidadãos deviam ser informados de todos os custos, para ficarem com a noção dos mesmos. Sou contra os serviços completamente gratuitos, a fim de evitar abusos. O mesmo se passa com os medicamentos, para evitar desperdícios. O caso concreto acho ridículo cobrar 80 cêntimos e para quem pode devia pagar mais e devia ser isso que a senhora estava a querer dizer. É claro que só tenho esta opinião no Portugal presente em crise e porque temos recursos escassos e nada se pode desperdiçar, mas todos têm de contribuir e deve caber a maior fatia a quem mais tem. Os 80 cêntimos não pagam o papel do recibo, por isso ficava mais barato não cobrar nada.
 
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    Re: Qual é o preço real destas analises    Ver comentário
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 21:04 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Explicar isso a alguns, nem com cinzel e martelo!
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 12:02 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Henrique Raposo coloca bem esta questão, sobre o custo real do acto médico ou cirúrgico ao SNS.
Mas como todos nós bem sabemos, há uma enorme maioria de cidadãos que se está marimbando para essas contas, desde que estejam servidos.
Aliás, é vê-los a zurzir contra quem lhes quer fazer perceber que os impostos que pagam, não são só para financiar esse SNS entre outras coisas, são também para custear as despesas daqueles que não podem pagar esses serviços, incluindo os que não pagam impostos porque vivem com um mísero salário. A solidariedade é isso mesmo e não encher a boca de falinhas mansas.
É recorrente ler por aqui, coisas como esta: "eu já paguei os meus impostos para ter direito a...", ou " eu descontei uma vida de trabalho para ter uma reforma condigna", como se não soubéssemos hoje, que a maioria dos descontos que fazemos para a reforma, não chegam para pagar nem metade do valor que recebemos pela mesma, durante uma dúzia de anos. Se a esperança de vida após a reforma, 65 anos, aumentar para 15 anos, ou seja, batermos a caçoleta aos 80 anos, a coisa piora ainda mais.
Mas explicar isto a algumas mentes, nem com cinzel e martelo!
 
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A.S.Duarte (seguir utilizador), 1 ponto , 18:41 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
    Re: Explicar isso a alguns, nem com cinzel e marte    Ver comentário
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 21:11 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
    Re: Explicar isso a alguns, nem com cinzel e marte    Ver comentário
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 23:30 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
    Re: Explicar isso a alguns, nem com cinzel e marte    Ver comentário
userEX50677 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:54 | Quinta feira, 17 de novembro de 2011
História por interposta pessoa.
JJFF (seguir utilizador), 2 pontos , 12:10 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Na crónica de hoje Henrique Raposo trouxe-nos uma história contada por um familiar. Fez bem em aproveitá-la como faria igualmente bem se não a tendo a inventasse, pois o que realmente importa é que os utentes do SNS tenham a noção do valor dos benefícios que recebem e que são custeados pela generalidade dos contribuintes. Essa informação é essencial para cativar o empenho individual na poupança dos recursos públicos. Saber através da discriminação na factura, quanto custou ao estado o serviço, não evita gasto em causa, mas pode evitar outros no futuro se o cidadão ponderar o seu interesse individual com o colectivo. Muitos cidadãos com consciência cívica certamente o farão!
 
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Verborreico (seguir utilizador), 1 ponto , 12:54 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
HR
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:31 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Verifique o montante que desconta por mês em impostos, depois veja a quantidade de análises que fás durante um ano verifique por quanto é que ficam as mesmas, mas o assunto é interessante pois muitos que não têm necessidade deste serviço o utilizam e mal como o tal Vara aqui há tempos.
 
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Transparência
3AA (seguir utilizador), 1 ponto , 8:43 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Tudo o que são faturas e recibos emitidos pela utilização de serviços do Estado por parte do contribuinte, deveriam indicar sempre as parcelas do custo real, da comparticipação que é feita pelo Estado e o preço final de cada item para o utilizador. Assim saberíamos quanto pagamos a mais ou a menos e qual é a comparticipação total feita.
 
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Preço real e... tabela de preços
aguafria (seguir utilizador), 1 ponto , 8:48 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011

São coisas muito diferentes , Henrique
Com algumas (quase todas...) tabelas de preços, os hospitais deveriam dar muito lucro...
Não dão ...(pelo menos nas contabilidades oficiais)

Porquê?

 
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Critica injusta
Cleia Santiago (seguir utilizador), 1 ponto , 9:04 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
A sua crónica pretende que sejam apresentados em todas os actos médicos o custo real e o desconto que é feito. Muito bem, mas faz uma critica leviana a empregada do Consultório sabe porquê? Há sempre muitos utentes para análises e nem sempre há disponibilidade para prestar esse tipo de informação nem as pessoas tem obrigação de saber de cor o valor de cada uma das centenas de analises que se podem fazer.Portanto a empregada não será deficiente e a senhora que questionou o preço devia ter entendido que se calhar não era oportuno fazer essa pergunta. Esperasse um pouco mais de tempo para a fazer. Quando se quer comentar um assunto é preciso analisá-lo sob todos os aspectos para não se fazerem criticas injustas. Para alem do mais creio que nos tempos actuais temos muito mais coisas para nos preocuparmos.
 
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3AA (seguir utilizador), 1 ponto , 10:34 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
    Re: Critica injusta    Ver comentário
Cleia Santiago (seguir utilizador), 1 ponto , 15:52 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Transparência
LPCM (seguir utilizador), 1 ponto , 9:59 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
É uma cena que em Portugal não assiste! E que muita gente gosta que continue a não assistir! Há a velha teoria de que "knowing nothing is better than knowing it all", que no meu ponto de vista em Portugal é muito forte, infelizmente
 
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Na cabeça do senhor Raposo é que nunca se fará luz
ESPADA DE DAMOCLES (seguir utilizador), 1 ponto , 10:23 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Parece que se esqueceu de referir que os Portugueses e quem recorre a estes serviços paga através dos seus impostos muito dinheiro que visa, entre outras coisas, cobrir o custo destas análises. Um pormenor de somenos importância.

Querem implementar o princípio do utilizador-pagador em tudo? Muito bem. Façam-no, mas antes reduzam o valor dos impostos que os Portugueses pagam em igual medida.

Os Portugueses não têm culpa que os dinheiros públicos sejam mal empregues pelos nossos políticos (da extrema-direita à extrema esquerda) e que estes não legislem de modo a evitar que quem mais tem dinheiro não pague muito por estes serviços.

É bem mais útil, por exemplo, utilizar o dinheiro que os Portugueses pagam em impostos na comparticipação do custo de análises do que em múltiplas reformas douradas que muitos políticos e gestores ligados à máquina encaixam por terem trabalhado em instituições do estado apenas meia dúzia de anos.

Mas fazer com que este "manhoso" encaixe isto é tarefa impossível e para além disso não tenho tempo a perder com gente medíocre que fala de barriga cheia e que se julga iluminada e moralista.
 
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Ah e tal ...
matreco2011 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:46 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
E o custo real dos consultores, dos assessores, das secretárias, dos motoristas, das comissões de estudo, das fundações, dos institutos, etc, quando é que começarão a vir nas facturas ?
E já agora: se o dinheiro dos meus impostos não serve para custear as minhas análises quando vou ao médico, os livros dos meus filhos quando se inicia o ano escolar, o polícia quando a minha casa é assaltada, os homens que recolhem o lixo que deposito no contentor, o juíz quando vou a tribunal, então SERVE PARA QUÊ ? Há algumas áreas que sejam mais prioritárias que estas ? Quais ?
Dizer que "o Estado paga os 12,20€" das análises da senhora, enquanto ela só paga 0,80€, é no mínimo estupidez e/ou desonestidade, porque "o Estado" somos todos nós, e todos nós o financiamos, através dos nossos impostos. Se se quer insurgir contra algo, preocupe-se mais com quem recebe da segurança social sem nunca ter descontado um tostão, não se preocupe com os 80 cêntimos da senhora que muito provavelmente tem uma vida de descontos.
Beijinhos bíblicos (para as meninas) ...
 
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porrero
anti-r (seguir utilizador), 1 ponto , 13:52 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Por isso eu pago impostos a saúde deve ser gratuita e não um negócio.
Se a merda fosse dinheiro os pobres não tinham cu.
 
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As histórias que são contadas ao H.R.
A.S.Duarte (seguir utilizador), 1 ponto , 14:14 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Estas histórias do H.R. são sempre mal contadas.
          1- A senhora que perguntou à menina o "preço real" das análises e ante o "bloqueio" natural da menina insistiu numa pergunta ainda mais estúpida que é de querer saber quanto as mesmas custam ao Estado, teve a única resposta que,perante tal insistência ela estava em condições de lhe transmitir: o preço das análises que o tal laboratório cobraria se não fosse portadora de uma requisição oficial das mesmas. Pois é , caro H.R., esse valor não pode ser chamado de "real" e muito menos ser aquele que o Estado paga. Como queria que uma trabalhadora de uma clínica soubesse uma coisa que, com toda a certeza, só as partes contratantes (SNS e as gerências das clínicas) conhecem?
        2- Hilariante é ainda a conclusão que a dita senhora "estava a ensinar"à menina e aos restantes clientes do Laboratório uma coisa que, embora muita gente desconheça há também muita que sabe: os custos da Saúde são elevados e devem ser considerados como tal.
        3- Já agora, outra coisa que não sei se o H.R. tem conhecimento:
              Há ainda utentes do SNS que não pagam absolutamente nada pois estão isentos daquilo que se chama taxas moderadoras,nem mais nem menos que os custos de exames e actos médicos.
          4- Também não faço ideia onde este inefável cronista foi buscar os valores das consultas nos Centros de Saúde (3 euros o preço da T.M. e 80/90 o "preço real").

 
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Ninguém sabe!
peliteiro (seguir utilizador), 1 ponto , 14:50 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
«Qual é o preço real destas análises?»
Por absurdo que pareça o preço real das análises ninguém sabe, muito menos o Estado. 13 euros é apenas o que o Estado paga por elas, mas cujo preço de custo é incapaz de calcular. Pequenas subtilezas...
 
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    Re: Ninguém sabe!    Ver comentário
A.S.Duarte (seguir utilizador), 1 ponto , 19:15 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
Como é possível entender as absurdidades!
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 15:46 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011

Cião Enrico,

Pelos vistos, o Estado português brinda medicamentos, analises, etc. Portanto porque admirar-se se o SNS estiver em défice?
Não posso acreditar no que leio no artigo: "uma consulta num centro de saúde tem uma taxa moderadora de 3 euros, mas o seu custo real é de 80/90 euros".

A senhora não chega a entender porquê as analises têm um custo extremamente baixo. E bombardeia a menina com perguntas pois tudo é tão estranho, tão incompressível.
E afinal Fuit Lux ou como diz o jornalista: "E fez-se luz na cabeça da menina".

Pelo menos um dos presentes devia repenicar um beijinho na face da senhora.

Boa Tarde!

Malditos Portugueses.

                                      António
   
 
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    Ó António, estás mesmo a ficar xexé pá!    Ver comentário
L SKYWALKER (seguir utilizador), 1 ponto , 21:30 | Quarta feira, 16 de novembro de 2011
    Re: Ó António, estás mesmo a ficar xexé pá!    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 5:51 | Quinta feira, 17 de novembro de 2011
    E és mal educado!    Ver comentário
L SKYWALKER (seguir utilizador), 1 ponto , 22:33 | Quinta feira, 17 de novembro de 2011
    Re: E és mal educado!    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 3:43 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
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